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sábado, 10 de junho de 2023

Audioteca crítica


E aí, meus queridos ímpios?

Então vocês sempre quiseram conhecer um pouco mais da literatura vermelha, esquerdalha, canhota e tals, mas não conseguem ler duas páginas sem bocejar? Vocês são que nem o Hak, que é fraquíssimo pra livros sem figura?

Bom, parte dos seus problemas terminaram, meus caros. O pessoal da Soberana, pensando em leitores preguiçosos tipo "nós" ou apenas pra gente sem tempo pra ler textos grandes, fizeram audiobooks com alguns textos revolucionários.

Tem coisa de gente nível Fidel Castro, Guevara, Fred Hampton, Mao, Alexandra Kollontai, Lenin, Marx, Engels e outros.

Tá lá na academia puxando 50 kg no leg press ou fazendo 5km de esteira? Tá no busão entediado e já ouviu tudo seus podcast nerd da semana? Tá no trampo entediado e só tem teus fones de ouvido pra se distrair (e nem rola ir ler coisa na internet porque a tela do seu computador é visível pra mesa do seu patrão)?

Tá aí. Aproveita pra ouvir umas canhotices e aprender umas paradas legais. Botei vários na playlist abaixo, mas tem mais episódios lá no Spotify. 

É só dar o play. Paz entre nós e guerra aos senhores!!!


segunda-feira, 26 de julho de 2021

Sobre socos não dados: O Capitão América de Ta-nehisi Coates


Há 3 semanas, no dia 07 de Julho, a Marvel lançou o número 30 do atual run da HQ do Capitão América, notável por ser a última edição do gibi com roteiros de Ta-Nehisi Coates. 

Como de praxe, eu prefiro ter uma certa quantidade de tpbs ou mesmo esperar até o run acabar antes de pegar pra ler, já que paciência é um recurso escasso neste humilde ursídeo. Li as 3 dezenas de revistas em dois dias, então, estou com os detalhes bem frescos na memória. Also, para fins de "transparência", preciso dizer que minhas expectativas estavam bem altas. Leitores de longa data do blog sabem que, mesmo com o final remendado e feito à base da pressão editorial, eu adoro, ADORO Secret Empire e todo a passagem de Nick Spencer pelo título do sentinela da liberdade. É provavelmente minha fase favorita do Capitão. E por causa, obviamente, de Sam Wilson. 

O manto do líder dos Vingadores caiu no ex-Falcão como uma luva. E mais importante: Sam Wilson é o homem perfeito para ser a personificação do sonho americano nos nossos dias. Ou, pelo menos, de UM sonho americano. Com elementos do original, mas com as alterações necessárias para incluir, de fato, todo tipo de pessoa, independente de cor, credo, raça e orientação sexual. 

Mas claro, pq os fanboys são uma porcaria e o mundo é injusto as fuck, Sam não durou muito tempo com o escudo, que voltou pro Capitão que é um ex-policial branco de olhos azuis. Um homem como antigamente. "A man's man", como dizem em inglês. E esse é todo o problema, não? Mas me adianto: após o fim do run de Spencer, Mark Waid assumiu o título. Novamente, hype lá em cima. Waid é o autor de alguns dos meus gibis favoritos, então, não tinha como dar errado. E, tecnicamente, não deu... mas...


e obviamente tinha um "mas" vindo e vcs sabiam disso....


...eu não gosto da passagem dele pelo título. Nem porque tenha sido ruim, até pq não foi. Mas por ter sido só... uma trama de super heróis. Em qualquer outro momento histórico, eu entenderia a abordagem. O Capitão ser um personagem high adventure, sem grandes temas, apenas aventura pela aventura, tem seus méritos. Funcionou por boa parte dos anos 90, inclusive com roteiros do próprio Waid. MAS HOJE EM DIA? Não. Principalmente depois do backlash de Secret Empire? Parecia que a Marvel estava tentando evitar polêmica simplesmente evitando quaisquer temas mais potencialmente espinhosos que pudessem enfurecer o fandom. E não falo apenas da parcela mais reacionária deste fandom, mas dele como um todo pq INCLUSIVE a ala mais à esquerda ideologicamente falou merd* de Secret Empire, principalmente na época do "Hail Hydra". Declarações como "não, mas Kirby lutou na guerra e jamais apoiaria tal idéia". "O capitão é um símbolo fundamental e não pode ser distorcido dessa forma" se reproduziam como coelhos nos sites que cobrem cultura pop e quadrinhos especificamente. 

