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quarta-feira, 18 de setembro de 2019

Highway to hell - Parte V: "BPRD: The soul of Venice", "BPRD: Plague of frogs" e "BPRD: The dead"


Yo, mothafuckers....
Depois de um relativamente longo e moderadamente tenebroso hiato (nem falo de inverno pq tá fazendo 35 graus no momento em que escrevo isso. Fucking aquecimento global) nossa jornada pelas diabólicas aventuras de Hellboy e seus colegas do BPRD está de volta. 
Dessa vez, vamos cobrir 3 tpbs da série solo do Bureau. Spoiler alert: começa meio meh, mas vai melhorando bastante. Bora?

BPRD - The Soul of Venice



Basicamente, uma antologia de aventuras curtas do grupo, depois do volume anterior mais ou menos estabelecer o rol de personagens e reintroduzi-los para quem quer que tenha começado a série por aqui. A coisa é bem Supernatural mesmo, meio "monstro do dia" e funciona com graus diferentes de sucesso. Pra mim, o erro aqui foi ter colocado a aventura que intitula o encadernado logo no começo, já que ela é, definitivamente, o ponto alto do gibi, so, todo o resto acaba sendo meio inferior. 

The Soul of Venice (Roteiro de Miles Gunther, Mike Mignola e Michael Avon Oeming, arte de Michael Avon Oeming) 


Um conto sensível e uma celebração a tudo que faz de Veneza um lugar encantador. O grupo vai investigar uma série de eventos bizarros na cidade das gôndolas e ao que tudo indica, alguém raptou o espírito do local. Literalmente. Como eu disse acima, o ponto alto do tpb e uma trama que serve pra tridimensionalizar o membro mais novo do grupo, Roger, o homúnculo. A arte de Michael Avon Oeming emula muito bem a de Mignola, o que, dependendo de pra quem vc perguntar, é algo bom ou ruim. Pra mim, pessoalmente, eu preferiria que cortassem de vez o cordão umbilical e permitissem que a série voasse sozinha sem precisar desse tipo de salvaguarda. Mas, já tendo lido mais coisa da fase solo do Bureau, eu sei que isso não vai ser um problema. 

Dark Waters (historia de Brian Augustyn, arte de Guy Davis)



Um conto menor do Hellverse mas que chama a atenção por ser um dos meus temas favoritos, principalmente nos dias atuais: evangélico fazendo merda e se ferrando no processo. Depois de encontrarem 3 cadáveres acorrentados numa rua em obras, datando de pelo menos uns 150 anos e em perfeito estado de conservação, Abe e os demais se pegam lidando com consequências dos julgamentos de bruxas que fazem parte da História sombria dos EUA. Augustyn não segura nenhum soco e, pro caso da crítica passar batido, temos pelo menos um momento nada sutil do fanático religioso responsável pela merda toda rolando no local chamando a Dra. Corrigan de Feminazi. 

Night Train (roteiro de Geoff Johns e Scott Kolins, Arte de Scott Kolins e Dave Stewart)



Um dos times clássicos do passado recente do Flash se junta aqui para narrar um conto do passado do Lobster Johnson que teve um final trágico. Uma narrativa sobre reparação histórica, sobre consequências.....e sobre trens fantasmas. 

There is something under my bad (roteiro de Joe Harris, arte de Adam Polina e Guillermo Zubiaga)



A segunda melhor história desse volume. Basicamente, BPRD vs o Bicho Papão. A arte é linda, trazendo o tipo de estilização de livro infantil que esse capítulo evoca, indo do horror ao "Tex Avery" as vezes no mesmo quadro. A trama envole uma gangue de bichinhos de pelúcia going rogue, monstros debaixo da cama e todas essas coisas que atormentam crianças desde que o mundo é mundo.

Hey, kemosabe, atormentavam A MIM quando eu era pequeno. 10, 12 anos de idade e eu ainda achava que tinha um demônio embaixo da minha cama. Tenho 39 atualmente e desde que vim pra SP, fiz questão de nunca ter camas com espaço embaixo, pra nenhum monstro poder estabelecer residência lá. 

Tem ainda mais uma hq, mas ela é tão esquecível que nem vale comentar. Anyway, é isso.
Não é de forma nenhuma um clássico nem merece nenhum adjetivo mais hiperbólico, mas é um começo decente, servindo pra aprofundar um pouco a dinâmica entre esses personagens e, de quebra, nos dar alguns momentos bem divertidos. 

BPRD - Plague of Frogs
(roteiro de Mike Mignola, arte de Guy Davis)



Finalmente entramos de vez na série regular do grupo. Acabam (pelo menos por enquanto) os one-shot e temos uma trama mais longa e, como consequência, um lore se formando ao redor de Liz, Abe, Roger e Johann. E um lore só deles, distinto do lore do diabão vermelho que é o carro chefe do Hellverse. Bom, distinto mas ainda conectado, já que o antagonista aqui vem da minissérie que foi o ponto de partida da épica jornada do diabão vermelho. Yep, estamos novamente lidando com os monstros-sapo que conhecemos na incursão de Hellboy e seus teammates na mansão dos Cavendish (e, spoiler alert, não é a ultima vez que veremos esse sobrenome sendo mencionado e com forte importância pro passado de um dos personagens da série). Um homem desequilibrado invade um centro científico onde um fungo desconhecido está sendo armazenado. É isso, tudo que precisa pra termos, mais uma vez, o destino do mundo na balança. Also, Abe Sapiens tem pesadelos. 


