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sexta-feira, 9 de junho de 2023

Abraçando o caos...

Esqueci de avisar: comecei lá no Instagram (e youtube) uma série de posts com vídeos curtinhos.


Parte pra exercitar minhas habilidades no premiere e photoshop e parte pra criar algo legal e que passe um pouco do "espírito" do Groselha on the Rocks. Essa coisa meio fanzinão punk, igualmente confortável e desafiadora. Tipo, você sabe o que vai encontrar, mas nunca O QUE vai encontrar, manja?

Batizei essa pequena série de "abraçando o caos". Porque é sobre isso. Ele, o caos, é inevitável. I mean, existe um motivo pelo qual vc não acha muitas formas geometricamente perfeitas na natureza, saca?

Ordem é algo difícil de se obter. Pior ainda de manter. Caos, no entanto, orbita ao nosso redor. E okay, eu sei que alguns afirmam a respeito de não existir caos, apenas ordem em um ritmo e padrão de complexidade tão insanamente intricado que a gente é incapaz de ver o quebra cabeça em toda sua completude. 

Mas no final, da nossa perspectiva insignificante, caos é caos. E na incapacidade de compreende-lo, só nos resta abraça-lo e aprender a conviver com ele. Porque, afinal, que escolha temos?

Me sigam lá no Instagram e no Youtube. 

Abraçando o caos: espere o inesperado. E vice-versa. 



quinta-feira, 16 de fevereiro de 2023

 Sabe como eu sei quando eu tô deprimido?

Simples: eu tenho zero problemas com a perspectiva de ser visto em público fazendo minha versão cosplay mais porca possível do Grande Lebowski.



Por sorte, eu já consigo reconhecer os sinais de quando eu to meio mal emocionalmente e tenho algumas técnicas pra lidar com isso. Por exemplo, tem um hipotético vidro aqui com a igualmente hipotética inscrição "quebre em caso de crise" que eu quebro com meu, surpresa, surpresa, hipotético martelo. Dentro dele, no momento estão dois itens nada hipotéticos: uma barrinha de chocolate tentro sabor torta de limão comprada pra mim por minha better half, Stella.
Porque ela me conhece nesse nível, simples assim. E porque Trento é melhor que Hershey's. E, quero acreditar, atingindo seu nível de excelência com bem menos necessidade de trabalho escravo infantil.

Consciência social, temos aqui...

O segundo item, é o Demon Days dos Gorillaz.
As vezes me tira do poço emocional. As vezes me manda mais pra fundo dele, mas faz isso de forma linda e segurando minha mão por todo o trajeto. 
E de qualquer maneira, eu termino a jornada melhor. Não necessariamente recuperado.
Mas melhor. E isso já basta.



Bom, deixa eu voltar pra faxina no blog. Afinal, os deuses abissais que decidiram fazer sua morada no meu cafofo virtual durante minha ausência não vão se exterminar sozinhos.... 

No princípio era o verbo...


Juntando poeira isso aqui, né?

Hora de botar esse bichinho pra funcionar de novo. 

Deem um tempo pro tio porque preciso dar uma faxinada, tirar o pó, expulsar os ratos e verificar se todos os demônios foram devidamente exorcizados. 

Quem tiver com saudades, pode ir lá ler minha newsletter, a Groselha Express, no Substack.

É de graça. Se gostarem, sintam-se convidados para assinarem e recomendarem pros parças. 

De resto, semana que vem a gente reacende as luzes, reabastece o bar e bota essa po**a pra jogo de novo.

Groselha on the rocks, motherfuckers.

Ano XV. 

Respect!!!!

quinta-feira, 10 de novembro de 2022

 ....


....e aí um dia, conversando com Stella, falamos sobre Jesus, aquelas capirotagens de sempre que saem da minha boca e comentamos bem "en passant" sobre como quase ninguém fala do ladrão impenitente, manja? É sempre uns papos sobre o nazareno na cruz e o ladrão gente boa mas o coitado do outro cara, tendo que aguentar uns papos super estranhos dos outros dois enquanto ele LITERALMENTE agonizava entrou pra história apenas pela infâmia de ter mandado um "fica pra próxima" pro filho de Deus.

Aí eu fiquei com isso na cabeça.

Corta pra umas duas semanas atrás. 

Fui chamado pra passar um tempo presencialmente no trampo que, normalmente, faço remoto. Já tendo terminado o que tinha pra fazer e PUTO por estar lá fazendo porra nenhuma, rascunhei um roteiro sobre a curta saga do terceiro homem crucificado lá no monte Gethesemane.  

E em seguida, fiz um sobre um sujeito com fobia social no meio do olho do furacão que foram aqueles primeiros meses do COVID e o medo que dava em botar o pé pra fora de casa.

Dois rascunhos de roteiro em menos de duas horas. 


....tem gente que só funciona na base do ódio, né? Caraio...


Ainda tô burilando os negócios antes de fazer....bom, algo com eles. Talvez eu vá caçar desenhista, talvez eu só poste aqui e foda-se. Mas tá sendo uma experiência divertida. 

Eu não escrevo histórias "minhas minhas" mesmo desde os 8 anos de idade. Meu professor da terceira série, o seu Carlitos, costumava dizer que eu tinha jeito pra coisa. 

De lá pra cá, é o que vcs sabem: eu prefiro ficar brisando em cima das artes dos outros. A tal "crítica" que eu sempre fiz questão de deixar claro que eu NÃO faço pq, né? Eu nunca partilhei da filosofia do Zé Wilker de que ele era especialista em cinema só pq viu mais de 4000 filmes. 

Só recentemente que eu peguei uns livros de crítica de hqs e linguagem dos quadrinhos (salvo quando precisei desse tipo de teoria na época do meu TCC). 

Mas é isso. Talvez role um dia gibizinho meu. Talvez não. Mas confesso que, uma vez que tu dá o start no negócio, começa a brotar idéia pra outros projetos. 

Eu nunca quis ser roteirista pq, afinal, eu sou um control freak. Se não é pra eu fazer 100% do projeto e sair exatamente como eu tenho na minha cabeça, eu só não faço e pronto. Mas agora, confesso que bateu aquela vontade de pelo menos tentar.

Pode ser que eu faça o grande romance gráfico latino americano. Ou pode ser que tudo isso termine na grande biblioteca do Lucien de obras jamais concretizadas. 

Mas enfim....

sábado, 1 de outubro de 2022

 No caminho pra Avaré (depois de dois anos achando que toda e qualquer ligação telefônica recebida era alguém me avisando que meus pais tinham sido vítimas fatais da Covid) eu vi uma imagem daquelas que deixam pateticamente claro o quanto a gente está numa distopia e o quão tudo está errado e, provavelmente, quem ainda nega isso é alguém severamente iludido ou parte da meia duzia se beneficiando com o caos: onibus saindo de SP, passando ao lado do rio Tietê. Ao redor, barracos improvisados com materiais à mão. De fundo, a loja da Havan, aquele tumor em forma de cafonice e colunas gregas.

E em primeiro plano, outdoors anunciando o novo projeto de casas de luxo em Alphaville, com imagens de pessoas jovens e sexy jogando tênis, nadando e coisas do tipo. 

Pq o roteirista do pesadelo distópico no qual atualmente vivemos não é um artista particularmente versado nas belezas da sutileza. 

segunda-feira, 1 de agosto de 2022

Nada a ver com nada, mas...

Eu acredito ter morrido pela primeira vez antes mesmo de completar meu primeiro aniversário. Diz minha mãe, única testemunha dos eventos a serem descritos, que um dia ela seguia a vida normalmente, quando escuta um BUMP ao longe. Sem nenhum som a seguir, ela ignorou o que ouviu e continuou com seus afazeres.... até vislumbrar o resultado do estrondo. De acordo com ela, alguns segundos depois um bebê - como vocês podem deduzir, o pequeno hak the bear - adentra o quarto, engatinhando. Um sorriso no rosto e um filete de sangue descendo da testa. Segundo mamãe, o que ocorreu em seguida é uma sequencia de eventos amorfos, como é típico de situações de trauma e grande impacto emocional.

Pra ela, claro. Pq, segundo ela, eu seguia tranquilo. A calma de um bebê na primeira infância, inabalado pela torrente de sangue que macabramente banhava meu corpinho não tão miúdo (nasci com 5 quilos. Um pacote de arroz, basicamente). 

Pausa: quando eu digo que eu "morri", não quero dizer que eu literalmente faleci. Não é uma daquelas circunstâncias em que eu digo algo supostamente chocante pra parecer que eu tive uma vida mais interessante do que ela realmente foi. 

O que eu quero dizer é o seguinte: vamos supor que o multiverso exista e que cada decisão que eu tomo gera um novo plano de realidade. Vamos, nesse exercício hipotético, supor que exista uma infinita rede de dimensões para cada decisão tomada e não tomada, não só minha, mas de todos nós.

É razoável, portanto, deduzir que existe uma dimensão em que o pequeno Daniel decidiu virar a direita ao invés da esquerda, ou decidiu ficar no lugar, parado, admirando curiosamente o liquido vermelho que descia da sua testa aberta. Então, deve existir um plano dimensional em que minha mãe achou o corpo do pequeno ursinho depois dele, silenciosa e calmamente, ter sangrado até a morte. 

Daí pra diante é um pulo: aos 17 anos, seguindo pela subida de terra batida pela qual eu tinha que passar pra ir pra casa, eu pisei em falso e a seguir, tudo virou uma imagem borrada. Racionalmente, eu sei que eu segui rolando pelo declive próximo e caí em queda livre por uns 3 metros até o corregozinho ao lado da linha de trem que tinha ali. A água e a lama amorteceram minha queda e eu saí com uns machucadinhos mas nada muito sério - o único dano real foi no meu orgulho, já que algumas pessoas testemunharam o acidente. Mas, novamente, existe um plano dimensional em que eu caí uns dois metros pra direita, em cima dos trilhos do trem e provavelmente abri meu crânio. R.I.P Hak The Bear.