E claro que, da minha perspectiva lendo os gibis, eu achava isso estranho já que, enquanto Steve Rogers se revelava um sleeper agent da Hydra, Sam Wilson ia enfrentar supremacistas brancos na fronteira dos EUA e, exatamente por isso, era chamado de "Capitão Cuba", "Capitão comunista" enquanto o público, dentro e fora do gibi, levantavam a hashtag #givebacktheshield. 

Ou seja, crítica de quem não lia a revista e tals. Como sempre acontece. 

So... a fase do Waid evitou tópicos inconvenientes e era uma aventura puramente escapista. Saem grupos terroristas com origens em comum com nazistas e voltam histórias onde Rogers lutava conta o Espadachim para evitar que este explodisse uma represa. Gato no topo da árvore e tals. Feijão com arroz das histórias de super heróis.


Corta para alguns meses depois e recebemos a notícia de que o grande Ta-Nehisi Coates, autor premiado e jornalista, especializado em escrever sobre questões culturais e sociais americanas, principalmente envolvendo temas raciais, ia assumir os roteiros do título. Nisso, ele já tinha um certo número de edições publicadas do título de autoria dele do Pantera Negra e já sabíamos que ele "tinha as manhas" para esse tipo de storytelling. 

Novo corte temporal para hoje. Vinte e quatro horas depois de ter lido praticamente todo o arco que ele quis desenvolver pro Cap. e ... eu acho que eu não gostei do final?

Mas novamente, me adianto: a trama de fato, vai de cabeça em cima das consequências de Secret Empire. O mundo da Terra 616 é parecido com o nosso: dividido, paranoico, tenso. E num mundo fragmentado como esse, sempre há o risco de serpentes aparecerem para se aproveitar da confusão e causar caos. E obviamente, tanto lá como cá, é exatamente o que acontece. Tentando descobrir os últimos focos de resistência da Hydra depois da derrota sofrida em SE, Rogers se depara com um inimigo retornado dos mortos: o russo Aleksander Lukin. Criado durante a épica fase de Ed Brubaker e Steve Epting pela revista, o ex militar russo é o responsável pelos eventos que levaram Bucky Barnes a se tornar o operativo conhecido como Winter Soldier. E mais importante, ele divide a própria mente com a consciência do nêmesis de Rogers, Johann Schmidt, a.k.a. o Caveira Vermelha. Famoso por tentar canalizar o ódio oriundo do preconceito para seus próprios fins, o Red Skull assume uma persona meio "Richard Spencer/Olavo de Carvalho" e passa a surfar em cima da onda de ignorância coletiva. 

Mobilizando homens - e, salvo a própria filha, Sin, e a bruxa Selene, majoritariamente homens e isso é importante - para sua causa, rapidamente grupos supremacistas começam a ganhar força em solo estadunidense, motivados pelos discursos e textos de Schmidt. Inclusive, em um daqueles maravilhosos exemplos da lógica típica dos quadrinhos fantásticos, literalmente, já que o vilão tem acesso a uma bomba que é LITERALMENTE energizada a partir do ódio coletivo. 

Depois de uma série de eventos que inclui também, mas não apenas, Rogers descobrindo DUAS comunidades independentes formada majoritariamente por homens abraçando os ideais supremacistas do Caveira - vocês sabem, lugares onde "homens podem ser homens". Trabalho braçal, a idéia deles como chefes de família. Como era "antigamente", nos "bons e velhos dias" - a revelação da existência das "Daughters of liberty", o rejuvenescimento de Sharon Carter e a revelação de que Peggy Carter está viva, o protagonista vai para o confronto final com seu arqui-inimigo. E é aí que o gibi me perde. 

