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terça-feira, 25 de julho de 2023

Navegando pelo multiverso: "Earth X" - parte 05



Uma edição um pouco menos cheia de eventos, toda centrada em personagens se movendo, personagens conversando e, claro, em um gigantesco confronto. E isso é um elogio, veja bem. Um daqueles momentos de respiro antes da ação voltar. 

O foco, que já passou pela fossa séptica na qual os EUA se tornaram, Europa e espaço sideral agora se volta para a África, ou mais precisamente Wakanda. Reed e os Inumanos tentam comparar informações com o rei T'challa, mas este se mostra refratário aos avisos do Sr. Fantástico. 


Enquanto isso, uma versão bestial do Hulk e um garotinho (Banner?) vão até ao Santo Sanctorum atrás de Cleo, a Doctor Strange desse mundo. 

Frustrado pela recusa do Pantera Negra em ajuda-lo, só resta para Reed auxiliar os Inumanos em sua busca por membros perdidos de sua raça e para isso, ele decide ir até Westchester e utilizar o Cérebro, o computador desenvolvido por Charles Xavier. 


Mas claro, o coração da edição é o confronto entre Steve Rogers e o jovem Caveira Vermelha. Não uma versão do vilão, clone ou nada do tipo. Apenas um garoto com poderes mentais extremamente desenvolvidos, capaz de manter multidões sob seu controle. É exatamente o confronto estilo "Boomer vs Millenials" que vocês poderiam imaginar. Rogers com idéias voltadas em direção ao sonho pelo qual sempre lutou e seu jovem oponente com o pragmatismo e "perpétuo agora" típico - sem juízo de valor aqui - das gerações mais novas. 

Apesar do jovem dar claros sinais da falta de moral típica de sociopatas, o "pecado" dele parece outro: certa falta de conhecimento Histórico. Quando o Capitão o acusa de ser um novo Hitler, o rapaz responde com um "Quem?"

Como o NOSSO mundo em seu igualmente lento apocalipse nos ensinou nos últimos anos, "quem esquece seu passado tende a repeti-lo". 


Por fim, descobrimos qual pode ser o objetivo final dos Celestiais ao iniciar a gigantesca máquina histórica que é o planeta Terra do universo 616: no final, o objetivo final de quase todo organismo vivo. Procriação. A humanidade e a semente celestial que as gigantescas deidades alienígenas inseriram em nossa raça nada mais é do que a chave para a criação de novos celestiais e seu germinar, segundo UATU, era inevitavel.

O que nos traz à pergunta: vai haver um planeta para que a humanidade possa ascender às estrelas ou o apocalipse em processo já está em um estado avançado a ponto de negar este salto final?


segunda-feira, 24 de julho de 2023

Navegando pelo multiverso: "Earth X" - parte 04



Correndo por fora, mas igualmente permeando todas as edições da série até agora, está o tema da humanidade de Aaron e sua posição única por ser, ao mesmo tempo, homem e máquina. 

Enquanto Uatu enxerga seu apego à humanidade como fraqueza, meramente resultante da programação engenhada pelo "inventor" de Aaron, este vê tais características como fontes de força. Fruto do amor que ele recebeu de seu "pai". Se isto é de fato, força ou fraqueza, só saberemos ao final da série. 


Neste capítulo, Earth X começa a nos trazer algumas respostas sobre os horrores acometendo a Terra 616 e as origens de tais sortilégios. 

A edição usa seu formato de forma muito inteligente, nos mostrando as origens do Príncipe Submarino e um pouco de sua história e passado com humanos E super-humanos para, só no apêndice, ao final, mostrar como ele é um player fundamental para a crise planetária. No final, depois de enfrentarem toda a sorte de invasor multiversal, cientista louco, mummudrai e outras aberrações, o que trouxe o mundo para a beira do precipício foram apenas... comida e energia. Na tentativa de oferecer energia gratuita para o planeta, Reed pode ter causado o despertar do gene mutante em toda a humanidade.

Por sua vez, com a escassez de recursos para alimentar todo um planeta, os humanos se voltaram para os heróis como seus líderes, rejeitando a democracia e atribuindo a estes o papel de figuras políticas ao redor do globo. E estes voltaram seus olhos para os mares, procurando por comida. E isso deixou Namor muito..MUITO insatisfeito. 


Ainda é nos revelado que Vibranium pode ser uma das causas da crise planetária, estando conectado ao fim de Titã, lua dos Eternos que deixaram a Terra, milênios atrás. 