Mignola volta não apenas pra definir as regras da série solo do BPRD, dar um norte pro negócio e tals, mas também pq, paralelo à missão de investigação, temos um dos momentos mais importante da história desse universo: a revelação da origem de Abe. Essas duas narratias vão se conectar posteriormente, relembrando, como eu já disse, elementos do passado da hq e usando-os pra estabelecer a macro-trama que vai dar o tom pra todo o Hellverse, não apenas nesse gibi e no do Hellboy, mas também nos títulos que virão, séries solos de personagens e outras publicações vindas pra expandir esse lore: monstros lovecraftianos e cultistas fanáticos, ambos girando em torno da missão de despertar a besta do juízo final, o dragão Ogdru Jahad. A arte de Davis é bem apropriada pra série, com aquele tom de não-realismo típico de gibi indie - que eu particularmente adoro - mas que sabe quando usar o expressionismo para evocar o clima de horror necessário. Os cenários são todos belíssimos e é um traço rico em detalhes, que sabe também quando trazer resgatar aquela vibe de arte vintage. 
E o roteiro é impecável. Arte e texto aliados num dos momentos mais importantes desse universo em expansão. Pros fãs do Mignolaverse, gibi obrigatório.

BPRD - The Dead
(roteiro de Mike Mignola e John Acudi, arte de Guy Davis)



O primeiro encadernado do Bureau tinha certo foco em Liz Sherman. O segundo, centrava o olhar em Roger. O terceiro em Abe e esse aqui gira ao redor do cientista alemão ectoplásmico do grupo: Johann Krauss, enquanto, em paralelo, continua revelando elementos dos passado do homem-anfíbio do time. Vai ser complicado falar desses tpbs de forma isolada pq, de fato, agora estamos vendo uma saga contínua separada em arcos menores. A arte de Davis continua linda e o texto de Mignola, agora acompanhado de John Acudi, continua aquele mix de horror lovecraftiano e aventura noir típico da série (e agora temos um volume de histórias e hqs publicadas grande o suficiente pra podermos falar confortavelmente sobre os elementos recorrentes dessa trama). Novo cenário, novos personagens (Ben Daimio, o novo líder dos caçadores de monstros, depois da "folga sabática" requisitada por Abe. As interações dele com Roger são divertidíssimas). 


O ponto algo, no entanto, é mesmo a jornada solo de Abe e achei belíssimo como ela engana o leitor: parece que estamos vendo um conto de terror sinistrão com shades de "the Shinning" e tals e no final, na verdade, é uma trama sensível, melancólica e muito bonita sobre abrir mão do passado e seguir adiante. Poético, pra dizer o mínimo. Outro daqueles pontos fundamentais da série onde, aparentemente, Abe finalmente está em paz com seu passado e pronto pra, ele também, "move on". 
E legal ver um retorno full dos vilões favoritos da série: os malditos nazistas (also: isso é o que rola quando vc acha que dá pra "negociar com nazis"). 
Se o inimigo é um traficante, criminoso de rua ou um monstro, tu sempre pode relativizar e pensar "porra, não é assim, vítimas do sistema/preconceito". Mas nada é mais catártico que o prazer sem culpa alguma de ver um nazista se ferrando.

Num geral, HQs bem legais. Legal ver um lore se formando e o Bureau caminhando com pernas próprias em histórias tão boas quanto as do título principal. Ansioso com as próximas edições.

A seguir: mais BPRD solo

quinta-feira, 18 de abril de 2019

Highway to hell - Parte IV: The Troll Witch, The Crooked Man e BPRD: Hollow Earth

Back to the sulfured deeps of hell, I s'pose.
Mais 3 TPBs devorados, com um deles começando a expansão do Mignolaverse, enquanto um dos outros dois traz minha história favorita do Hellboy. De todos os tempos. Simples assim. 
Promissor? Pois é. 
So..... Go.

The Witch Troll




Mano....os fas do Mignola vão querer minha cabeça por isso, mas..... cheguei até metade desse gibi achando ele apenas okay, manja? Esquecível e tals. 
Okay, longe de ser ruim. Um quadrinho com aventuras como The Troll Witch, The Vampire of Prague e The Penanggalan não pode ser descrito de maneira nenhuma como ruim. Mas é isso, né? Até aqui, apenas okay, uma nota 7 gloriosa, mas ainda assim, longe de um 10. 
No entanto, o gibi dá um giro de 180 graus logo quando as histórias curtas cedem espaço para o conto mais longo dessa edição: The Makoma.




Uma longa trama contada em forma de flashback, mostrando a anteriormente mencionada primeira incursão do detetive infernal na Africa. Com roteiro de Mignola e arte de Richard Corben, a história adapta o conto mitológico africano do guerreiro e seu martelo, enfrentando gigantes e um dragão. Mignola, no texto que introduz o gibi, diz que o interesse em contar essa história veio depois de ler uma adaptação dela que ficou em sua memória por semanas e semanas e, além disso, da vontade de trabalhar com Corben. De fato, Makoma é, DE LONGE, a melhor história desse álbum. A arte de Corben confere a devida gravitas ao protagonista, ao mesmo tempo que confere à jornada certo elemento onírico.



O ponto alto desse tpb e a primeira parceria entre os dois artistas. E não a ultima. 
Ainda bem. 