Na trama, Steve e o Skull simplesmente conversam. Um debate das convicções que alimentam suas respectivas ideologias. O Caveira, então, revela que seus seguidores são apenas "bois de piranha" e que vão ser sacrificados sem qualquer problema em nome de sua causa. Então, o herói revela que o tempo todo, ele esteve transmitindo o conteúdo daquele diálogo para a internet, onde tal conversa era acompanhada em tempo real por todo o séquito de seguidores de Schmidt. Chocados, eles parecem subitamente perceber a natureza de seu suposto "messias". Então, Rogers parte dali, vitorioso.

E se vocês estão pensando agora em como isso parece uma vitória vazia, vocês começam a entender o pq de eu não ter gostado da conclusão. Primeiramente: inferioriza a trama como um todo, como certos finais ruins podem fazer com histórias serializadas de longa duração? Eu diria que... sim... e não. 

Não, pq o gibi é bom e tem momentos maravilhosos.

Mas sim pq, ao mesmo tempo, passa a impressão de que Rogers não aprendeu absolutamente nada no processo. Ou, que se ele mudou, não foi da forma ....."certa"? Em um determinado momento da história, um justiceiro conhecido como "Scourge" começa a caçar e assassinar policiais que, depois, descobrimos serem operativos do Caveira dentro da corporação policial. Neste momento, Rogers revela que ele tem particular ódio por assassinos de policiais. "Cop killers" como bradava o Body Count em sua canção de mesmo nome. Em outro, diante de supremacistas atacando imigrantes na terra de ninguém entre a fronteira mexicana e americana, o protagonista questiona se ele deveria de fato se envolver, já que a própria presença dele ali contraria leis existentes. 

Se isso parece incomodo, é porque é e porque é pra ser mesmo. Esse é um dos pontos que eu gosto da trama: mais de uma vez, durante a saga, o Cap. menciona que ele já teve um momento em que teve uma identidade secreta que era um policial. Não que isso precisasse ser literal para interpretarmos o personagem sob essa luz. O Capitão América sempre foi um policial americano e os Vingadores, "A" força policial da Terra 616, combatendo "aliens" e subversivos que possam tentar mudar o status quo reinante. Pq, como a polícia do nosso mundo, a missão dos heróis não é proteger os inocentes ou evitar injustiças, mas manter as coisas como elas são, como "deveriam ser" e como "sempre foram". Qualquer outra leitura da polícia e da sua função no mundo cai em certa ingenuidade. E se a polícia é uma organização profundamente corrupta... bom, o que isso diz a respeito dos Vingadores?

Ou do fato do maior herói da Marvel ser um Capitão?

"For dreams, men die. but for nightmares? Men kill".

Transformar o sonho americano em uma arma é a forma mais fácil de quebrar o Capitão América. E não é preciso muito para o tal sonho se revelar um pesadelo a olhos abertos. Em Watchmen, Alan Moore defende que o produto final do tal sonho seria um fascista psicótico mais parecido com o Comediante do que com Rogers. O "sonho" americano é uma construção que afirma que "se você for para os EUA e trabalhar, invariavelmente você vai conseguir dinheiro e sucesso, mesmo que leve muito tempo para isso". Um saco de idéias onde você encontra elementos de "direito divino" e "meritocracia"  aliados. O "ethos" fundamental americano, norte moral e ideológico da terra do Tio Sam.

E, claro, uma mentira. Uma fantasia que, com o tempo e as vitórias conquistadas por grupos sociais minoritários americanos, vem desabando. E a classe dominante, o WASP (White anglo-saxon protestant, ou anglo-saxão protestante branco), o homem branco, não vê essa perda de protagonismo com bons olhos. E aí ele se enfurece. E olha pro passado quando ele reinava "soberano". E decide lutar em nome desse "passado glorioso". Não é pra menos que uma das comunidades "à moda antiga" criadas pelos vilões se chama "Adamsville". Adam, remetendo obviamente à Adão, o primeiro homem. E não coincidentemente, Adamsville também tem sua cota de "serpentes" presentes. 