E ao final da edição, a ameaça que paira desde o primeiro número revela seu rosto. E surpreendendo ao todos, ele não é o rosto de um homem, mas de um garoto ainda na adolescência. Por que, como Uatu comenta com Aaron ao final, a história traz vários casos de jovens monarcas ordenando a morte de homens feitos. Poder não escolhe idade. 

O futuro da Terra gira agora, em torno da decisão de Steve Rogers de parar ou não, o fascismo emergente, mesmo que isso signifique ter em mãos o sangue de alguém pouco mais velho que uma criança. 

Para não dizer que eu fui apenas elogios à edição, tem uma fala sobre "equalidade ser o nulificador da individualidade" que me incomodou, enquanto anarco-socialista defensor de uma sociedade igualitária. Mas vou acreditar que essa fala exista dessa forma por sair da boca de UATU, que representa a lógica fria, contrastando com a paradoxal humanidade de x-51. 

Vamos ver, conforme a série avança, o que vai vir desse choque. 


"Foi pra isso que você me trouxe aqui, Uatu? Para que eu possa testemunhar... o fim?"

quarta-feira, 31 de maio de 2023

Navegando pelo multiverso: "Earth X" - parte 03


No número 2, terceiro capítulo (contando o ep. 0) da série, x-51 volta seu olhar para alguns dos outrora demais campeões que a Terra já teve. 

Os Inumanos, tentando entender as mudanças no que um dia foi o mundo que chamaram de lar, vão atrás de seus velhos aliados, o Quarteto fantástico, para conseguir informações.


Então, encontramos um aposentado Ben Grimm, distante de sua persona mais famosa e dos dias de aventuras. É quando começamos a entender o que aconteceu com a humanidade e que ocasionou a evolução, se é que se pode chamar assim, da raça. Em um dia, quase toda a humanidade começou a apresentar poderes super-humanos. E em mundo de super humanos, qual a necessidade de super heróis?

Descobrimos também o trágico fim do quarteto, quando Sue e Johnny caíram em batalha contra Von Doom e Namor. E como o choque resultante, aliado a necessidade de entender as razões que levaram a humanidade quase inteira a desenvolver poderes, levou Reed a se isolar no palácio de seu nêmesis. 



"A estrada para o inferno é pavimentada de boas intenções"

Existe uma lenda que diz que Santos Dumont, que cometeu suicídio, teria o feito como resultado do trauma de ver suas invenções usadas para fins belicistas. Informações descobertas posteriormente nos fazem pensar que é mais provável que seu suicídio tenha sido decorrente de depressão, mas é compreensível porque a versão mais "popular" é a que vem fortemente carregada de tons "românticos". A figura do cientista bem intencionado que se vê insignificante diante dos horrores que ele próprio inadvertidamente liberou no mundo é um trope comum na ficção desde Victor Frankenstein e que encontra certo eco na vida real.

Você pode encontrar em vídeo o fatídico comentário de Oppenheimer que, diante da grandiosidade de sua bomba atômica cita a passagem do baghavad gita e se declara "um destruidor de planetas". 

Da mesma forma, vemos Reed, tal qual Steve Rogers, quebrado diante das consequências de suas melhores intenções. Portais para outras dimensões, usados por homens pequenos como depósitos de lixo tóxico e nuclear, além de prisões para os enjeitados sociais. Um sistema de distribuição de energia gratuita e de proporções globais, sendo uma das possíveis causas do "salto evolutivo" da humanidade. 


Suas intenções heróicas, resultando na morte de metade de sua família. Considerando toda a culpa que o líder dos Fantastic Four sempre carregou pelas mudanças que sua viagem ao espaço causou em seus familiares mais próximos, é compreensível que sua psique não tenha aguentado os traumas repetidos e se partido de vez. O diálogo entre ele e Tony Stark vem carregado da melancolia de homens com um potencial imenso, mas que foram deixados para trás por causo do avanço inexorável do tempo. 

O tom de nostalgia em Stark não é diferente do aspecto kitsch das criações de Alícia Masters que vemos na cena do jantar dos Grimm com os Inhumans. A personagem que outrora foi uma mulher cega com o talento de escupir em barro, ganhou tons semi-divinos quando seus poderes se manifestaram. Não apenas ela recobrou a visão, mas ganhou também o dom de animar e conferir senciência as suas criações. No entanto, o que vemos são estátuas inspiradas nos heróis do passado. Fantasmas, estátuas de cera. Não muito diferentes dos Vingadores de Ferro de Stark. Reminiscências de natais passados.