The Crooked Man.




The Crooked Man
Roteiro de Mike Mignola
Arte de Richard Corben

Se o encadernado anterior passa longe de ser meus favoritos, esse aqui é meu predileto. Simples assim. Até esse ponto, "The Crooked Man" é minha história favorita do Hellboy. O conto é outro daqueles momentos "de respiro" do personagem, em que vemos aventuras passadas suas, enquanto esperamos a trama principal andar. Bom.... JESUS DO CÉU, se isso é uma aventura 'low profile" do diabão. Serião, minha primeira recomendação aqui é: não leia essa porra à noite. Eu li de manhã e confesso que tive certos arrepios desagradáveis entre uma página e outra.



A história veio da vontade de Mignola de homenagear outro de seus heróis pessoais: Manly Wade Wellman. E se vc chegou até aqui sem saber quem é esse sujeito, como eu, aliás, fique tranquilo: tem um ensaio grandinho ao final do encadernado fazendo um perfil de sua carreira como escritor e de seu papel para a literatura pulp e de terror norte-americana. Basicamente, o autor foi um dos responsáveis por essa figura do "wanderer", do aventureiro desbravando os Estados Unidos atrás de aventuras com um tom meio "southern gothic", manjam? Meio True Detective, season 1? Contos de terror passados no meio do nada norte-americano. Meio que criando, no processo, uma "mitologia das trevas" do país do Tio Sam. E "Southern Gothic" descreveria com perfeição essa jornada ao inferno feita pelo ex-agente do BPRD: caímos no meio da trama onde HB tá investigando um caso no interiorzão do país, onde uma guria aparece paralisada sem motivo aparente, até que alguém crava: bruxas. Um morador local, Tom Ferrell, parece ter informações pertinentes sobre a atividade sobrenatural naquela área. A partir daí, vemos o agente e o rapaz se enfiando floresta adentro atrás dos responsáveis, não só pela paralisia da jovem mas tb, provavelmente, pelo desaparecimento do pai de Ferrell.


Daí pra diante é Unleash Hell, incluindo a presença de uma das encarnações do demônio mais perturbadoras de que consigo me lembrar. Bruxas sedutoras, pactos faustianos, demônios na garrafa, tudo levando a uma situação onde os heróis e mais um padre local, se vêem sitiados numa igreja caindo aos pedaços, cercados por toda sorte de cria do capiroto que os senhores puderem imaginar. E o Crooked Man, atrás de uma dívida antiga.



Sério, pensem em coisa tipo "The VVitch" e seu Black Philip. Não vou falar demais pra não estragar a história pros senhores mas faz tempo que eu não sentia medo lendo gibi. E a arte de Richard Corben, repetindo a parceria iniciada no TPB anterior, cai dos céus - ou das profundezas do Seol - pra acrescentar o devido tipo de clima expressionista que uma história desse tipo pede. "The Crooked Men" é do alto de sua posição de "história do monstro da semana", um dos pontos altos de toda a existência do personagem e da série em geral. Uma trama sobre pecados passados, arrependimento, e a necessidade de saber em que momentos aplicar o perdão, quer seja pra si mesmo, quer seja pra terceiros, e os momentos de nega-lo. Putz, enfim... que gibi legal.
O resto do encadernado traz aventuras mais "leves", se é que dá pra chamar assim tramas envolvendo possessão demoníaca e almas voltando do além em busca de vingança. Boas histórias, mas mais tranquilas, reduzindo o ritmo um tiquinho pra leitura fluir macia até a última página. 



They that go down to the sea in ships
Roteiro de Mike Mignola
Arte de John Dysart

O Big Red e Abe, investigando um assassinato relacionado à localização da cabeça perdida do pirata Barba Negra. É o que vcs esperariam de uma história dessas: homens imbecis tentando negociar com o sobrenatural e muita porradaria massavéio entre o nosso herói vermelho e um pirata desmorto.

In the chapel of Moloch.
Roteiro e arte de Mike Mignola

Numa vilazinha privada de Portugal, um pintor se tranca num dos prédios, em busca de inspiração. E ela vem, obviamente. Não do jeito que ele quer, infelizmente. 
Eu sou ateu desde os 16 anos, como já deixei claro aqui, mas vou dizer: prédios antigos me dão calafrios. 

The mole
Roteiro de Mike Mignola
Arte de Duncan Fegredo

Uma historiazinha curta, feita como um fill in (pra encher espaço sobrando em outras publicações) narrando um sonho (ou delírio, ou alucinação) do Hellboy. Destaque aqui é mesmo a arte de Fegredo. 

BPRD - Hollow Earth





Hollow Earth
Roteiro de Mike Mignola, Christopher Golden e Tom Sniegoski
Arte de Ryan Sook

Okay, o passado é passado, Hellboy deu rage quit no Bureau e é hora de fazer a contenção de danos. 
A partida do principal operativo da agência deixou não apenas um vácuo difícil de ser preenchido, mas na verdade, este se encontra em processo de expansão: Abe também cogita partir em busca de detalhes sobre seu passado. Liz, dois anos antes, foi procurar treinamento no uso de seus poderes num mosteiro tibetano. Só restaram Roger, o Homúnculo e a mais nova aquisição às fileiras do grupo: Johann Kraus, um espírito desencarnado mantido "vivo" dentro de uma roupa especial. Kraus, em sua vida prévia, foi um médium particularmente talentoso que, no meio de uma sessão em que praticava projeção astral, viu seu corpo ser destruído (fallout de uma outra treta relacionada ao Hellboy). Mais do que se comunicar com espíritos, ele agora pode tocá-los, "lê-los como a um livro" como ele próprio diz, e projetá-los de forma a que humanos normais possam se comunicar com eles. O dia a dia desses personagens segue, profissional e pessoalmente, indo aos trancos e barrancos quando o homem-peixe é surpreendido por uma projeção de Liz pedindo ajuda.