Anos mais tarde, durante minha passagem pelo RJ, eu saí da casa onde estava, depois de um comentário infeliz da pessoa que me hospedava e fui, magoado e precisando de distância, caminhar pelas noites de Niterói. Nada aconteceu. Mas neste plano dimensional. Porque em algum outro....

Mais tarde ainda: talvez, na noite em que fiquei preso no banheiro da pensão em que morei em meus primeiros anos em SP e tive que subir na privada que estava solta, pra poder chegar na janela e pedir pra alguém abrir a porta por fora, o vaso mal chumbado tenha cedido aos meus mais de 100 quilos e eu tenha desabado junto com ele. Ou da vez em que eu quase fui atropelado ao atravessar fora da faixa e quase colidir com um carro em alta velocidade, eu tenha dado aquele passo um segundo mais tarde.

Ou pode ter sido ainda mais estupido. Quando tentei trocar a fiação do chuveiro com a eletricidade ligada. Quando não reagi aos dois assaltos que sofri na vida. Quando tive uma infecção na perna em 2013. Eu quase morri vitima de septicemia. Mas, em um plano dimensional adjacente, talvez Hak não tenha QUASE morrido. 

É bizarro pensar que eu sou não apenas a versão "mais sortuda" minha que existe (pelo menos, no presente momento), mas que eu também deixei uma pilha de corpos - todos MEUS - atrás de mim. E no entanto, eu sou uma das versões que conseguiu cruzar a fronteira dos 40. E a cada dia, deixa uma versão sua pra trás. Vítima de acidente, doença ou que apenas, em todas as vezes que pensou "pq não simplesmente se matar?" não conseguiu uma resposta convincente pra faze-lo seguir mais um dia. 

Descansem em paz, HakS The BearS. Que a fortuna e sorte que vocês não tiveram siga comigo e que eu ainda tenha um bom tempo antes de me juntar a vocês e virar assunto do blog de um outro Eu. Versão minha que, não só sobreviveu a o que quer que tenha finalmente me mandado pra vala, mas ainda tenha tido leveza de espírito para escrever sobre.

quarta-feira, 25 de maio de 2022

Ontem eu tive minha segunda reunião formal no trampo. O que significa, neste caso, "ir na maior estica". 

Eu até tenho roupa pra isso. Casaco bonitinho, camisa e calça social. Sapato e tudo. Diabos, eu sou um senhor de 42 anos, isso nem deveria vir como uma surpresa.

Mas isso posto, eu ainda me sinto como uma criança usando o casaco do pai escondido. Não literalmente, vejam bem. O negócio cai perfeitamente em mim. O que minha mãe não me deu de bom berço, me deu de bom gosto. Mas embora eu fique alinhadinho e tals, eu sempre acabo me sentindo assim: 



O lance é que eu não sou o tipo de pessoa que se sente confortável usando roupas desse tipo. Nunca fui. I'm a mothafucking gangsta*, ya know?

Mas aí, eu lembro de meu pai, que tem uma frase sobre "esperteza é saber quando tu pode parecer fuleiro e quanto tu tem que parecer dinheiro". Bom, ninguém vai dizer que minha mãe botou um filho otário no mundo. 

*No, I'm not. Eu sou a coisa menos gangsta do universo. Eu sou uma porra de um leite com pêra criado a base de bolacha tostines, gibi da marvel e toddy forte. 

terça-feira, 24 de maio de 2022

 Vendo videos no youtube enquanto trabalho pq eu adoro o ruído branco que rola. Acabou de passar aquela propaganda da CCXP 22 do sujeito sentado na sala dele, de pijama, em posição fetal, esperando os ingressos do evento chegar e....


dude, que parada creepy. 

Eu confesso que eu sempre tive certa antipatia pela CCXP. Pra mim, a idéia de pagar uma fortuna pra entrar num evento onde eu vou, majoritariamente, gastar dinheiro, é meio incompreensível. I mean, ninguém exige que eu pague um rim pra entrar no shopping tatuapé, sabe? Mesmo motivo pelo qual eu peguei certa antipatia parecida pela Fest Comix. 

Eu sempre fui meio que um lobo urso solitário então, já podemos tirar o aspecto "social" do evento como um atrativo pra mim. E eu não pagaria pra ficar o dia todo em uma sala, sentado, pela perspectiva de em algum momento ver um painel com um determinado artista que eu gosto nem sob a mira de uma arma. 

Restam os tais descontos do evento, das paradinhas que vc pretende comprar lá dentro. Mas, lembremos, vc PAGOU pra entrar lá. A menos que os descontos sejam INSANOS, não compensa o valor da entrada. 

So..... Prefiro esperar a muvuca e só....ya know... ir nas lojas normais e pegar o que eu quiser. I mean, eu posso entrar e sair da Ugra Press ou da Limited Edition, ou de qualquer comic shop aqui em SP sem pagar um valor insano. Olha só que mágico, posso até entrar e sair de lá várias vezes sem ter que pagar de novo ou ter que mostrar um bracelete ridículo para tal. Só vi vantagem aqui. 

Não criticando a existência do evento em si ou quem goste dele. Mesmo quem esteja esperando pelo negócio com um nível saudável de ansiedade. Principalmente depois da pandemia e tals.

Mas aquele comercial que foi o gatilho desencadeador desse texto? 

So. Fucking. Creepy!!!!

 Eu realmente não gosto do twitter. O que pode ser surpreendente pra qualquer pessoa que veja meu perfil na página, já que parece que eu passo 90% do meu tempo consciente por lá. Mas, de fato, eu realmente não gosto do twitter.

Eu não gosto do Instagram. Ou do Youtube. Mas aqui é mais como "produtor de conteúdo". Aspas pq, afinal, auto-consciência é um conceito com o qual trabalhamos aqui neste blog. Eu não gosto de produzir conteúdo que, afinal, não é meu e alguém pode tomar de mim assim que achar conveniente para ele. 

Pode parecer que eu estou soando como o, mais grossas aspas ainda, "artista" que não quer se adaptar aos novos tempos e novas tecnologias. Mas isso aqui? Essas letrinhas dispostas em uma sequência engenhada por mim? Isto é 100% meu. Talvez um dia o blogspot.com mude suas regras do que é aceitável ou não postar aqui. Aconteceu uma vez, na época do blogspot.com.br. Mas aqui AINDA é um terreno mais seguro do que o que me é oferecido em qualquer outra grande plataforma de geração de conteúdo. 

O surgimento do substack é meio que um sinal de que este velho urso não está tão errado nas suas impressões sobre todo esse "jogo" do qual fazemos parte aqui. Teu conteúdo é teu. E se eu gosto dele, eu te pago diretamente. Simples assim. Praticamente um retorno aos tempos do artista passando o chapéu ao final de uma apresentação. 

De certa forma, eu já ganho dinheiro com meus textos, ainda que não da forma que eu gostaria (mas, enfim, concessões). 

Talvez eu esteja romantizando o substack um tiquinho. Deus do céu, espero não estar soando como os cripto dudes tentando evangelizar pessoas sobre como NFTs são o futuro e tals. 

Enfim, não sei se eu tenho um ponto. Mas o fato de que, depois de meses e meses, eu esteja escrevendo aqui e começando esse texto sobre como eu estou meio exausto de jogar conteúdo no facebook e instagram quando eu poderia estar fazendo isso aqui, talvez esse seja meu ponto em si. Ou não. 

Bom, algum comprometimento vai ser necessário. A quantidade de views em meus textos é, tipo, 5 vezes maior quando eu anuncio postagem em alguma das demais redes sociais acima mencionadas. Então, não vai rolar o rage quit que eu adoraria fazer e talvez, anunciar ao final dessa postagem.  Mas sei lá... tudo isso começou comigo meio que falando quase sozinho, berrando em cima de uma caixa virtual que eu decidi pegar pra mim, uma década e meia atrás. 

Back to basics, maybe?? Keep it real, como diria Paper Boi. 

Ninguém vai me dizer que eu não estou tentando, dudes. 

quinta-feira, 2 de julho de 2020

nada a ver com nada, mas....