O quão patético é que, Reed e Stark, dois futurólogos capazes de desenhar o destino de seu universo por séculos adiante, terminem em um mundo sem futuro, tendo que se limitar a olhar pro passado e para os "bons velhos tempos"?

E enquanto homens velhos lamentam pelos dias perdidos, uma sombra espalha suas asas pelo mundo.


Enquanto as maravilhas dos dias passados dançam, um fantasma ostentando sua máscara da morte rubra avança...

terça-feira, 23 de maio de 2023

Navegando pelo multiverso: "Earth X" - parte 02


Na edição anterior, Aaron Stack foi "presenteado" (ou amaldiçoado, dependendo da perspectiva) com....bom... "perspectiva" é a palavra. Perspectiva histórica. Cósmica. Os olhos de Uatu. 

No texto anterior eu não comentei a esse respeito, mas é preciso lembrar que eu leio essa série com a "visão" de alguém que recentemente leu Inferno#4 de Jonathan Hickman e.... A edição que, sem hipérboles, muda TUDO no universo Marvel. Neste últimos 60 anos de existência da editora, principalmente depois da celebrada passagem de Chris Claremont pelos títulos mutantes, a história da Terra 616 tem sido vista como um cabo de guerra entre duas espécies: humanos e mutantes. O que Inferno faz, é nos lembrar que existe mais uma raça correndo por fora, desconsidera, desprezada, mas que decidiu clamar por sua posição como potenciais senhores do futuro do mundo: as máquinas. 

Formas de inteligência artificial, como é o caso da pedra fundamental deste universo: James Hammond, o Tocha Humana original. Na cena em que Aaron vê o nascimento do andróide, há um fechar de ciclo.




O passado, presente e futuro daquele planeta, girando em torno de seus homens-máquina. Claro que, mesmo esta perspectiva é uma simplificação, já que desconsidera outros agentes importantes na luta por dominância nesse contexto: Inumanos, Atlantes, Deviantes, Eternos, a nação Vampira, além dos "imigrantes" vindos de outros planetas ou mesmo dimensões e que fizeram da Terra a sua morada. 

O olhar de Aaron então, deixa o passado e foca no presente diante dele. Os Inumanos retornando para seu mundo de origem.

Uma América quebrada, consumida pela apática e lenta morte decorrente do capitalismo tardio, simbolizada não apenas pela grotesca figura do líder eleito daquela nação, Norman Osborn, mas por seu campeão. O homem conhecido como Capitão América. 

O sentinela da Liberdade aparece em uma cena que representa sua luta perpétua, seu pathos, sua razão de existência: um homem sozinho, contra o pensamento-colméia do fascismo. Um fascismo que, como é típico dele, coisifica. Torna tudo que toca em um monstro sem forma, sem individualidade, sem agência e poder. Uma coisa que apenas existe, que entregou qualquer poder ativo pela comodidade de fazer parte um grupo. Sem vontade própria, sem emoções. Vivendo pela propagação das próprias crenças, como uma idéia-vírus. 



Depois de décadas e décadas de guerra contra o fascismo, de guerra contra homens malignos tentando subverter o mundo à suas crenças e, paradoxalmente, de guerra contra "guerras", mesmo Rogers se vê exausto, quase cedendo ao pensamento-colméia. 

Homem ou Super-homem? 

"Qual o propósito da guerra se a paz for uma impossibilidade?"



A América de Earth X é um país distante do sonho do Capitão América. E como tal, o personagem se mostra um fragmento de um passado morto. Um sonho que se assemelha a imagem que temos de nossa passagens oníricas noturnas quando já acordados: sombras, memórias de memórias que nunca existiram. Vislumbres. Pedaços de um caleidoscópio partido em mil pedaços. 


Steve Rogers é um homem demolido não apenas pela passagem do tempo, mas por ter se ancorado em um sonho de América que nunca existiu. América. A terra da liberdade e casa do 1%. 

Sob o olhar perturbado de Stack, descobrimos que o Duende Verde transformou o país em seu quintal pessoal onde, a partir do poder eleito, transformou o país em uma subsidária da Oscorp. Onde famintos vivem apenas para trabalhar e sobreviver das migalhas que a elite "misericordiosamente" lhes joga de tempos em tempos. (Ainda bem que é só ficção).