Ao chegar no mosteiro, ele encontra um punhado de cadáveres e destruição generalizada. Entre os corpos deixados no local, está o de criaturas humanoides. Próximo a estas, um buracão particularmente profundo. Não precisa de muito pra juntar os pontos e down we go. Uma boa história pra reintroduzir estes personagens e promovê-los, de coadjuvantes de luxo para protagonistas de fato.



Drums of the dead
Roteiro de Brian McDonald
Arte de Derek Thompson

A primeira história foi divertida. Essa no entanto é aquela que vem pro main event, a banda fodona que fecha o show de forma catártica, sabem? Vai deixar o leitor com um gosto ruim na boca e, pra quem acredita no conceito, na alma. O ponto alto do gibi, obviamente.


Depois de um assassinato ocorrido no navio Polaris, Abe e um outro operativo com habilidades mediúnicas vão investigar o que parece ser um caso clássico de "navio assombrado", mas, no decorrer da trama, ganha tons muito mais sinistros e realistas. 
A gente tá tão acostumado com toda a sorte de bestas, demônios e criaturas sobrenaturais aparecendo pra tocar o terror no Mignolaverse, que quando vem uma história em que o principal vilão tá tão mais próximo da nossa realidade do que gostaríamos, ela te pega de guarda baixa. Uma história sensível sobre um dos momentos mais baixos da história humana. E relevante como nunca, principalmente nesses dias atuais de revisionismo histórico estúpido e baseado puramente em achismos e opiniões de falsos intelectuais. 
Certos erros monstruosos do nosso passado não podem ser esquecidos, mesmo quando jogados sob o tapete ou enterrados embaixo de toneladas cúbicas de água.



Um começo promissor. Vamos ver como vai ser quando essa série começar a ter seu próprio lore. 

A seguir: Mais BPRD solo!!!!
  

sábado, 23 de março de 2019

#HellboyDay



Hellboy's Turning 25. Send Birthday Wishes To His Manhattan Beach Comic Creator












How the New Hellboy Faithfully Adapts, Remixes, and Changes the Comics





Vou atualizando no decorrer do dia com os textos e videos e fanarts e paradinhas mais legais surgidas hoje, dia de aniversário de 25 anos do Hellboy, okay?

sexta-feira, 22 de março de 2019

Highway to hell - Parte III: The Conqueror Worm, Strange Places e Into the Silent Sea


THE CONQUEROR WORM
Roteiro e arte de Mike Mignola



De volta ao formato de tramas mais longas, Mignola vai full Kirby mode aqui e desde a epígrafe, onde agradece á personagens como Doc Savage, já deixa claro que esse é um conto que vai abraçar as influências vindas dos quadrinhos de super heróis e da literatura pulp. A trama começa com o grupo recebendo o briefing de mais uma missão bizarra: algo está vindo do espaço em rota de colisão com a terra e as fotos demonstram ser a) uma capsula espacial e b) tem um logo nazi gigante do lado. E o negócio mudou sua rota algumas vezes, so, é de se esperar que tenha algo vivo dentro, pilotando a bagaça.



Partindo dessa premissa, veremos a trama abraçando o sci fi sem medo. Eu lembro que na época do lançamento de "Indiana Jones e a caveira de cristal", uma das principais reclamações contra o longa foi o lance do roteiro envolver alienígenas e o quanto isso seria "estranho" à mitologia da franquia. De fato, é um filme bem qualquer nota, mas não entendi esse estranhamento. Indiana Jones, tal qual esse tpb, bebe com força das cinesséries cinematográficas dos anos 40 e 50 e do pulp. Aliens e nazis eram antagonistas recorrentes nesse tipo de aventura. E especificamente falando do gibi, não é como se já não houvessem extraterrestres aparecendo anteriormente: Ogdru Jahad, o principal vilão da série, é LITERALMENTE um dragão preso em âmbar no espaço sideral, há alguns planos dimensionais de distância. Mesmo assim, confesso que me causou certo estranhamento quando o detetive se viu diante do seu primeiro ET. Esquisito, né? A gente tá tão acostumado com obras que tão dentro das caixinhas dela, tudo compartimentalizado, fantasia é fantasia, sci fi é sci fi, drama é drama, etc., que causa certo bug mental quando gêneros se cruzam assim. Temos nesse arco a primeira aparição real de Lobster Johnson, tipo um Doc Savage meets Capitão América do Mignolaverso. Von Klampt ressurge para atormentar o protagonista. 