Acho.....que o último filme de super heróis que vi foi "Avengers: Endgame" (que eu, sempre que vou escrever sobre, insisto em chamar de "Ultimate". O processo é sempre o mesmo: escrevo, bate a dúvida, vou no google e vejo que estava errado. Sim, é o "evento" cinematográfico de uma geração, mais de uma década de concepção. E eu mal consigo lembrar do nome). Teve "BrightBurn", não teve?
Aquele foi um filme de heróis legal. Antes disso teve "Spider-Verse". Meu favorito de todos que eu já vi e o motivo pelo qual eu comemoraria a notícia de um cancelamento dos longas em live-action da Marvel e sua substituição por animações em 2D e 3D como se meu time tivesse ganho a final do mundial de interclubes. Claro, fosse eu um fã de futebol. Nem sei do que estou falando. 
Comemoraria como se meu wrestler favorito tivesse se tornado campeão mundial dentro da empresa na qual se consagrou. David Starr na OTT.... claro... antes de.... vocês sabem. #exposed.
Inclusive, quão desconfortável pra mim é lembrar que David Starr vs Jordan Devlin era minha top luta de 2020 e já era certeza na cabeça da minha lista de melhores do ano?
Dois mil e vinte em versão resumida, imagino. Mas divago.
Enfim, eu adoro Spider-Verse. E eu adorei Birds of Prey, filme que vi, finalmente, na semana passada. Não vou entrar no mérito de explicar o roteiro aqui porque quero acreditar que os senhores pertençam a um dos dois grupos: ou são fãs de filmes do tipo e já viram e reviram a obra várias vezes. Ou odeiam filmes baseados em quadrinhos, o que significa que vocês não se importam com isso.
Meu ponto é: Eu vi Birds of prey. Aliás, "Birds of Prey and the fantabulous emancipation of one Harley Quinn". Que depois foi reduzido pra "Harley Quinn and the birds of prey", pq é nesse tipo de mundo sem graça que a gente vive. 
Adorei o filme. Longe de ser perfeito. É outro que cai na minha triste teoria de que filmes de hqs são excelentes filmes, mas sempre desabam quando lembram que são filmes de HQ. Quando precisam abraçar os tropes e os elementos típicos dos gibizinhos. Porque, afinal, como eu sempre bato, uma coisa é uma coisa e ...bom, vocês sabem.
Adorei as cores, a grandiloquência, a auto-consciência de não se levar a sério demais. Adorei até personagens os quais eu normalmente não gosto. A Canário tem seus momentos. E se for pra adaptar a Caçadora pras telas, ainda bem que escolheram uma atriz como Mary Elizabeth Winstead. 
A trama sobre independência e a tal "emancipação". O filme é da Harley, né? Dela e de suas hienas.
Odiei apenas, como dito, os momentos super. Tá a ação acontecendo e a gente lá, hipnotizado. 
Bala voando em proporções que fariam John Woo abrir um sorriso imenso.
Aí, lembram que a Canário tem poderes e o usam num Deus ex Machina nunca mencionado nem antes, nem depois desse momento. E ao final, as personagens aparecem usando seus superuniformes.
Que. coisa. brega. Mas até aí, por mais densos que sejam os filmes do Batman solo, sejam os do Christopher Nolan ou os mais recentes dirigidos por....bom, quem se importa?...., ainda é uma história de tragédia, dor e ressurgimento das próprias cinzas protagonizadas por um milionário vestido de morcego. Um ninja, bilionário que leva o horror aos corações covardes e supersticiosos dos criminosos enquanto usa orelhinhas de gatinho. 
Acho que vocês pegaram a idéia. 
Enfim, tem seus defeitos. Mas são momentos tão curtos que não afetam a experiência em si, essa sim, absolutamente satisfatória. Até animei em ver mais coisa com a Harley, sejam suas hqs solo, seja sua série de animação. 
Por hora, adiciono esse filme na minha extremamente curta lista de filmes de super-heróis live-action recentes dos quais gosto. Mas assim: gosto MESMO. Lista essa onde constam "Thor: Ragnarok", "Iron Man III", o último filme dos Vingadores e "Black Panther". 
"Birds of prey and the emancipation of one Harley Quinn". Uma viagem lisérgica e extremamente divertida. 
E cujo título, aliás, eu lembrei de cabeça, sem necessidade de googlar. Mais de 40 caracteres. Mais que o dobro, pra efeitos de perspectiva, de "Avengers: Ultimate Endgame"
Falemos de impressões duradouras aqui.... 

quinta-feira, 25 de junho de 2020

nada a ver com nada, mas...

Licença poética é o cacete. Eu SOU velho o suficiente pra ter feito curso de datilografia. CHUPA ESSA!!!
Quando eu paro pra pensar, escrever é uma das poucas constantes na minha vida.
Eu comecei a ler muito cedo, graças a minha mãe. Dois orgulhos: ter aprendido a ler com gibis, aos 4 anos de idade. E poder encher o peito e dizer que eu não devo isso à escola. 
Acho que nunca escondi que minha relação com a escola sempre foi extremamente tensa. Meus primeiros bullyings (que nem tinham esse nome na época), passando por momentos de certo destaque e chegando à posição - permanente, deve ser dito - de não dar meia foda pra todo o processo. Então, fico feliz que ler, habito que me define, não seja algo que me force a ser grato a uma instituição pela qual não tenho o menor carinho. 
Escrever, no entanto, me obriga a ser humilde. Aprendi na primeira série, aos 6 anos. Nunca gostei, admito. Minha caligrafia é horrorosa. Mas tomando pela memória, seja de forma literal, seja de maneiras menos diretas, eu venho criando histórias por minha vida quase inteira. 
Lembro que aos 9 anos, consegui certo destaque na minha classe por causa de algumas histórias cujos temas eram sugeridos pelo meu professor. Uma redação em especial, sobre um romance entre a Terra e o Sol, renderam elogios que me são memórias carinhosas ainda hoje. Com o estímulo, veio certa empolgação.
Infelizmente, já no ano seguinte, minha personalidade tímida fez com que o professor de redação me visse como o "coitado" da turma e meus textos eram recebidos com certa condescendência. Mesmo sem conhecer esse termo, eu "sentia" seu significado e ficava puto com isso. Soma-se a isso o irritante hábito dele de deixar o caderno corrigido em cima da minha carteira, o que dava margem pros colegas de sala - e o termo é utilizado aqui de forma genérica. Eu odiava todo mundo ali - lerem minhas mal traçadas palavras e transformarem aquilo em escárnio. Só joguei a toalha.
Pra além disso, só quando escrevia tramas épicas enquanto brincava com minhas tartarugas ninjas, quando arriscava tentar desenhar (pq fã de quadrinhos sempre termina mordido com esse bichinho de querer criar o seu, em algum momento) ou, filho único, quando falava sozinho e tinha altas discussões sobre a vida, o universo e tudo mais com meus interlocutores imaginários. 
No entanto, em 99, meus pais me deram meu primeiro computador. Daí pro primeiro blog foi um pulo.
E nunca mais parei, desde então. Durante um período sem internet por causa de um defeito no meu monitor, me vi tão desesperado querendo escrever que, pela primeira e única vez nessas 4 décadas, esbocei um diário físico. Mas claro, ao invés de narrar meu cotidiano, eu contava histórias de meu futuro. Um diário das coisas que viriam.
Salvo a permanência de UMA pessoa, obviamente o jovem Hak errou todas as previsões. Aquele futuro virou o sonho fantasma de uma versão minha que não existe mais. Dias de um futuro esquecido, de fato. 
Eu tenho certo prurido em admitir que o que eu faço são histórias, já que na maioria esmagadora das vezes, eu prefiro resenhar o que eu leio e/ou assisto. Mas, na real, ainda são pequenas narrativas contando a história de Hak, the Bear e como tal livro, gibi, game, filme ou série mudaram sua vida, suas idéias e sua visão de mundo e pq, talvez, tais obras vão mudar as de vocês também.


Esse texto é menos, ao contrário do que pode parecer, um arremedo de crise de meia idade nostálgica e mais uma reflexão surgida a partir de outras. Eu sempre quis lançar minha voz pro mundo mas sempre achei que eu não tivesse talento absolutamente algum. Só recentemente eu me toquei que eu não faço tão feio quando digito palavrinhas em sequência. Gostaria de ter tido essa reflexão uns 20 anos antes, mas tudo bem. Amo minha jornada até aqui e tudo que ela me trouxe, de bom e ruim. 
Tenho lido sobre fanzines, sobre como roteirizar quadrinhos. Talvez eu tenha ambições de criar algo com a minha voz de fato? Não sei. 
No momento, eu não sei de nada.
Só sei que, o que quer que aconteça, espero que me renda bons textos. 

terça-feira, 23 de junho de 2020

O novo normal

Há pouco mais de uma semana eu tive não apenas que quebrar a quarentena, mas de me jogar num dos pontos mais concentrados de gente aqui em SP. 

...

...

Okay, eu entendo se já tiver gente desistindo deste texto. Esse geralmente é o começo de artigo que você espera vindo de um blog negacionista, daqueles que dizem que o COVID-19 é apenas "uma gripezinha". Que é "coisa da esquerda". Que (insira sua doença favorita aqui) mata bem mais. #forçafeefoco

Mas sério, ursem comigo: não vou entrar em detalhes em excesso aqui, mas tive que ir pra Santa Ifigênia, bairro de lojas de produtos de tecnologia famoso aqui da capital. Se tu precisas de itens de informática, jogos e tudo relacionado a essa área, lá é o lugar pra ir. Precisava de uma bateria de notebook. Sim, lojas online foram pesquisadas. Não, não dava pra pedir online, já que as taxas de entrega eram abusivas. E se os senhores se lembram, eu ainda sou um homem desempregado. E o computador pedindo por uma bateria nova era justamente o usado pra trampos aqui em casa. 
Enfim, este era o cenário. Sem opções, peguei as roupas mais grossas que tinha, minha máscara, meu tubinho de álcool gel. E fui. 
Não, eu estou fazendo parecer que esse foi um processo fácil. Não, não foi. Sair de casa pra qualquer coisa, nos últimos 90 dias não é um processo fácil. Nunca. Saio uma vez a cada 15 dias. Ocasionalmente, se surge uma emergência, vou no mercadinho que fica há uns 200 metros de casa. Mas raramente. 
Sério, eu estou no modo Howard Hughes. Pânico descreve.

Anyway, voltemos ao conto de horror que foi minha incursão em plena pandemia a um dos locais com maior concentração humana desta cidade: armado com as roupas e as armas de 2pac, eu fui.

Uma representação visual bem próxima de como eu sai de casa nesse dia
A ida foi tranquila. Metrô quase vazio, o que é sempre uma coisa ao mesmo tempo confortadora e ligeiramente perturbadora. Menos de 10 minutos, saio pela estação São Bento e vou a pé pelo resto do caminho. 
A estada lá, no entanto, foi bem menos "de boa": fui o mais cedo que deu e chego às 9h40 no local. Mas a pandemia e as leis municipais determinam a abertura das lojas ali somente às 11. Ou seja, mais de uma hora lá. Parado. Esperando. De máscara, com sede e fome mas sem poder tirar pra nada pq vcs ESTÃO LOUCOS???
Tem um vírus matando gente por aí, sabe?
So...... só resta esperar. As 11, as lojas abrem. As gurias donas da loja onde vou estão reorganizando a loja, depois de levarem todo o estoque pra casa pra venda via Mercado Livre. Mais uns 30 minutos até uma delas ir até em casa e pegar a bateria que eu precisava. Volto pra casa.
Metrô igualmente vazio na volta, com nem 1/3 da carga que deveria ter nesse horário.
Entro em casa, direto pro banho. Missão cumprida.