Coates é bastante eficiente em deixar claro quais os temas discutidos na série. Diversas vezes vemos oásis de nostalgia, encabeçados por falsos profetas e parasitas (no caso de Adamsville, isso é, novamente, literal, já que a comunidade é chefiada por Selene Giallo, a Rainha Negra do Clube do Inferno. Que é, lembremos, LITERALMENTE uma vampira que se mantem viva há milhares de anos se alimentando das almas de outras pessoas). Essa cadeia de comando, levando inevitavelmente até o Red Skull, novamente tentando espalhar suas crenças nazistas no coração da América.  

Tal qual ocorreu na fase de Spencer, a polícia e sua versão corporativa super humana da Marvel, os Americops, são utilizados para mostrar a função primordial da corporação como o braço coercitivo do Estado. A função primordial deles é impedir desordem. Mas claro que, estranhamente, ela parece olhar para o outro lado quando os grupos fascistas que apoiam os ideais de Schmidt decidem tornar suas vozes públicas. 

Em se tratando do tipo de tema que Coates normalmente levanta, em sua coluna no The Atlantic ou em seus livros, somado ao fato de que ele é um homem negro vivendo nos Estados Unidos dos anos 80, 90 e pós 2000, a mensagem é clara. E, devo dizer, ainda mais gráfica até do que na fase de Spencer, onde esses temas já se revelavam de forma nem um pouco discreta. 

Mas então... considerando tudo isso.., pq eu não gostei do final?

Cara, isso vai soar ridículo, mas eu não acredito nele. Simples assim. Mas piora quando você pensa na mídia em que ele se insere. Quadrinhos de super heróis. Onde, normalmente, as coisas vivem em binários bem distintos. Bem e mal, com alguns tons de cinzas entre eles, ocasionalmente, mas... 

Meu problema é: o final, onde o Caveira Vermelha diz que não dá a mínima para seus seguidores e que VAI matá-los se precisar, sem a mais remota sombra de culpa e isso causa um choque de realidade em tais pessoas... isso simplesmente não se sustenta. E o gibi sabe disso, tanto que menciona, momentos depois, que já existem grupos dizendo que continuam apoiando o vilão pq, afinal, "pelo menos ele fala a verdade". Onde já ouvimos isso antes?


Aquele diálogo entre herói e vilão era para ser o clímax emocional do gibi, o embate final e... tipo..o que exatamente o Capitão conquistou ali? Ele não derrotou o vilão. E a única vitória que ele obteve soa falsa quando olhamos pra fora do gibi, onde situações parecidas mas com tons menos fantásticos se repetem e não só essas figuras não perdem força mas acabam, ao final, ganhando influência. I mean, o presidente do Brasil atual se elegeu dizendo que a especialidade dele é matar. O plano dele para a própria população durante a pior crise sanitária da atual geração é...deixa-los morrer na casa das milhares - talvez, milhão - de vítimas. 

O ultimo ex-presidente americano disse em rede nacional que não fazia idéia de qual seria seu trabalho se eleito. Que chegava nas garotas já "pegando pela vagina". 

O fascismo se sustenta através de algumas crenças. A idéia da unidade, da coletividade em uníssono, do "fascio" - italiano para "feixe". Remetendo ao feixe de galhos, em volta de um galho maior. Separados, quebrar esses galhos é fácil. Mas, segundo os ideólogos desse conceito, quando vc reúne tais galhos, quebrá-los passa a ser mais difícil. Obviamente, a idéia é que os galhos menores simbolizem a sociedade e o galho mais grosso, ao centro, simboliza os militares. Outra das idéias bases do fascismo é o retorno ao passado glorioso, quando tudo era bom. E PRINCIPALMENTE, a idéia de força. Física, mesmo. Por isso, o fascismo é fundamentalmente masculino. E é nisso que eu digo que o final do arco de Coates piora quando pensamos que é um gibi de super herói. 

Eu sei o quanto soa paradoxal dizer isso: normalmente, quadrinhos de super heróis são ridicularizados por simplificarem grandes discussões na forma de porradaria pura e simples. Duas ideologias em conflito se chocam e, normalmente, a certa é a do cara que ganhou a briga. 