Aliás, essa trama é cheia de shout outs pra histórias anteriores do vermelhão, incluindo o conto "goodbye, mr tod".
Gosto como "The conqueror worm" acrescenta mais camadas ao universo do Hellboy, acrescentando também a ameaça alienígena (que pode ou não ter uma origem mística, já me adiantando e pensando em eventos comentados no TPB seguinte) entre o rol de vilões do quadrinho. Não apenas demônios extra dimensionais, mas agora, personificações imateriais orbitando pelo vazio espacial também querem a destruição da humanidade. Jesus Cristo, todo mundo odeia os humanos. O plano nazi envolvia enviar um cadáver ao espaço e permitir que uma dessas entidades não físicas ocupasse seu corpo, voltasse para a terra e tocasse o terror. Por sorte, Hellboy e Roger, em sua primeira missão oficial no Bureau, estavam lá pra salvar o dia.



Não sem consequências: a trama já mencionada em artigos anteriores dessa série de artigos, sobre a dicotomia entre os lados "humano" e "sobrenatural" do demônio investigador ganham lugar de destaque aqui, com HB tendo que fazer escolhas difíceis e que vão gerar repercussões significativas pro resto da série. Ao final do encadernado, o monstrão decide se desligar do BPRD e seguir em direção à respostas sobre seu próprio passado. Primeira parada: o berço da humanidade, o continente Africano.
Outros personagens são afetados também pelas ações do protagonista: Rasputin, que articulou os eventos aqui ocorridos, sofre sua terceira e final derrota. E pior: num diálogo com Hécate, o homem que queria ser deus é lembrado de sua pequenez antes de ser definitivamente aniquilado pela bruxa. Baba Yaga lhe reserva um último ato de gentileza. Acho seguro deduzir que, pelo menos por um tempo, o mago russo não vai cruzar novamente o caminho do guardião da right hand of doom. Não que a vida do ser infernal vá ficar muito mais fácil por causa disso.

STRANGE PLACES
Roteiro e arte de Mike Mignola



The third wish

Cantemos juntos: Under the sea. Under the sea,....


Pra quem, como eu, esperava ver o detetive se aventurando pelas savanas africanas, nope. Toma essa. Temos uma interação rápida entre o diabão e Mohlomi, um feiticeiro local, que envolve um óbvio pesadelo com tons premonitórios, pq, afinal, que bruxo ou personagem de trama com tons de terror não passou pela sua cota de pesadelos premonitórios? 



Daí por diante, a trama segue, citando mais uma vez Sebastian, o sidekick de Ariel em "the Little mermaid", pra debaixo do mar. Inclusive, Mignola cita mais de uma vez que o conto envolvendo a sereia de Hans Christian Andersen é influência direta dessa história. E de fato, o que diabos é a antagonista da aventura, a Bag Roosh, senão uma versão ainda mais from hell da Úrsula. Demônios, em determinado momento até aparece uma sereia que quer ganhar pernas pra encontrar um humano por quem se apaixonou. Genial é como Mignola abraça o terror dessa história, elemento comum desse tipo de conto de fadas, e o acentua. Sério, a gente já passou por gorilas ciborgues, mecha nazis, demônios alienígenas. Mas a Bag Roosh é particularmente ameaçadora. 



Até pq suas intenções são menos "preto e branco" quanto pode parecer e aqui eu faço uma pausa: já tinha mencionado que Mignola está conferindo tons de cinza aos seus vilões e aqui isso salta ainda mais aos olhos. No tpb anterior, Rasputin já dava sinais de que tinha intenções menos puramente evil do que se pensava. Ele aparentemente não queria a extinção universal, mas considerava que o ressurgimento de Ogdru Jahad era inevitável. O que ele aparentemente tencionava era controlar essa reaparição. Uma vez com a humanidade e qualquer coisa viva na Terra, extinta, sobraria esperar até o planeta se recuperar das chagas da passagem do dragão lovecraftiano até a vida ressurgir nele e, com ela, uma nova humanidade. Claro, no final, tudo girava em torno do ego do feiticeiro russo, mas........ Aqui em "Strange Places", isso se repete: a feiticeira monstruosa não quer matar o ex-membro do BPRD por motivos de dominação mundial e pura vilania. Seu objetivo é garantir que ninguém tenha acesso à chave na mão direita do demônio gente boa e, portanto, impedir a extinção da vida, mortal e imortal, no planeta. Chamemos de um "ataque preventivo", okay? 



É um meio termo: nem apenas pela bondade do coração, nem apenas por motivos sinistros, mas os oponentes de Hellboy - bom, alguns deles, pelo menos - vão revelando mais tons de cinza conforme a saga avança. Além da trama principal, vemos tb que o mundo dos imortais está irriquieto com as decisões do herói. Um detalhe importante é que, dentre aquelas criaturas que aparecem lurking, espreitando a jornada do HB ao longe, uma delas ganha um nome: Sir Edward, aparentemente um dos líderes e alguém com particular interesse nos eventos ali ocorridos.



Gostei de como esse primeiro conto me deixou tenso: em determinado momento, parece que a trama vai ser concluída. O demônio mal humorado se liberta, a vilã é derrotada mas vive pra lutar outro dia e uma das responsáveis pela captura do personagem principal se redime, ainda que isso vá  lhe custar um preço alto demais. Mas aí vem Mignola e nos lembra que esse seria o final de uma trama de terror. Mas isso tb é uma história de super herói, então, de forma abnegada, o garoto do inferno volta pra salvar a sereia que lhe ajudou e, de quebra, enfiar a porrada em Bag Roosh. Agora sim, com a vilã derrotada e a tal sereia tomando seu lugar como a "nova Úrsula", o ex-agente do Bureau pode seguir em sua jornada rumo...