Nesse caminho, no entanto, o olhar vai e volta aos lugares. Fazia tanto tempo que eu não saia de casa de fato, que eu cruzava a linha de 1km daqui do apartamento. Pq afinal, quarentena é coisa séria.
Foi estranho notar que o mundo entrou naquilo que o pessoa da área de estética e computação gráfica chama de uncanny valley. Resumindo: uncanny valley é aquela sensação de estranheza que temos ao ver réplicas humanas imperfeitas. Pensem no personagem do the Rock em "Scorpion King". Nos bonecos digitais de Matrix Revolutions e Blade II. Nas cenas de close naquela animação do Bewulf. Perfeitos, mas com olhos mortos. Algo errado.

Uncanny valley
Bem isso. O mundo pós-corona, pelo menos na parte que cabe do meu quintal, virou um gigantesco uncanny valley. Reconhecível, mas....
Quase todo mundo de máscara nas ruas. Inclusive, vendedores informais tirando o do mês vendendo máscaras. Descartáveis ou de pano, fica como opção pro cliente.
Na saída da mini-galeria onde ficava a loja em que fui, um segurança com um daqueles termômetros digitais portáteis, medindo a temperatura de todo mundo entrando e liberando apenas um por vez. 
A espera lá, até as lojas abrirem, era tensa. Ninguém muito perto uns dos outros. Mesma coisa no trem, como se as pessoas já pensassem em suas posições no transporte em relação a possíveis freadas súbitas, evitando que, nesse caso, fossem surpreendidas encostando umas nas outras. Inclusive, imaginem isso: assentos vazios. Não muitos, mas o suficiente pra chamar a atenção. 
Lojas anunciando horas especiais de reabertura. Restaurantes, apenas com delivery. 
A impressão que dá é que mesmo o pessoal sem máscara parece assustado. Como se sua credulidade estivesse por um fio de ser quebrada. Deus pode ser grande, mas mesmo ele parece assustado sob a sombra de um vírus tão pequeno e tão gigantesco.
Esse é o uncanny valley ao qual me refiro. A cidade tenta voltar ao normal, mas eles ainda não entendem, apesar de num nível subconsciente provavelmente já suspeitarem, de que as noções de normal vão ter que ser redefinidas.
"Normal" implica frequência. Perenidade no tempo. O cotidiano. E elas sabem que o normal que existia pré-virus se foi. Os trabalhos, a escola, as faculdades, o entretenimento vai ter que ser repensado neste mundo de novo normal. Tudo vai demandar um redesenho. Não existe "voltar ao que era antes". Talvez, apenas por um tempo. Talvez, pra sempre.

Old man Burns me entenderia.
Esse texto é só uma crônica. Se vcs estavam esperando alguma reflexão sobre o que nos espera que fosse terminar com um insight brilhante, que tudo acima escrito fosse um preambulo precedido por "mas" ou outra conjunção adversativa e que agora eu fosse dizer algo edificante sobra a resiliência do espírito humano.....bom, a vida é isso, fiote. Um amontado de decepções.
Essa é só mais uma. 
E eu estou no mesmo barco que vocês, senhores. Sem certeza de nada. Sem saber se o chão vai estar adiante esperando meu pé pro próximo passo. Pós-modernismo tornado quase literal. Kali-Yuga. 
Fim do mundo. 
A única certeza: em conversas informais, "nerds" adoram discutir sobre seus cenários distópicos favoritos. Apocalipse zumbi. Mad Max, Matrix. Invasão Lovecraftiana.
Bom.... ninguém esperava que a nossa distopia tivesse a cara que tem. Uma mistura de neo-fascismo pentecostal, crise climática e de saúde. Morte por excesso de capitalismo + uma arbitrariedade da natureza. A roda da História, acelerada por um organismo microscópico 
Nada quebrando o mundo num nível irreconhecível, pelo menos até o momento.
Apenas isso. Algo parecido com o normal. Mas errado. E uma cicatriz formada por, só pra me concentrar aqui no Brasil, 50.000 vidas ceifadas (até o momento). Que vc pode fingir que não vê, mas que vai estar lá, chamando teu olhar, tirando você da zona de conforto. 
Bem vindo ao novo normal. Puxa uma cadeira.

Mas higieniza as mãos com álcool depois. 

sexta-feira, 19 de junho de 2020

nada a ver com nada, mas.....


Que tempos vivemos, não? 
Tempos de trevas mas também tempos de renovação. 
Tempos de catarse. Tempos de derrubada, de trazer o antigo sistema abaixo, de se negar o fechar de olhos diante do que não funciona apenas pq está aí e aí sempre esteve. 
E digo isso não apenas pq vivemos no olho do furacão em que as falhas do capitalismo se mostram mais visíveis do que nunca, mas também me refiro a nível pessoal. Os dois últimos dias foram....complicados, para dizer o mínimo, pra mim, fã que sou de quadrinhos e pro-wrestling. 
Vocês sabem o quanto eu amo o trabalho de Warren Ellis. Eu tenho...tinha... tenho ?..... planos de fazer uma tatuagem de Transmetropolitan quando o futuro e minha condição financeira permitirem. 
E eu já teci loas e loas à David Starr, só pra ficar em um dos nomes revelados numa numerosa - e ainda em progresso, não se enganem - lista de exposed de abusadores de mulheres no cenário do pro-wrestling. Eu sempre admirei seus ideais e o quão vocal e não-apologético ele é a esse respeito.
Mas aí vem a realidade, escondida ou apenas obscurecida sob um véu de "bro code", de um sistema que faz vista grossa às revelações feitas por várias e várias e VÁRIAS mulheres abusadas e....
Não que eu esteja lamentando, longe disso. Ou melhor: lamento sim, pelas pessoas que tiveram traumas por causa dessa cultura de "boys being boys".
Quando essas revelações vem, claro que vc sente que tiraram um pouco do chão sobre vc, afinal, heróis costumam ser porto-seguros, zonas de conforto morais que usamos como bússolas.
Mas ao mesmo tempo, vem um certo alívio de que as coisas estão melhorando e de que os futuros "heróis" vão ter que ser pessoas melhores pq, afinal, não vão poder se esconder atrás dessa cortina de fumaça de complacência e cumplicidade. Que nenhuma pedra siga sem ser vasculhada e nenhuma voz fique em silêncio. E, como disse Sugar Dunkerton, um dos membros do WE the Independent, movimento de sindicalização dos wrestlers e amigo pessoal de David Starr, "se as consequências da verdade for assistir tudo diante dos nossos olhos pegando fogo, que seja".
Ironicamente, este também era o lema de Spider Jerusalem. A verdade, doa a quem doer. Uma sociedade que se constrói em cima de mentiras e segredos não pode resultar em nada perene e justo. 
Um sistema que se permite esse nível de erosão MERECE vir abaixo diante do próprio peso.
Todos os loas do universo às mulheres responsáveis por derrubar tais gigantes de pés de barro. 
Burn it down, ladies.
Burn it down. 

sexta-feira, 20 de setembro de 2019

Plus, em uma nota completamente nada a ver.

Eu só queria dizer que essa interação entre Jack Black e Junior Groovador é uma das paradas mais legais do multiverso e o tipo de respiro que a gente precisava nesse ano de merda.
É o que eu sempre digo: arte sempre vem nessas horas pra salvar o rolê.
Pra não ficar só na notinha, 15 minutos do vocalista do Tenacious D pirando na Disney:

quinta-feira, 6 de junho de 2019

Um recado da diretoria:

desculpem pela ausência de posts nos últimos dias. O curto sumiço se deu em virtude de generosas doses de:


Sério, jesus do céu, eu não tenho mais idade pra isso. Cheguei atrasado pra meu primeiro BoSJ e tirei semana passada e essa pra ficar em dia com os 14 dias do evento que precederam a final, ocorrida ontem cedo. E ainda bem que eu fiz isso. Poderia não ter me enfiado em tal empreitada e ainda teria visto um PUTA evento foda, com 3 main events que já justificariam cada segundo gasto com o show.
Mas eu fui lá e passei horas e horas e horas e horas vendo o tournament em sua totalidade e graças a isso, pude ver histórias em seu começo, meio e fim e pqp, que coisa foda. O arco de Juice e sua jornada emocional que o levou em rota de colisão com Dean Ambrose Jon Moxley. 
O conflito de Robbie Eagles entre assumir o lado bully do Bullet Club ou talvez, bite the hand that feeds him.
E claro, a jornada quase impossível de Will Ospreay, o Dragon Slayer, em derrotar o final boss da divisão de cruiserweights da New Japan: Shingo Takagi. Fora os plots que ficaram em aberto como a rivalidade entre Takagi e o jovem Sho. 
To be continued, com certeza. 

Meu ranking de lutas do evento, sem ordem de preferencia.
Dragon Lee vs Titan 
Rocky Romero vs El Phantasmo
Will Ospreay vs Shingo Takagi
Dragon Lee vs Shingo Takagi
Sho vs Shingo Takagi
Marty Scurll vs Shingo Takagi
Jonathan Grisham vs Shingo Takagi (vejo um padrão se formando aqui)
Yoshinobu Kanemaru vs Sho
Robbie Eagles vs Douki
El Phantasmo vs Will Ospreay

E com relação ao MVP do BoSJ 26... cacete, mano..... Eu consigo ver essa edição do torneio como um momento paradigmático na carreira de quase todo mundo ali. E de fato, todos os personagens dessa bagaça tiveram seu momento de grandeza: Ishimori e os meninos do Ropongi 3k se consagrando, o mundo prestando mais atenção em nomes como Phantasmo, Eagles, Grisham, uma declaração de amor linda à lucha libre mexicana, um começo de jornada para Ren Narita impressionante, uma celebração das gloriosas carreiras de Ryusuke Taguchi e Rocky Romero. E claro, o momento em que Ospreay tomou seu lugar no topo da montanha da divisão de jr. heavyweights da New Japan.