Mas é isso mesmo: estranhamente, ESSE é um arco que se beneficiaria em concluir a trama com um confronto físico. Poderia ser porrada como é em filmes de pirata, em que os golpes existem no espaço de silêncio do diálogo entre os personagens. Os socos e chutes existem para destacar de quem é a vez de falar. Mas de novo: fascismo. Força física. Para o tipo de pessoa que segue a ideologia fascista em todo seu machismo e falocentrismo, ver seu profeta quebrado, vencido, diante do adversário É, em si, um símbolo poderoso. 

Okay, soa simplista demais? Perfeito, vamos dar dois passos para trás. Acima, retomando os temas do arco, eu mencionei as Daughters of liberty e o rejuvenescimento de Sharon Carter. Ela foi um personagem importantíssimo durante a história, com um arco de empoderamento, de transcendência da posição arcaica de "dama em perigo". Isso se repete várias vezes durante a trama, como no momento em que ela aparece vestindo a armadura do Iron Patriot, previamente usada por Norman Osborn quando foi diretor da Shield e se apropriou de tecnologia das corporações Stark. 

DIABOS, pq não mostrar a Sharon enfiando a porrada no Caveira? Podia ser com a armadura, apesar dela ter treino em artes marciais e parecer poder ser páreo para Johann. Se eu já defendo que vai completamente em direção aos temas levantados pela série isso do vilão perder influência depois de ser humilhado fisicamente, que dirá se isso for feito por uma mulher. 

Eu entendo perfeitamente que a regra mais sagrada da crítica cultural é jamais julgar uma obra pelo que ela NÃO é ou pelo que ela PODERIA TER SIDO. Mas nesse caso, estes elementos estão dentro da própria trama e apenas parecem não ter sido usados por uma questão de escolha de Coates. E pelo menos pra mim, isso acaba enfraquecendo a impressão que eu tenho deste período do gibi como um todo. 

Falei pouco da arte pq a cada novo arco, muda a equipe artística. Fica meu destaque para o maravilhoso traço de Leinil Yu e, claro, Andy Kubert, um dos meus desenhistas favoritos. 

No mais, esse período é bem legal, com boas idéias e um uso dessas idéias particularmente interessante, mas que estranhamente, empalidece quando se esquece que está num dos poucos meios em que poderia utilizar dos tropes existentes - mesmo em seus tons mais clichês - de uma forma positiva e orgânica. Não sei se isso soa irônico ou não, mas me parece que o final padece por, simplesmente, faltar potência nele. 

segunda-feira, 19 de outubro de 2020

 


E já que falamos de política....

Arte absolutamente linda de Cristiano Siqueira

Run the Jewels lutando o bom combate


Eric Andre. Killer Mike. El-P. Adult Swim. Ben & Jerry's. Juntos, em uma apresentação épica para convencer a população americana a participar das eleições nacionais que acontecem agora e, juntos, tirarem aquela aberração laranja da cadeira presidencial. 

Aqui em terras tupiniquins, também estamos perto de eleições - até ordem em contrário, salvo os tempos "coronísticos" em que vivemos. Independente do processo eleitoral municipal ser adiado ou não, façam sua parte, senhores e se informem. Pesquisem os melhores candidatos. Procurem informações sobre aqueles que querem ocupar o cargo de prefeitos e vereadores. Google está aí pra isso. 

Sim, eu sei, minhas convicções anarquistas me fazem ter bem pouca fé em todo o processo político que temos aí, mas, sendo bem prático: a revolução não vai rolar nas próximas 24 horas, é o que temos para hoje, esses são os nossos limões, então, façamos a melhor limonada possível deles. 

Escolham de forma consciente, pesquisem. E façam a diferença. Aos poucos, tomamos o país de volta da escória pentecostal-neo-fascista que tomou o poder. 

segunda-feira, 7 de setembro de 2020

Ritmo, poesia, flores e bombas...

 


Eu mesmo, não conhecia até uns 40 minutos atrás. 
Foi vendo a idéia que o GOG mandou no documentário abaixo que eu descobri quem ela era.