The Island



A Ilha é uma história grande mas que é formada por aventuras menores que tem conexões meio superficiais entre si, o que deixa a aventura com um tom ligeiramente desconexo aqui e ali. Não necessariamente um problema, mas a história, até por ter MUITA informação importante pro background do personagem, termina soando mais longa do que realmente é. Confesso que eu me perdi, aqui e ali, com seus flashbacks dentro de flashbacks, com relação a alguns detalhes (incluindo, mas não apenas, o paradeiro daquele amuleto que Mohlomi dá ao HB em um determinado momento). Mas nada que comprometa o resultado final, apenas um ou outro detalhezinho que acho que valia a menção.
A partir daqui, temos, provavelmente, um dos momentos mais importantes de toda a história da série, onde somos apresentados à origem do universo. Wow, right? Pois é. O caminho da cria do inferno  cruza com o de um padre que veio, com os espanhóis, para a América Latina na época das grandes missões exploratórias e que, numa dessas jornadas, em Tenochtitlan, teve acesso aos livros sagrados dos maias, por sua vez, herdados a eles pelo primeiro povo, os hyberboreos e que narram ...bom... o começo de tudo. 



A autocriação de Deus, o surgimento de seus anjos, a primeira rebelião e o roubo do fogo dos céus, usado para a concepção de Ogdru Jahad e seus minions, o Ogdru Dem. E mais importante, a origem da manopla de pedra que Hellboy possui em sua mão direita, herança direta desse anjo rebelde. Obviamente, como sempre, o espírito narrando o começo do universo entra em berserk em um determinado momento, e aí é a boa e velha porrada. 
Não sei se ficou claro pra mim de onde veio o poder dele a ponto dele se revelar um oponente à altura do Big Red, mas no geral, não importa. Com a ajuda do amuleto conferido a ele pelo mago africano, Hellboy vence o oponente e segue sua jornada. 



Surrado, mas ainda vivo, o demônio pega um barquinho ancorado nas proximidades e segue para o velho continente, em busca de mais detalhes sobre suas origens e desta vez, na terra da Rainha, do chá das cinco e de Arthur Pendragon. Oh yeah, mate. We're going to England!!!!
No geral gostei bastante, apesar dos pontos citados acima deixarem a leitura um tiquinho confusa. Mas a primeira história das duas no álbum é muito boa, e a segunda tem momentos bem legais como a passagem do personagem bebendo com os marinheiros num navio abandonado que é maravilhosa, a conversa com Hécate e, claro, a história da gênese do universo e do nascimento de Ogdru Jahad.
Ao final, voltamos para o conclave de criaturas imortais que, ao perceberem pra onde o herói está indo, decidem ir all in e declaram guerra ao vermelhão. O exército de bruxas está a postos, esperando apenas as ordens de Hécate. Gruagach, o homem javali de "the corpse", pronto pra executar sweet sweet vingança e Unleash Hell pra cima do detetive. Uma tempestade se aproxima...



INTO THE SILENT SEA
Roteiro de Mike Mignola
Arte de Gary Gianni



Mas antes, uma parada no meio do caminho. Este álbum, a primeira original graphic novel do personagem é, com o perdão do trocadilho, uma besta completamente distinta das demais, por ser, seguindo a ordem dada pelo guia de leitura da multiversity comics, que é a adotada por mim, a primeira obra do Hellboy sem o desenho do Mignola, apenas nos roteiros aqui. Desculpem, eu não manjo de arte, então vou descrever de forma ogra mesmo: a arte de Gary Gianni é um pouco mais suja, hachurada, que o traço clean do criador do personagem. 



E é estranho ver o personagem sob focos de luz, já que Mignola é tipo um ninja, trabalhando sempre com as sombras. Parece uma crítica mas não se enganem, adorei os desenhos do artista. Procurando sobre ele, vi que seu trabalho mais famoso foi sua passagem que durou quase uma década no gibi do Príncipe Valente e tipo, óbvio, ÓBVIO. O traço aqui remete bem ao tipo de desenho "clássico" da era de ouro dos quadrinhos, o que só ajuda no clima da trama e em sua ambientação.
Na história, o herói tá lá de boa, em seu barquinho, indo pra terra dos Rolling Stones, de Doctor Who (a série, não o timelord. Nope, o personagem não tá indo pra Gallifrey) e Sherlock Holmes quando de repente, não mais que de repente, é interceptado por um navio. Quando acorda, é informado de que o Capitão da embarcação tá bem a fim de vendê-lo para um daqueles freakshows que eram característicos no final do séc. XIX, começo do XX (olha aí o foreshadow que me passou batido quando li o gibi e só peguei agora, enquanto escrevo esse texto). 



Resta ao coitado ficar lá, apodrecendo ao sol, amarrado no mastro, até a noite, quando recebe a piedade - e um pouco d´água - do menino Kip, além de também conhecer a encarregada pela viagem, a mulher de preto sem nome, chamada por HB apenas de "Lady". 