.....MAS......se vcs olharam a lista acima....tem um nome que se destaca dentre os demais. 


Meu MVP, fácil. 
Nunca tinha acompanhado uma edição do torneio em sua completude, apenas visto algumas lutas soltas, aqui e ali. Até agora, obvio. Ano que vem? A data do começo do Best of Super Juniors vai constar no meu calendário oficial de eventos de luta livre obrigatórios, juntos com outros como o Wrestle Kingdom, G1 Climax, o BOLA e alguns outros. 
Agora, voltemos à nossa programação normal pq a vida não é só wrestling e...

"mas tem o Dominion daqui há dois dias"


oh...

"E o anúncio do G1"

......hã.... okay......

Voltemos à nossa programação normal.......... por enquanto. :-)

quinta-feira, 23 de maio de 2019

Nada a ver com nada mas.. ou Como um episódio de seriado me ensinou a parar de me preocupar e aceitar (algum) Deus.

Eu tenho quase 40 anos de idade e acho que me sinto confortável em afirmar com certeza absoluta que nestes quase 14600 dias de vida, eu nunca passei por aquilo que as pessoas se referem como "experiência religiosa" em um templo, igreja, ou algo do tipo. Okay, eu já fui evangélico por um rápido período entre os 10 e os 12 anos mas o percurso que me levou a isso foi menos uma busca por alguma forma de deidade e mais a combinação do puro medo da morte, somado a um pesadelo particularmente sinistro envolvendo o demônio. Aos 12 anos, escolhi o agnosticismo, até pq ateísmo era um termo proibido na casa dos Oliveira Costa. Os motivos que me afastaram do Deus cristão? Bom, digamos que eu cheguei naquela idade em que vc começa a se fazer as perguntas inconvenientes e hey, pra alguns, respostas vagas são suficientemente convincentes. Infelizmente, não eu não estava disposto a acreditar que os dinossauros nunca existiram, com seus ossos sendo um plano bizarro de Satanás para descreditar o criacionismo. Não, eu não estava disposto a acreditar que todas as demais religiões do planeta fazem parte de uma conspiração demoníaca para dominação mundial. E não, eu não estava, nem mesmo aos meus 10 anos de idade, disposto a acreditar que toda a história do planeta girava em torno dos dramas interpessoais envolvendo um cara, uma mina, uma maçã e uma cobra falante. 
De lá pra cá não houve nem o mais remoto interesse em abraçar alguma forma de espiritualidade. Okay, admito que provavelmente, num avião caindo ou com um parente às portas da morte, provavelmente eu vou rezar pra algo. Mas essa relação de conveniência se daria da forma mais prática possível e pra uma entidade sem rosto. A primeira que responder, fecha o negócio. 
Por motivos que são só meus - e continuarão sendo - não nutro particular carinho por nenhuma religião em específico. Antipatia total, só por aquelas que tentam enfiar algum academicismo no meio, como uma forma de querer comprovar cientificamente que seu amigo imaginário de preferência é algo real. Mesmo que tal comprovação seja a negação da fé em sua essência já que fé gira em torno da dúvida, não de certezas empíricas, mas hey, o que diabos sei eu?
Satanismo é legal, mas o lance é mais pra ofender a crentaiada do que uma crença genuína. Recentemente, me vi simpatizando com La Flaquita, La nina de blanco, La mas formosa. Ou, pros íntimos, Santa Muerte. 
Eu gosto dela por dois motivos simples: primeiro, uma santa que é adorada por todo o tipo de gente, dos matadores do narcotráfico mexicano até a tiazinha do taco, é alguém que merece meu respeito. 
Segundo, pq do governo mexicano até o vaticano, ninguém "oficial" vai muito com a cara da Santa. E qualquer entidade que seja mal vista pelas forças "oficiais", me parece digna de atenção, considerando o quanto eu sei como é ser visto como um pária a partir da perspectiva das pessoas "normais". E afinal, quanto tudo é dito e feito, eu nunca senti Deus perto de mim, nunca vi um anjo ou um demônio, nunca testemunhei nada que não pudesse ser explicado como fruto de muita auto-indulgência e certa sugestão exterior. Mas eu já perdi entes queridos. Pra mim, Deus não existe. Mas a morte sim. Então, adoremos aquele ser que já mostrou seu rosto e seu trabalho, por a+b, diante dos meus olhos. 
Enfim.... meu ponto aqui: Não gosto de dogmas, de subserviência, acho que escola dominical é um conceito que só se justifica em termos religiosos por ser uma idéia tão imbecil que deve ser obra do tinhoso em pessoa. Okay?
Okay.



Mas, como o titulo desse texto indica, recentemente me vi repensando a respeito de minha postura a esse respeito. Spoiler alert: não, cristãos, não tô indo pra Bola de neve ou qualquer atrocidade do tipo. Entre os vários e vários e god almighty, VÁRIOS programas de tv que assisto atualmente, um deles, um dos meus preferidos, aliás, é Brockmire, seriado de Joel Church-Cooper e Hank Azaria (tb no papel do protagonista), exibido pela IFC, atualmente em sua terceira temporada. A série, pros neófitos lendo isso, conta o dia a dia de Jim Brockmire, um dos maiores locutores esportivos dos EUA, lenda do baseball, herói nacional........até o dia em que cai em desgraça publicamente, depois de um breakdown em virtude de ter pego sua esposa no flagra com outroS homenS. Ao mesmo tempo. 
Alguns anos mais tarde, depois de um período de volta ao anonimato (onde, inclusive, ganhou a vida fazendo narração de rinhas de galo clandestinas na Tailândia), o locutor tem a chance de voltar à cabine e aos jogos de baseball ao receber uma oferta da dona de um timezinho minúsculo numa cidade no interiorzão dos Estados Unidos. A partir daí, a série é uma lenta retomada de Brockmire à fama e a tudo de bom e ruim que vem com ela. A série é mais uma naquela tendencia de "comédias bad vibe", tipo Bojack Horseman, mas um tiquinho mais light. Daqui pra diante, spoilers pesados..

...

Ainda aqui? Bom, tão avisados.
Depois de duas temporadas onde Jim tentou aliar a retomada de carreira com a retomada de outros tipos de carreiras, só pra nos mantermos em UM dos vários e vários e benzadeus, VÁRIOS entorpecentes apreciados pelo jornalista, ele atingiu aquele ponto do fundo do poço em que enough is enough e foi hora de pedir ajuda. Chegamos à terceira temporada e o sujeito tem conseguido passar pelos steps do programa de reabilitação com certa graciosidade, até atingir aquele que lhe obriga a colocar sua fé em uma força "maior". E o problema é que Jim é tão ateu quanto este que vos tecla.
O que nos traz ao maravilhoso episódio mais recente da série, Disabled List. Matt Hardesty, outrora desafeto do protagonista, agora tem nele seu único amigo, depois de uma vida de excessos e escolhas que o isolaram de todos os demais. O que é bastante inconveniente, considerando que o homem tem um câncer terminal. No leito de morte, ciente da própria finitude, o personagem - vivido brilhantemente por J.K. Simmons, numa atuação que, se há de fato alguma justiça no universo, não passará despercebida pelas premiações anuais - pergunta ao amigo se ele crê na vida após a morte.
Agora, vejam bem: eu sou ateu? Com orgulho. Eu sou ateu ao estilo Rick Gervais? Não apenas a resposta aqui é "Não", como acho esse tipo de ativismo meio babaca, uma versão inversa do realizado pelos evangélicos. Mas mesmo eu teria problemas em admitir isso pra uma pessoa assustada, face a face com o oblívio e usando tal crença como silver linning. Brockmire, no entanto, e incentivado pelo amigo, manda a real. Vamos morrer, não há nada a seguir, e o que resta são apenas nossas memórias naqueles que encontramos pelo caminho. MAS, no entanto, isso não quer dizer que a vida de Matt não tenha valido a pena e, mais ainda, não tenha sido ela, a seu modo, uma celebração religiosa.
Ela foi e o deus deles...foi o baseball. O estádio foi seu templo, a cabine de narração, seu púlpito. A vida dos dois, uma intensa celebração da experiência mística que é a transmissão de um esporte coletivo de massa (e se vcs já viram uma final de campeonato brasileiro, vcs sabem tanto quanto eu que nenhuma igreja nessa vida chega perto daquele nível de catarse e comunhão). 
Matt tem seu conforto antes do descanso final. Jim, sua força maior na qual depositar sua fé e sua vida. 
E eu, por outro lado, também saio com minha cota de transubstanciação dessa experiência. 
Eu não gosto de baseball, apesar de minha camiseta dos new york yankees poder indicar o contrário.
Na real, eu não gosto de esporte nenhum. Até tentei, sem sucesso, gostar de futebol em uma época.
Aliás, curiosamente, pela mesma razão que, durante um período curtíssimo de tempo, ensaiei voltar à ir á igreja, lá pelos 20 e poucos anos, já morando aqui em SP: a vontade de pertencer à um grupo, de fazer parte de um coletivo de pessoas. Aquilo de querer achar o teu crew no mundo, tua família, manja?
Obviamente, ambas as experiencias foram um fracasso. MAS...... isso não quer dizer que minha vida tb não seja uma celebração à uma forma de força maior. Obviamente, eu me refiro à cultura pop e, mais especificamente, ao cinema, aos quadrinhos, a música, os games e ao pro wrestling.

Eu tenho meus templos sagrados





Meus livros sagrados




Meus santos, maiores que a vida...







Via redes sociais, eu tenho, se e quando eu quiser, o lance da experiência coletiva, da comunhão com meus iguais em tais crenças. 


Minhas canções de fé....


No caso dos games, tem até o lance da experiência compartilhada, já que eu conto com Stella ao meu lado pra alguns deles (ontem mesmo, terminamos Gorogoa, e foi de fato, algo mágico, quase espiritual. Da mesma forma quando terminamos os Personas 3, 4 e 5 e quando zeramos Okami). 