Se liga (e aliás, recomendo que vejam o "Rap pelo rap", uma polaroid belíssima do que o rap nacional já foi, é e pode vir a ser nos próximos anos).

sexta-feira, 4 de setembro de 2020

American Utopia

 

Spike Lee + HBO + David fucking Byrne. 
Impossível não estar ansioso com o resultado dessa equação, que vai estar disponível pro mundo a partir do dia 17 de Outubro. 
O filme é uma adaptação do musical da Broadway, que além das canções do disco de mesmo nome lançado por Byrne em 2018, conta também com momentos de "spoken word" de Byrne além da apresentação de alguns dos clássicos do artista de seus tempos como líder dos Talking Heads. 
A idéia do álbum - e do projeto de arte multimidiático do qual ele fez parte, o "Reasons to be cheerful" - é basicamente, espalhar positividade. E sim, eu sei, meu estômago também vira ao ler sobre positividade, minha cabeça vai para cantos pouco amigáveis e imagina cenários hippies e delusionais, mas é David Byrne e ele merece algum crédito. A idéia não é abraçar o escapismo, mas  reconhecer que temos muito ainda para consertar coletivamente e, no processo, botar o holofote no que temos de mais sublime e naquilo que, como espécie, estamos fazendo direito. O que já é, em si, algo profundamente subversivo. 
E mais do que nunca, no cenário cínico e profundamente pessimista de 2020, necessário. 

terça-feira, 25 de agosto de 2020

Better living through circuitry



Assistir esse documentário foi uma experiência ligeiramente agridoce. Não exatamente nostálgica, porque eu nunca fui exatamente um frequentador de raves, principalmente considerando que eu morava numa cidade do interior de São Paulo quando cheguei na idade em que isso era um trending. Mas lá por 1999, quando finalmente pus minhas ursídeas patas num computador conectado a internet e fui apresentado ao "Napster"? Aí sim, me tornei um grande consumidor de música eletrônica, indo além do que me era ofertado pelas rádios FMs disponíveis. O que era um interesse superficial foi se aprofundando conforme tive acesso a compilações de gêneros. Vir para São Paulo e ter MTV a disposição, com programas especializados no gênero como o saudoso AMP, só me permitiu me aprofundar ainda mais no estilo - inclusive, finalmente, frequentando minha primeira festa onde a música eletrônica era protagonista. 
Então, sim, existe um elemento de nostalgia aqui sim. Mas claro, porque afinal, eu não consigo manter alegria por grandes períodos de tempo, vem a descida e a trip vira uma bad. 
O documentário abaixo, pegava o começo do fim. Tudo parecia que ia crescer e os limites pareciam ir para direções maravilhosamente imprevisíveis e estranhas e aí... Aí veio o que ocorre com todo movimento de contra-cultura: o homem branco hétero rico demonstra interesse, absorve os elementos mais superficiais da cena e a transforma num pastiche dela mesma. 
Para quem for se aventurar pelo documentário, percebam como a maioria esmagadora dos djs entrevistados responde pelo nome artístico. O movimento dance/techno/raver era marcado pela iconoclastia, por ir contra a idéia do culto à imagem.
Corta para o pós 2000 e o que temos: djs milionários. Músicas que, como celebração à uma cultura, são excelentes temas de fundo para comerciais de margarina e para a "festa da firma". E um público que simplesmente não dança e se satisfaz simplesmente pulando, balançando os braços enquanto olham para o palco enquanto o dj faz...... faz.... nada?
Exato. 
Aconteceu com o punk - que foi deformado até virar Emo - e o rap - nos piores momentos do hip hop de ostentação. Vai acontecer de novo e de novo porque, afinal, esta é a natureza da besta. 
Mas não é por isso que não vou lamentar. E sim, eu sei que tem muita gente que sobreviveu a esse processo de assimilação e continuam "lutando o bom combate" com sua integridade artística intacta. 
Como também existe no punk, no rap, no rock e em qualquer gênero de arte que surge como algo subversivo. 
Mas ver o documentário registrando um momento muito específico dentro da cena me fez pensar no que poderia ter sido. E eu sei, "a grama do vizinho é sempre mais verde".
E afinal, uma das melhores características da contra-cultura é seu elemento mercurial. O punk foi anti-sistema até se tornar parte dele. O jazz e o rock antes dele. O techno e o rap, depois. Mas sempre que o $$$istema pensa que finalmente enjaulou a rebeldia, ela acha um ponto de escape e se torna algo novo e bizarro, que vai lhe causar asco até Ele perceber como pode capitalizar em cima disso, o que vai causar a diluição dessa rebeldia e sua inevitável transformação em algo novo. Tentar conte-la é como segurar areia, como tentar conter o ar com as mãos. 
Não dá para parar tais movimentos. Não dá para controlar ou prever de onde eles vem.
You can't stop the beat. 