"Homens não são feitos de pedra ou aço, mas barro, moldado pelas mãos da experiência".

Não existe sonho que sobreviva diante da fria realidade. Mudar ou morrer. Se adaptar ou ser deixado para trás.

Rogers fez sua escolha e agora, paga por ela. E o mundo inteiro com ele. 

A fantasia segue. Vingadores robôs. Cores que se destacam diante de um contexto pétreo e vazio. 

Sombras, sonhos de um passado que homens velhos tentam manter preso em âmbar. Gigantes mortos.

"Desesperai, ó grandes, vendo as minhas obras".

Arte e roteiro se juntam maravilhosamente contando o paradoxalmente sereno e cacofônico lento morrer daquele mundo. 

"an end..."

quinta-feira, 4 de maio de 2023

Navegando pelo multiverso: "Earth X" - parte 01


 
Yo, dogs. wazzup, wazzup, wazzup, wazzup, wazzup. 

Finalmente começando uma seção nova aqui no blog que eu já tinha rascunhada na cabeça já faz um bom tempo (acho que até cheguei a comentar sobre ela aqui, uns anos atrás...).
Bem vindos ao primeiro episódio da "Navegando pelo Multiverso", onde eu, seu host, vou, a cada duas semanas, pular de cabeça em algum grande arco ou título fechado, pra devorá-lo de uma vez e regurgitar minhas opiniões aqui (essa frase não soava tão asquerosa até eu vê-la escrita). 

Em uma semana, podemos falar sobre o universo 2099. Na seguinte, vamos discutir sobre a natureza da existência com a StrikeForce Murituri. Na seguinte? Só os grandes anciões galácticos sabem. 
Para tal empreitada, usaremos minha recém construída, totalmente original e em absolutamente nenhum aspecto semelhante à TARDIS do Doctor.

Ultranave Randômica Senciente Omniversal



Mais pura força de vontade e gambiarragem. Eu a chamo de Ultranave Randômica Senciente Omniversal. Porque é um trenzão, que vai pra onde quer, pensa por si só e não se limita a um ou dois multiversos distintos. Tenho certeza de que existe um acrônimo em algum lugar do nome dela, mas me falta imaginação pra tal. E vocês sabem, as únicas coisas que um nerd ama mais que funko pop são máquinas e organizações sinistras cujo nome é um acrônimo. Mas enfim...

No episódio de estréia, vamos nos debruçar sobre TERRA-X. A idéia é em um textão, falar das séries inteiras que eu vier a ler. Mas, no momento da confecção destes posts, eu estava particularmente inspirado e acabei fazendo um textinho relativamente curto para cada uma das 13 (as 12 e mais a edição zero) edições desta série. Ou seja, 13 textos garantidos e mais dois cobrindo as sequências, Universo X e Paraíso X. Talvez, BEM TALVEZ, um final, com comentários sobre a saga por completo.

Bora?

So... tudo começa em 97 quando a finada revista Wizard faz uma matéria com Alex Ross, pedindo pra ele imaginar como vai ser o futuro do universo Marvel. Como resultado, artes mostrando versões bem próximas das que terminaram nas páginas de Earth X de alguns dos personagens mais famosos da editora. O negócio foi bem sucedido em um nível tal que a edição da Wizard que trazia estas artes acabou esgotando rapidamente.

A editoria da Marvel, vendo o rebuliço, decidiu que dava pra milkar essa vaca. Conversas rolaram com Ross que se interessou pela idéia de se aprofundar nesse mundo, contanto que ele não precisasse fazer o roteiro ou as artes. De fato, o artista terminou fazendo apenas as artes de capa da série e de suas sequências. Na parte mais laboral do trampo, ficaram Jim Krueger nos argumentos e John Paul Leon na arte. 

E o resto é história, publicada entre Março de 99 e Junho de 2000. Com o sucesso, Universo X foi publicada no ano seguinte, com a parte final da série, Paraíso X, saindo em 2003. 

A idéia, sejamos honestos aqui, era imaginar como seria o Kingdom Come da Marvel. "E a história é tão boa quanto Reino do Amanhã?", você me pergunta, kemosabe.

Não. E sim. Mas não. Mas em alguns momentos, sim. No final, é algo MUITO diferente, apesar de partir da mesma premissa. Muito distinto em tom e na estrutura do storytelling, em como quer contar essa história.