Todos os lugares, pessoas, obras e experiências retratados nas imagens acima foram, entre outras, momentos em que eu deixei de apenas ser "eu" e consegui tocar com a ponta dos dedos, aquela coisa sublime e transcendental que alguns entre nós chamam de Deus. 
Killer Mike em seu "R.A.P. music" disse que o hip hop era sua experiencia religiosa. Essas são as minhas. Tinta, imagens, vídeo, som e sangue, tudo isso virando storytelling e convergindo pra magicamente, mudar o mundo. 
Alberto Caeiro dizia que se Deus quisesse que o adorássemos como Deus, ele se mostraria pra gente como Deus. Como ele se mostrava a ele como montanha, floresta e rios, como sol e luar, ele o adoraria dessa forma. Da mesma forma, eu nunca senti a presença de nada dentro das várias igrejas em que entrei. Mas momentos como os proporcionados por um episódio de Brockmire me fizeram conectar com algo muito maior que minha insignificante pessoa. Uma página de gibi. Um filme. Um jogo. Uma música. Um episódio de seriado. Olhei nos olhos de um wrestler prestes a dar seu finisher, de um super herói prestes a se enfiar numa luta pelo destino do universo, de um timelord prestes a desafiar o espaço e o tempo, de um cantor abrindo seu coração e sua alma em forma de palavras e sons. E, apropriadamente aqui, de um narrador de baseball em recuperação. E o que vi me olhando de volta, foram os olhos do Altíssimo. 
"E faça-se a luz".

terça-feira, 14 de maio de 2019

Nada a ver com nada, mas... (uma reflexão completamente solta sobre GoT)


Tô achando fascinante as reações ao episódio passado de Game of Thrones, vcs não? De um lado, galera criticando o desenvolvimento de personagens. Do outro, gente criticando o ritmo da série. No meio, gente no meio do caminho. E em todos os lados, gente falando que os livros vão ser melhores.
Eu? Fico no segundo grupo. Acho que a série cometeu uns pecados meio feios e tomou umas liberdades esquisitas, aqui e ali. Mas nem tanto ao céu, nem tanto à Terra. 
Eu li alguém dizendo que o problema com as reações do fandom é que parte dela acha que é errado pintar a Daenerys como uma pessoa ruim por "N" razões: pq ela foi abraçada como ícone feminista, pq nega a natureza da personagem, pq serve apenas pra "heroificar" Jon Snow e os cacetes. Obviamente isso tudo é bullshit. Ou pelo menos as duas primeiras razões. A terceira, realmente um rumo ruim em todos os aspectos, só vamos saber se é real ou não ao final dos 80 minutos do episódio final da série, a ser exibido semana que vem. 
Quanto ao lance da conexão das pessoas com a Dany: bom.... quem mandou abraçarem o negócio cedo demais? Eu tb, ia fazer até tatoo de Supernatural pq "não tinha como a série ficar ruim". Até o momento em que ficou. 
Sobre a negação a natureza da personagem: bom, nenhum rei presta em GoT. Nem regentes, pra ser honesto. Nem Ned Stark se salva, já que o pecado dele foi a omissão e o fato de querer jogar pelas regras do "good guy". "Temam os sinceros, pois não terão medo de te machucar pra que possam se manter limpos", saca?
Sei lá, confesso achar todo esse processo fascinante, já que desde o fim de Lost não me lembro de ver algo dessas proporções. Talvez, TALVEZ, Breaking Bad, mas fico com minhas dúvidas. 
O ponto é que eu tenho que ser coerente e desde o meu texto sobre Secret Empire, eu defendo essa bandeira: nenhuma idéia é ruim e nenhuma idéia, na arte, deveria ser rechaçada antes de poder ser devidamente executada. O que se pode criticar é a execução. Não o "o que", mas o "como". 
Confesso que eu gosto do rumo que a série tá tomando e, tendo lido até o quarto livro, preciso dizer: tenho certeza que isso é canon mesmo. Vai estar lá nos livros quando - e se - saírem. Pq isso é muito George Martin, manja? A subversão do papel do herói - ou da heroína - e a revelação de que estivemos torcendo pro lado errado o tempo todo. Aliás, antes, disso, que torcer pra alguém no tal do "jogo dos tronos" era errado desde o começo, já que o problema não são e nem nunca foram os players mas o jogo em si. Poder corrompe e poder absoluto corrompe absolutamente. O melhor governante que vcs puderem lembrar, se caçarem, o cara fez algo de ruim que mancharia uma visão mais "moral e ética" dele. Um líder governa pra todos e pra poder liderar, precisa ser apoiado por um monte de gente. Incluindo um monte de gente escrota e isso pq gente escrota tb quer coisas e se articula pra poder pedir tais coisas politicamente. Taí, só pra me restringir à política brasileira, a bancada ruralista, a bancada da bala e a evangélica que não me deixam mentir. São as regras do tal do jogo. Se vcs viram aquele filme maravilhoso, o "Obrigado por fumar", vcs tem uma noção de como isso funciona na política norte-americana. 
A mensagem da série é bem essa, de que poder corrompe. Com todas as falhas do sistema democrático, pelo menos existem poderes regulatórios controlando o principal governante para impedir que num acesso emocional, ele "faça a Daenerys", grite Dracarys e saia tocando o terror. Pessoas são falhas e, num sistema monárquico absolutista, "L'État, c'est moi". O estado É o rei. E reis erram. Já vi também leituras ótimas de como a Khaleesi NUNCA foi uma heroína, reproduzindo a atitude típica de toda nação imperialista que já existiu. 
Enfim, meu ponto aqui é: tô achando maravilhoso ver as reações. No meio da chorumada tipo "não podiam ter feito isso" e "mataram Game of Thrones", tu acha uns textos bem legais - alguns com os quais concordei, outros não - debatendo os rumos narrativos da série. O quanto isso tudo vai ser canon nos livros, não dá pra saber. Quais vão ser os erros e acertos dessas obras, menos ainda (e vale um lembrete: todo mundo fala dos erros da série e não tenho como discordar da maioria das críticas. Só me incomodo um pouco quando vendem os livros como a salvação da lavoura e como são maravilhosos e os cacetes e isso pq a série tomou algumas liberdades bem positivas, aqui e ali, em comparação à fonte original, cortando algumas gorduras, limando alguns personagens desnecessários e ignorando algumas barrigas da escrita de Martin - o que inclui ignorarem quase totalmente tudo que rolou no quarto livro, o que é muito acertado já que o volume 4, o "Festim dos corvos" é fácil, FÁCIL, o maior desperdício de papel que eu já encontrei em minha "carreira" como leitor). Mas, como mensagem, macro-tema da série como um todo, os realizadores da série parecem ir de encontro ao que Martin reserva aos leitores no final do livro seis. 
Citando as hienas do Rei Leão: que morram os reis. 

quinta-feira, 2 de maio de 2019

It started with two men....

One was life....



One was death....



É como na promo do Cena contra o Roman, pro No Mercy 2017. 
Ou na pipe bomb do Punk.
Ou naquela promo linda de Christopher Daniels que antecedeu sua title match contra Adam Cole.
Meu ponto aqui é que esses vídeos tem o poder que tem pq tiram sua força de uma fonte bastante simples: a verdade.
Havia verdade nas palavras que John e Reigns trocaram um contra o outro, do alto de suas posições de "top guy" da companhia. Havia verdade nas palavras do Punk, um desabafo tirado do fundo do peito contra uma promotion que considerava injusta. Havia verdade nas palavras de Daniels, onde o Fallen Angel abria o coração sobre como sua carreira estava mais próxima do fim do que de seu começo. 
E há essa mesma honestidade nas palavras de Cody Rhodes, no segundo vídeo. No final, é sobre enterrar uma era. Vc poderia esperar que ela morresse naturalmente, mas havendo a opção, o lance é meter um tiro na cabeça dela. Hiroshi Tanahashi disse certa vez que as vezes, "eras lutam para não acabar". Elas resistem, batendo, mordendo, unhando, lutando da forma que podem. Mas impérios colapsam, dinastias morrem e eras acabam. Isso vale pro pro-wrestling e isso vale pra todo o resto.
Ulisses é um clássico. Infinite Jest não é um clássico menor.
The Godfather é um dos melhores filmes já feitos. Assim como There will be blood.
Os discos sem nome do Led Zepellin são imortais. Assim como os novos clássicos de gente como Tv on the Radio.
Ashita no Joe é referência. Evangelion tb foi. E agora, One Piece tb é. 
Com todo o respeito, Secret wars pode ter sido uma saga bem bacana, mas ela é eclipsada em quase todos os aspectos pelo evento quadrinhístico de mesmo nome feito 4 anos atrás, encabeçada por Jonathan Hickman. Clássicos são clássicos e são eternos. Sempre vai ter gente criando a partir deles, em cima do ombro de gigantes. Mas pra criar algo novo e tão imortal quanto.
Artistas que só revisitam os tropes do passado são esquecidos, enterrados pelas fontes de onde bebem, essas sim, imortais por méritos próprios. Por isso que movimentos artísticos geralmente tem por característica a negação dos anteriores.  
Referência pela referência, melhor revisitar o passado. Não pra sempre, pra não correr o risco de se perder numa nostalgia com ares de "reumatismo estupidificante" (frase da Ana Maria Bahiana que eu uso de vez em sempre). Mas pra avança-lo, pra rodar a roda da cultura pop pra frente.
Chega de pedir licença na mesa das lendas da arte. O lance é chutar tal mesa, pegar uma cadeira e tomar seu lugar ao lado dos que vieram antes, gostem os "deuses" - e seus adoradores - ou não. 

Also: Dustin vs Cody vai ser incrível. INCRÍVEL!!!!!

sexta-feira, 12 de abril de 2019

Nada a ver com nada, mas...