Aí, descobrimos que o navio, "Rebecca", está em busca de uma monstruosidade descrita à moça por um cadáver - "dead men tell no tales" uma ova, né? - numa expedição anterior rumo aos restos de uma cidade do primeiro povo hyperboreano (segunda menção a eles na série). O final, os senhores podem deduzir, é unleash hell. 
Eu já falei isso antes: a sina do big red é encontrar gente que acha que dá pra negociar de boa com os deuses. Ainda que o que motive a Lady seja certa obsessão científica em descobrir a "verdade", qualquer que seja ela, já vimos o que acontece quando a humanidade responde a sussurros sombrios vindos de cantos escuros. Depois do primeiro cadáver voltar a vida, o gibi passa a ser uma gigantesca luta do Hellboy e da tribulação do Rebecca pela sobrevivência. A homenagem à Verne e Melville na epígrafe não vem à toa. A trama é bem direta, mas tem o devido cuidado de apresentar à tripulação do Rebecca com cuidado, para que nos conectemos a eles e passemos a temer por seus destinos - especialmente do jovem William e seu cão, mr. Kip. 



Aí vem o final, melancólico como de praxe - se apegar a alguém nesse gibi é um erro, sério - e só resta ao half demon que protagoniza a HQ seguir em viagem, oceano adentro, até as ilhas britânicas. 
Uma história bem eficiente, servindo como mais um respiro, dentro da série, antes de vermos o desenrolar da trama principal. 


Esses três álbuns redefinem a saga, sendo momentos bem paradigmáticos pra série como um todo e onde temos o universo começando a fazer aquilo de se auto referenciar e estabelecer conexões entre tramas e personagens que achávamos funcionarem isolados em suas aparições. Rasputin is no more e acho que os nazistas tb são passado. Uma guerra se aproxima e o que quer que esteja esperando Hellboy quando ele finalmente pisar em solo bretão, não aparenta ser algo amigável ou que está lá pra tornar a vida da criança do inferno mais fácil...

A seguir: The crooked man, The Troll Witch e a primeira aventura solo do BPRD....

segunda-feira, 18 de março de 2019

Highway to Hell - Parte II: The chained coffin e The right hand of doom



Yo, mothafuckers....

Sigamos adiante, junto com Hellboy e o resto do BPRD em direção ao inferno, em mais um capítulo, lançado pontualmente às 3 da manhã, horário do tinhoso, de "Highway to hell".
Mais um dia, mais dois tpbs lidos. O primeiro, um pequeno respiro (tenso pra caralho, mas ainda assim) depois dos eventos dos dois encadernados anteriores que fraturaram o bureau e seu trio principal de membros. O segundo, mais um momento paradigmático pro diabão vermelho em sua busca pela renúncia do seu suposto papel dentro da profecia do apocalipse e pela concretização de sua nova identidade obtida depois de sua chegada no nosso mundo em 45. Os dois livrões tem histórias bem mais curtas com uma ou outra um pouco mais extensa que serve pra avançar a trama principal.
Pelo caráter de coletânea, obviamente tiveram umas histórias que gostei mais e outras que nem tanto, então, vou comentar só sobre as que mais me apeteceram, okay?

THE CHAINED COFFIN
Roteiro e arte de Mike Mignola



The Corpse

Os dois gibis, esse e o seguinte, resenhado abaixo, trazem antes das histórias, pequenos textos introdutórios de autoria de Mignola em pessoa onde ele explica um pouco das inspirações mitológicas pra cada conto. Esse aqui, especificamente, ele introduz como provavelmente a melhor história do personagem que ele já fez, e uma fan favorite. Não posso dizer que é minha favorita pq meu coração se divide entre "Pancakes" e "Hellboy in Mexico". Mas, com certeza, esse conto é um top 5, fácil. Na trama, o detetive do inferno precisa resgatar um bebê sequestrado por uma raça de fadas que, em troca o infante, querem que o demônio gente boa dê cabo de um monstro e, de quebra, enterrem um sujeito em solo cristão. A história em si é divertida e seu final aprofunda um pouco mais daquilo que eu comentei no texto anterior dessa série, em que o protagonista se vê dividido entre dois mundos e começa a se questionar sobre o paradoxo que é matar seus iguais em prol de uma raça como a humana. Na conversa que encerra a aventura, percebemos que uma cisão definitiva está prestes a ocorrer entre o mundo dos humanos e o das criaturas mágicas e Mignola coloca nessa interação entre o herói e um dos sequestradores do bebê, certa melancolia, como se essa diáspora da partida dos entes sobrenaturais para outros mundos fosse algo a se lamentar, mesmo considerando que os momentos de intersecção entre mortais e imortais seja algo frequentemente mostrado como violento. Detalhezinhos que vão compondo um universo maior e com menos tons de cinza do que poderíamos inicialmente imaginar numa trama envolvendo crias do inferno.




The Baba Yaga

Lembram que quando a bruxa russa aparece na hq anterior, "Wake the devil", ela fala que já tem certa história com o HB? Pois é, aqui vemos o primeiro encontro entre ambos, que resulta no tirombaço que a feiticeira toma que lhe resulta na perda de um dos olhos. 

The Chained Coffin

Apesar do tom de "respiro" que eu mencionei nesse encadernado, a trama principal tb anda aqui e este é um momento particularmente importante pra série como um todo, já que se foca nos pais do Hellboy. De volta ao lugar em que veio ao nosso mundo, o personagem tem visões envolvendo uma bruxa arrependida em seu leito de morte, dois religiosos tentando salvar sua alma e o demônio a quem ela serviu, exigindo seu quinhão. O investigador sobrenatural não tem um papel particularmente ativo aqui, mas ao final da trama, ele - e a gente, no processo - vai se encontrar com algumas respostas sobre o próprio passado, mas, também, um punhado de novas perguntas sobre as suas origens. To be continued, óbvio.