Earth X tem idéias bem interessantes, com uma boa execução, mas o ritmo pode ser meio cansativo. Apesar de vermos os eventos diretamente, eu diria que na maior parte do tempo, testemunhamos a guerra entre Steve Rogers e o novo Caveira Vermelha, as ações de Reed Richards e a chegada de uma ameaça espacial como jamais vista, através de diálogos entre Uatu, o Vigia, e Aaron Stack, o X-51. Eu entendo que isso, esse volume de exposição, pode ser meio over the top, mas eu gosto de imaginar que o ritmo e o estilo de narrativa são pra acentuar o aspecto ao mesmo tempo documental e teatral dos eventos que estamos assistindo. De fato, Aaron e o Vigia estão assistindo ao "documentário em tempo real" narrando o fim da Terra 616. O que vai diretamente em direção ao tema principal da série: ação vs passividade. Registrar histórias como um observador imparcial ou se tornar um agente da História, essa com H maiúsculo, ao invés de simplesmente reagir a ela? É aquela metáfora do documentarista na selva, vendo um predador espreitando sua presa. Fazer algo pra salvar o bichinho, acabando com qualquer perspectiva de isenção enquanto observador daquele espaço ou só deixar a natureza seguir seu curso, se abstendo de qualquer tipo de julgamento moral a respeito dos eventos documentados?

Recentemente, a Marvel lançou um prequel para a série, Marvels X, que mostra como aquela versão do universo 616 chegou no estado distópico que chegou. 

Ainda não li Marvels X, mas pretendo pegar um dia. Se prestar, eu comento aqui. 

Por hora, no entanto, vamos falar de Terra X. This is how the world ends. 


EARTH X Nº0

Certo dia, Aaron Stack acordou de sonhos intranquilos. Mas, ao contrário de Gregor Samsa, o rapaz não haveria por que temer perder a própria humanidade ou que seu corpo adotasse formas inumanas. 




A metamorfose ocorrendo neste momento, seria conceitual e, de certa forma, coletiva, compartilhada com a raça com a qual tenta conviver em paz. 

Uma porta que vai leva-lo para o infinito. Despido de sua aparente humanidade, mas escolhido exatamente pelo aspecto real que ele carrega consigo.



"I don't have the eyes of my father"

Depois do mergulho nas trevas, Aaron se vê diante de uma "deidade" cega, um vigia incapaz de enxergar e precisa tomar seu lugar como o par de olhos que registra os eventos diante dele. 

Vigia "morto", vigia posto. 

"I got eyes but I'm not a watcher"

A partir daí, o time criativo nos leva pela mão para assistirmos algumas centenas de milhões de anos da Terra 616. Quando Deuses criaram a humanidade. Quando anos depois, a julgaram indigna.

Quando retornaram pela terceira vez e encontraram guerra e, finalmente paz. O resultado de seu trabalho, no entanto, já apresentava sinais de vida. A semente Celestial, parte estrutural das espécies que caminham pelo terceiro planeta do sistema solar. 

"why do you show me this?"

"the celestials are evil".



A retórica de Uatu parece excessivamente fria ao descrever a natureza meramente conceitual de conceitos como bem e mal, mas é preciso lembrar que à História, com H maiúsculo, é reservado o papel de julgar eventos ocorridos em um determinado período. É o distanciamento histórico que vai permitir a clareza de julgar o que é, de fato, bom ou mau. O que é bem e mal aos olhos de um Deus?

Quando a faísca potencial que os celestiais implantaram na humanidade começaram a finalmente queimar, a humanidade se viu invejosa. "prego que se destaca leva martelada". 

Algo sobre a grama do vizinho ser mais verde...



Se uma árvore cai na floresta enquanto ninguém está perto pra ouvir, ela faz som?

O gato da caixa de Schroedinger está vivo ou morto?

Uma história ocorre de fato se não houver pelo menos um par de olhos para testemunhá-la e passar tais eventos adiante para que possam correr mundo afora?

Enquanto houverem eventos extraordinários acontecendo naquela Terra, é preciso que haja uma testemunha para se emocionar com as aventuras de tais maravilhosos gigantes.

É preciso público, é preciso um leitor, é preciso um observador.





É preciso um Vigia. 

Os loucos tomaram conta do sanatório...

  O lendário show do Cramps em um asilo mental em 78... Venus Lux, Poison Ivy e banda, completamente soltos tocando pros internos e interagi...