Enquanto escrevo esse texto, megas e mais megas estão correndo, via torrent, para dentro do meu notebook. Começou pequeno, como sempre ocorre: vi que ia rolar um ep. crossover entre Supernatural e Scobby Doo, o que pra mim, soava um casamento feito nos céus.
Aí eu vi que a série ia acabar na 15ª temporada.
Aí, cereja no topo do bolo, soube que trouxeram papai Winchester (Jeffrey Dean Morgan) de volta.
Aí vou atrás e vejo comentários positivos sobre algumas seasons recentes.
Aí mistura tudo isso....

Resultado: Old man Hak tá tirando o pó do coturno na estante, procurando por suas balas de sal, seus talismãs e sigils de proteção e torcendo pra isso de caçar demônios ser como andar de bicicleta e vc nunca esquecer e tals. Não que eu saiba andar de bicicleta, mas enfim, vcs entenderam.
Depois de uma década* longe de uma série que já foi uma de minhas favoritas, é hora de voltar pra Supernatural.
Parei na metade da sexta. Não, não sou complecionista nem obcecado com isso, posso pular temporadas inteiras sem me incomodar. A base é a mesma. O que tiver mudado, personagens que tenham chegado e pequenas piadas internas, eu pego no caminho. 
Tô baixando a season 11 (pq é bem elogiada entre os fãs), a 13 (a do episódio com a Scooby Gang) e o que tem da 14ª. Se eu gostar, comento aqui com vcs, ímpios. 
"Let's hunt again, boys". 

*Caralho, esse texto tem DEZ FUCKING ANOS. E, na moral, eu melhorei bastante "enquanto escritor", não?

....

...

I'm waiting, motherfuckers!!!!!

quarta-feira, 6 de março de 2019

Tamanho feminino


Tudo começou com uma viagem informal e totalmente casual ao shopping mais próximo aqui de casa, o Aricanduva. Andando por lojas e mais lojas - e estamos falando do maior shopping da América Latina e quinto maior do mundo - passo na frente da C&A e vejo camisetas emulando o uniforme da Capitã Marvel. Dou uma rápida comentada com minha parceira de crime, Stella e ela fala pra eu nem animar que com certeza só tem pra mulher. E, de fato, as camisetas estavam no setor feminino da loja. Okay, segue a vida, segue o jogo.
Ontem, conversando com minha coruja sobre o ocorrido, ela me diz que eu deveria ir na loja e escrever no blog a respeito. E a idéia fica cutucando no fundo do cérebro, some, volta, vai dar um rolê rapidão, reaparece com força. Até que, decido que isso rende pauta e portanto, merecia certo despêndio de energia e $$$. 
So, sem mais delongas, no seu décimo primeiro ano de vida, o blog vai, pela primeira vez, à campo em missão oficial: conseguir uma camiseta GG da Capitã Marvel e descrever a experiência.



Mas antes, para efeitos de parâmetros e transparência: sim, eu sei que eu poderia mandar fazer uma camiseta com a estampa desejada. Sim, provavelmennte é facinho achar o item numa googlada ou buscando no mercado livre. Sim, lojas como o Studio Geek seriam estupidas se não pensassem na tonelada de dinheiro que farão vendendo algo assim para ambos os gêneros. E sim, eu imagino que em 20 minutos na galeria do rock, o problema estaria resolvido. 
Mas eu escolhi esse shopping pq eu queria saber o quão difícil (ou não) seria conseguir um produto oficial, licenciado, inspirado na heroína mais poderosa do universo Marvel.  Eu lembro que fiquei puto com o quão limitado era o leque de opções se eu quisesse comprar merchandising oficial da Mulher Maravilha, na época do filme. Camisetas, só pra meninas. Brinquedos oficiais até tinham, mas eram umas bonecas toscas e uns itens tipo "colorindo com a mulher maravilha" que, na real, empalideciam do lado dos brinquedos "pra meninos" na prateleira da RiHappy (e retomo esse tema mais tarde)
Ainda pra efeitos de contexto: não é que eu tinha apenas que achar uma camiseta masculina da personagem, mas uma que servisse em mim. E quem me conhece, sabe que eu não sou um homem de medidas humildes. Nope, eu sou um homão. Não pelos meus feitos. E não, como diria minha avó, pela minha boniteza. Mas pq que eu sou uma porra de um homem de 1,91m de altura e mais de 100 quilos de puro ódio, amargura e frustração. Camiseta, pra mim, é de GG pra cima. e, convenhamos, roupa pra gente dessas dimensões é um trem difícil de achar, mesmo considerando que falamos do publico "nerd", que é comumente visto como gordo e os cacetes. Mas enfim, é isso.
Tb, pra efeitos deste pequeno experimento, preciso admitir que ir em apenas UM shopping não é um exemplo de amostragem grande o suficiente pra chegar a fatos conclusivos, mas é o que tem pra hoje. E, de novo, maior shopping da América latina. E um dia antes do filme protagonizado por Carol Danvers estrear. 

So, ônibus tomado, desci no centro de compras e fui bater perna atrás da peça de vestimenta, decidido a não voltar pra casa sem ela. Sabia, na pior das hipóteses, que ia achar na C&A, então, já tinha na idéia que essa pequena aventura não iria terminar num anti-clímax, comigo voltando pra casa de mãos vazias. Mal sabia eu.



Primeira parada, pernambucanas. Tem o que eu chamo de "setor nerd" grandinho, mas nada de roupas licenciadas do filme. Idem na Marisa residente no local. Apenas por curiosidade, decido circular pela loja e procurar por elementos que pudessem contribuir para conclusões ao final dessa jornada e, de fato, em ambas, tanto no setor adulto quanto no infantil, tu achava certa variedade de coisas. Muito Harry Potter, Vingadores pra caralho e bastante Star Wars. Alguns exemplares tímidos de roupas com estampa da liga da justiça. Da DC, mais numerosas eram as roupas com imagens do cavaleiro das trevas de Gotham City. E hey, quem não tem Carol Danvers caça com Diana Trevor, então, fui ver se achava coisa da Mulher Maravilha e até tinha coisa relacionada à princesa de Themyscira.

Mas só pra menina. E preciso dizer, pra meninas de dimensões BEM humildes.. PP, P e M, no máximo. Começou a bater a frustração de que a missão ia ser mais difícil do que pensava, inicialmente, mas bora que a noite é escura e cheia de horrores.
As duas próximas são a Renner e a Riachuelo. Aqui, preciso dizer que havia mais um impeditivo, já que eu não pretendia comprar na Riachuelo mesmo que tivesse a camisa lá, em virtude das acusações de trabalho escravo associadas à empresa. Por sorte, no entanto, apesar de uma área "geek" (ugh) muito bem fornida, tb não encontrei a indumentária lá, apesar de um dos estandes de roupa do estabelecimento ter um anunciozinho lembrando do lançamento do longa. A Renner foi fonte de igual frustração. 
Preciso dizer que, apesar de não lograr sucesso na empreitada, até então, pelo menos vi que tinham peças do Pantera Negra, o que eu achei bem legal. Não podia comprar, não apenas pq tinha foco na missão mas tb pq sou um homem desempregado e, portanto, com dinheiro contado pra estripulias do tipo. Mas era a Capita Marvel, uma de minhas personagens favoritas da vida, é sua primeira incursão nas telas de cinema, é representatividade, o sucesso do longa significa um bando de fanboy gordo granudo putinho nas interwebz, então, tudo isso somado, a causa é justa e vale um pequeno sacrifício. 


No entanto, isso já vai uma horinha de caminhada e tá batendo certa fome, bora pro Jin Jin, pq, afinal, como eu disse, to desempregado então, precisava de um lugar bom e barato. Foda-se, a comida lá é boa e eu faço merchan de graça mesmo. 
Mais uma pequena pausa pra dar uma olhada nas livrarias locais e, novamente, vem certa frustração. Porra, tamos na semana de lançamento do filme e não achei quase NENHUM gibi protagonizado pela personagem. Então, tipo, levo meu filho e/ou minha filha pro cinema pra ver o filme. A pirralhada curte e sair convertida como fã. Aí, os piás me pedem um gibi dela e.....nada? Serio mesmo, Panini?
Okay, sejamos justos: na banca que tem lá, uma perto do Extra na área norte do shopping, tinha o primeiro número de a vida da Capitã marvel de Margaret Stohl e Carlos Pacheco. Parrudinho, com mais de 100 páginas, até baratinho, uns 20 conto e um bom material de introdução ao universo da personagem. Mas só. Na Livraria Curitiba que tem ali, mesma coisa. Só havia algo relacionado à heroína na forma do encadernado brasileiro do Marvel Legacy, série que mostra as versões modernas dos heróis encontrando suas contrapartes clássicas e que tem uma história da Carol tendo uma aventura lado a lado de Mar-vell, o Capitão Marvel original. Mas só.




Só pra vcs terem noção das coisas, a área da mesma livraria, só com gibis da Mulher Maravilha, era gigante, com uma pá de encadernado e até mesmo uma cópia do livro oficial com a arte do longa da Diana. Mas da Capitã? Nada. Bom, não vou reclamar pq, pelo menos, tinha vários exemplares de encadernados estrelados pela Kamala, a Ms. Marvel.  Algum espírito insólito procurando por algo da personagem que protagoniza o filme que estreia amanhã, dia 7 de Março, aqui no Brasil, e que não manje muito do universo Marvel pode acabar pegando algo da Kamala apenas por ter Marvel no nome e virar fã. Vai que né? Copo meio cheio e tals. Mas enfim, fica a reclamação. 
Voltemos à nossa missão original. Já frustrado por não ter achado a tal da camisa, decido concluir a jornada e finalmente ir pra C&A, quando passo na frente da RiHappy e vejo que tem uma areazinha reservada à Vingadora. Depois de uma rápida olhada, entro na loja e vou atrás, esperando encontrar bonequinhos, dioramas, mascaras e o cacete e...... nope.
Vejam bem: mesmo o fanboy mais fanático, mesmo o marvete mais bitchzinha do Kevin Feige que existe, mesmo aquele gordo granudo de 40 anos que mora com a mãe e tals, mesmo ESSAS figuras vão ter dificuldades em defender Spider Man: homecoming. As melhores criticas chamavam o filme de medíocre pra baixo. E isso, vejam bem, num mundo pré Spiderverse. Pois então. A área de brinquedos de Homecoming, filme de 2017, era, no mínimo, o TRIPLO do tamanho do espaço da Capitã. Área essa que consistia em 3 itens: uma pulseira inspirada nas usadas pela personagem, um quebra cabeça de 100 peças reproduzindo o poster da película e uma fantasia pra crianças entre, aproximadamente, 5 a 8 anos. 