The Wolves of Saint August

Depois de lidar com sua cota de vampiros, o agente do BPRD vai ter que, novamente, enfrentar uma raça de monstros clássicos: os malditos lobisomens. Em busca de um padre desaparecido que era seu amigo pessoal, o herói e a prof. Corrigan chegam à uma cidade fantasma com uma história mórbida, em que todos os seus moradores foram mortos na mesma noite. Uma das histórias mais tensas dentre as que eu li até agora, com o senso de urgência lá em cima.



Almost Colossus

Essa aqui é o payoff da subtrama envolvendo Liz e o homúnculo que ela encontrou no tpb anterior. Mais um monstro clássico repaginado, o homunculo e seu "irmão mais velho" funcionam aqui como reinterpretações do mito do prometeu pós moderno, como imaginado por Mary Shelley em seu clássico "Frankenstein". Ao final, Liz termina recuperada e o Bureau periga ter ganho um novo membro.


THE RIGHT HAND OF DOOM. 
Roteiro e arte de Mike Mignola



Esse aqui é um álbum pelo qual eu tenho certo carinho especial, já que foi um dos primeiros que eu comprei, adquirido em meus primeiros anos morando aqui em SP. A Mythos, se não me falha a memória, publicou isso aqui lá por meados de 2005, 2006 e foi onde eu me apaixonei de vez pela série (e já tinha a minissérie, tb publicada pela Mythos uns anos antes, com seus 2 números, como foi lançada aqui, comprada numa banca lá em Avaré City). Foi onde eu peguei o ritmo da série: sobrenatural misturado com ciência pop, tramas curtas com final súbito e outras mais longas e com um ritmo mais sincopado. 

Pancakes

Provavelmente, minha história favorita do Hellboy, simples assim




The nature of the beast

Pra um aventureiro, matar seu primeiro mecha nazi e sua primeira aranha gigante são batismos importantes, mas não devemos desmerecer o quão significativo é enfrentar seu primeiro dragão. :-)

King Void

Mais lobisomens e mais uma surra homérica levada pelo HB, numa história sobre homens ambiciosos e os riscos de se negociar com o diabo.

Heads

Primeira história da série com ambientação na mitologia japonesa.

Goodbye Mr. Tod

Eu sempre achei estúpido esse pessoal que tenta se comunicar ou mesmo negociar com o sobrenatural. Essa aqui é a história de alguém que faz dessa comunicação seu ganha pão e o que rola quando ele vai pra umas quebradas metafísicas sinistras e se vê diante do old one errado.



The Varcolac

Sendo um apreciador de mitologia, adoro como os mesmos mitos surgem espontaneamente, mas com elementos distintos em comunidades completamente diferentes, espalhadas em pontos isolados do planeta. Tipo o próprio mito do lobisomem, que tem uma cara sob a perspectiva européia e outra parecida, mas diferente, aqui no Brasil. Ou mesmo vampiros, que protagonizam esse conto curtinho, que se apresentam de um jeito em sua terra natal e em outro completamente diferente, por exemplo, no Japão (foi lendo esse tpb, inclusive, que descobri que o melhor jeito de derrotar um vampiro nipônico é deixando um prato cheio de arroz na cozinha, já que, segundo as lendas locais, o bicho é obrigado a contar grão por grão quando se vê diante de um prato ou recipiente cheio do cereal, antes de poder se deslocar pelo resto da casa). Temos os elementos clássicos do mito que se repetem aqui (o lance da estaca e das noivas) mas tb certos "desvios da norma" na figura do Varcolac e seu habito de "comer a lua". Bichão sinistro.

The right hand of doom

Uma das duas principais histórias do gibi. Essa aqui recapitula os eventos da trama principal ocorridos até agora, além de acrescentar alguns novos detalhes, antes de seguir adiante.



Box full of evil

Retomamos aqui o tema principal da série: homens tentando ser deuses e Hellboy, um deus tentando ser o mais mundano e comum possível. Só lá, caçando bicho papão, tomando breja e comendo suas panquecas. Temos a primeira aparição de Igor Bromhead, antagonista que voltará no futuro, se minha memória não me trai, para atormentar nossos heróis. 
E, claro, temos minha cena favorita dessa série inteira, e, de tiracolo, a melhor frase da série segundo minha relativamente humilde opinião: 



A história além do tema citado acima, retoma tropes já familiares aos fãs da série do Mignola, como pactos mefistofélicos e mansões sinistraças, saída dos piores pesadelos de Alan Poe. E um dos mais importantes temas trazidos de volta nesse conto é a dicotomia entre destino e livre arbítrio, com o personagem principal se reafirmando como senhor do próprio destino e renegando qualquer papel profetizado que lhe é imposto quando confrontado com seus inimigos. 
Ao final, os vilões são vencidos, e alguns pobres infelizes conseguem exatamente o que queriam ao negociar com o cramulhão, ainda que não exatamente da forma que queriam. E Hellboy encerra o quarto volume decidindo entender melhor seu passado, visando poder, como consequência, renega-lo com mais propriedade. A história segue caminhando, sem pressa. E que bom que é assim, nos dando a chance de apreciar a jornada com calma, antes de atingirmos o ponto de chegada.



A seguir: Conqueror Worm, Strange places e Into the silent sea. 

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