E só. Mano, eu sei que não é culpa do atendente e tals, eles tão lá só pra ajudar, mas eu TENHO, nesse momento, que chegar em alguém e perguntar.
Acho um rapaz nas proximidades, mando um amigável "bom dia" e emendo com: "Amigo, essa fantasia da Capitã Marvel só tem pra menina?"
Surpresa nenhuma, a resposta é "sim".
Pensei em perguntar pq, se não tinha pai de meninos procurando, se ele não tinha curiosidade em perguntar pq pra chefia, se ele não pensava que isso era uma faceta de todo um sistema misógino estrutural parasitando nossa sociedade tal qual uma remora faz com um tubarão e se ele não se sente tolhido em seus direitos, mesmo sendo homem, aprisionado dentro deste secular sistema de coisas.
Mas, tendo um mínimo de bom senso, tudo que eu faço é mandar um "obrigado" pro rapaz, virar as costas e sair de lá. 
C'mon, guys, o rapaz tava cansado, desmontando enfeite de carnaval, arrumando coisa. Até parece que é culpa dele a estreiteza de visão dos responsáveis pelo merchandising e lançamento de material licenciado da Marvel. O cara tava lá só correndo atrás do dele, fazendo o que pode, então, não vou encher o saco de gente que não tem culpa de nada. 
Já de mau humor, vou direto pra C&A, disposto a acabar com essa pequena saga e voltar pra casa. Mas aí vem a vida e PLEU, manda nossos melhores planos pra casa do caralho. Circulo pela loja, uma vez, duas vezes, três. E nada. Pergunto pra uma das vendedoras e ninguém sabe de nada.



Panico. terei eu imaginado a camiseta lá? Terá sido uma alucinação?
Serão estes os primeiros indícios de demência e Alzheimer se manifestando em minha quadragenária mente?

Okay, okay, diante do risco de voltar pra casa sem minha camiseta nova, decido singrar a interwebz e checar o site da loja e de fato, havia uma versão da camiseta lá sendo vendida, mas..a) esgotou e b) só tinha pra mina.

Frustração. Eu falhei. Já com o rabo entre as pernas, dou uma ultima passada pelo setor infantil da loja - e só agora eu notei que ninguém veio me oferecer ajuda em minhas passagens pelos estabelecimentos acima citados pq provavelmente estavam mais preocupados com a idéia de um cara de 40 anos dando voltas e voltas pelo setor infantil destes locais. Como já disse, sou um homão grandão, então, é possível que eu tenha triggered certo espectro de paranóia relacionado a um possível pedófilo sendo creepy no espaço reservado aos infantes destas lojas. Caso algum segurança da pernambucanas, riachuello, marisa, c&a e renner tenham se sentido incomodados com tal cena e estejam lendo isso, na moral, mals aê. 

Enfim.... é isso. A vida é uma merda, todos os meus heróis estão mortos ou se venderam, a vida não presta, felicidade é uma commodity capitalista sendo vendida em 12 prestações mensais do cartão americanas e é isso aí. Já sigo embora pra minha casinha quando de repente, não mais que de repente, me lembro da existência do guichê da Piticas no shopping e parto feito um raio em direção à bagaça. 
Lá, sou recepcionado por duas gurias simpáticas que rápida e prontamente me avisam que, no que diz respeito à camisetas da super heróina herdeira do poder dos Krees.... "tem, mas acabou"





FUCKING HELL!!!!


"Putz, sério?"

Confesso que até esqueci minha notória timidez e troquei idéia com as gurias

"Putz, to virando o shopping faz mó tempo atrás e só acho pra mulher"

Ela: "pois é, como o filme estréia amanhã, a camiseta tá saindo muito e esgotou em tudo que é canto"

Uma pergunta começa a se formar na minha cabeça, mas deixo ela engatilhada pra mais tarde. 

Quando já pensava em ir embora, a outra atendente me pergunta "qual o tamanho?"

Eu: "GG"

Elas se olham, trocam rápidos comentários e voltam a se dirigir a mim "então, a gente tem uma maior que GG" "XG"

Peço pra olhar e depois de uns 10 segundos, solto um apoteótico "vou levar"




A nação groselhana pira


É isso, meus ímpios malditos. É tetra, CARALHO. Consegui. Um tiquinho larga nos ombros, mas foda-se, se perguntarem é intencional, tipo camisetão de rapper. 
Tudo pago e devidamente embalado, agradecimentos e despedidas feitas, quando aquela pergunta deixada no tambor de minha garruncha mental se faz notar, e num rápido olhar sobre os ombros, disparo pras meninas trabalhando lá: "então... todo lugar que eu caço essa camiseta, só tinha pra gurias. Tem muito homem procurando?"
As duas nem hesitam: "muitos. muito, muito, muito mesmo". Num primeiro momento até pensei que ela pudesse ter dito isso pensando que eu estava inseguro em comprar uma camiseta de "filme de menina' e estivesse reconsiderando a aquisição. Mas o tom na voz delas e o sorriso meio cúmplice de uma pra outra me deu a impressão de que a resposta foi sincera.

O que, depois de TODO esse preâmbulo, nos traz ao motivo pelo qual esse texto existe: Pq diabos foi tão complicado achar isso? O filme estréia amanhã e faz parte de uma franquia que já acumulou bilhões nas bilheterias. BilhÕES. Plural. Mais importante, é a pedra fundamental da nova fase de filmes da marvel, que vai ser marcada por, provavelmente, uma renovada no elenco, com nomes como Downey Jr. e Chris Evans deixando a cine-série, enquanto outros chegam pra preencher o vácuo. E entre esses "outros", Brie Larson e sua Carol Danvers. 
Diabos, meses depois de Spiderverse e ainda tinha como achar roupas do homem aranha fácil. Dos mutantes da Marvel? De peças de roupa oficiais, passando por plushies e chegando até a dichavadores de maconha artesanais com o rosto do Wolverine na embalagem, - sério, eu vi isso hoje -  achava coisa a cada 10 passos.  Até coisa de Suicide Squad eu vi em algumas prateleiras. Okay, encalhe provavelmente, mas.
Entrei nesse texto com algumas hipóteses e uma delas, admito, era "homens não compram merchandising de filmes com protagonistas femininas".
Bom, de acordo com as meninas do Piticas, não é bem assim. Negócio esgotou pq...bom, lei da oferta e procura. 
E aí? Estreiteza de visão de quem vende e de quem distribui? Talvez.
Certa falta de fé por ser uma personagem desconhecida? Não acho, até pq encontrei muita coisa, nessa caminhada, do Homem Formiga. Homem fucking Formiga. 
As camisetas só pra mulheres, as fantasias só pra meninas e a falta de material pro fã do sexo masculino. Tudo isso, só um aspecto de um mesmo problema, dessa visão machista de coisa pra menino e coisa pra menina que me atormenta desde que eu me conheço por gente, quando, aos 6 anos de idade, deixava a bola de futebol que meus pais me compraram, juntar poeira no canto de casa, preferindo ver desenhos de my little pony e ler os gibis da Rainbow Brite - para o horror de ambos, que sempre insistiam pra eu ir brincar com os moleques da rua pra não ficar com "má fama". Como diria a louca da goiabeira que ocupa lugar de destaque no atual governo, "meninos vestem azul e meninas vestem rosa" .
Demônios, eu até entendo vc dizer que não tem como fazer coisa da Mulher Maravilha pra menino pq ela usa colete e uma saia, blz. Forçado, mas blz, mas CARALHO, veja o uniforme da Carol.



O que tem de feminino ali? Poderia ser um homem usando, como aliás, já foi nas hqs, e tudo bem. 




Cultura de machismo e misoginia estrutural são o cara mexendo com a menina na rua achando que tudo bem, a diferença de salários no mercado de trabalho a partir dos sexos e as posições pré determinadas de cada gênero dentro da esfera social. MAS cultura de machismo e misoginia estrutural tb tá aí, quando uma porra de um velho de 39 anos de idade não consegue achar uma camiseta com a estampa de uma de suas heroínas favoritas apenas pq "homens não deveriam gostar disso". Pq a sociedade cria caixas e não entende quem não quer se identificar com elas. Eu gosto de pro wrestling, violência é minha religião e eu já revi a franquia "velozes e furiosos' mais vezes do que qualquer homem mentalmente saudável deveria. Mas eu tb gosto de My Little Pony, adoro os gibis de Rainbow Brite e a série da Jem e as hologramas da IDW. Tenho uma coleção de action figures de heróis ultra violentos como Deadpool e de vilões como Sinestro. Diabos, um dos meus heróis pessoais na luta livre atende pelo nome de MACHO MAN. Mas eu tb tenho uma coleção de bonecas de heroínas Marvel e de copos com estampas de unicórnios. E acho que tudo bem comigo. Não acho que sou exemplo de porra nenhuma, e eu , no final das contas, não fiz essa viagem até o shopping para "fazer um registro das falhas inerentes na sociedade pós moderna e as falhas do pensamento retrógrado que ainda a norteia", mas sim para comprar a porra de uma camiseta de hq. Mas se isso tb é, no alto de sua insignificância, lutar contra toxicidade masculina... hell the mothafucking yeah, count me in, ímpios.

Tudo isso dito e feito, fica uma ultima pergunta: "A camiseta ficou legal?"

Bom..... digam vcs, senhores: 


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