sexta-feira, 29 de maio de 2020

Verdade


Saiu. Um daqueles textos que eu sempre quis escrever. Foi um mês de trampo, desde a elaboração do roteiro até o momento, 20 minutos atrás, que eu upei o negócio no Youtube.
É sinistro, fala de momentos complicados, principalmente no momento particularmente complicado em que vivemos, com ascensão cristão-fascista, pandemia, racismo, crise econômica e a gente tendo que repensar como vai ser o "normal" daqui pra diante.
Enfim, prometi faz tempo, falo disso faz eras e enfim, tá aí. Espero que gostem: a saga de Isaiah Bradley, o Capitão América negro e como os autores da série usam esse gibi pra trazer pros holofotes mais de 100 anos de racismo, capacitismo e preconceito que são tão parte, tão constitutivos da história dos EUA quanto a fantasia do sonho americano.
Mas também é uma história sobre mais de um século de resistência, de luta e de esperança. De resiliência.
Dias difíceis. Dias mais difíceis ainda virão. Sigamos fortes e resilientes.



E #FogoNosFascistas!!!!

sexta-feira, 3 de abril de 2020

Diários da quarentena ep. 01

Youtube é a salvação da lavoura nesse período de molho em casa por causa do COVID-19.
Pra começar, Tese onze. Pq isso de ser apolítico é um luxo que a gente não pode ter mais.





Pros fãs de música e orfãos da Emetevê Brasil, tem o Music Thunder Vision:





Jota Bê é um dos meus heróis pessoais e um PUTA crítico gastronômico. O lance não é só falar se gosta ou não do prato, mas ir mais fundo, desde a produção desses alimentos na fazenda até a hora do consumo. Sem papas na língua, ele é meio que o que eu quero ser quando crescer.



E por fim, shows. BENZADEUS, graças ao youtube por isso. Shows inteiros, shows recentes, shows históricos.
Pra começar.... The mothafucking BOSS.

Dois shows, ambos completinhos. Um de 78, na rabeira da turnê do "Darkness on the Edge of Town"



O outro, bem mais recente, é de 2009 no Hyde Park em Londres, parte dos trabalhos de divulgação do "Working on a dream" e que rendeu o DVD "London Calling: live in Hyde Park"



Por enquanto é isso, crianças.
Fiquem em casa e se cuidem, okay?

quarta-feira, 25 de março de 2020


Mussolini e agregados, deixados para apodrecer depois de executados em 45. Pq é assim que se dialoga com fascista.

sexta-feira, 6 de março de 2020

Sobre verdades inconvenientes


Quer saber? A vida é curta demais pra eu me preocupar com isso: 
Meu próximo vídeo deve ser sobre "Truth: red, white and black", série obrigatória da Marvel de autoria de Kyle Baker e Robert Morales. O negócio é maravilhoso, narrando as aventuras do primeiro super-soldado norte americano, Isaiah Bradley, e como sua história corre em paralelo com alguns dos momentos mais escrotos da história americana (spoiler alert: eugenia, racismo e esterilização forçada). 
Essa história sempre foi importante, mas ATUALMENTE? Deveria ser daqueles títulos que nunca saem de catálogo nas livrarias e comic chops brasileiras.
No entanto, perigo falar pro vento já que, e eu não tenho como reforçar o quanto isso é ridículo, esse gibi NUNCA foi publicado por aqui. Quem quiser ler, vai ter que caçar scan ou importar o tpb americano. Quem não lê inglês? Se deu mal.

OU NÃO.... Seguinte, como eu disse, vou falar do gibi no meu próximo vídeo-ensaio e eu quero que as pessoas estejam comigo nessa, tenham lido, estejam com esse material fresco na memória e tals. Então, pro inferno, link aqui pra quem quiser baixar. 

Quem quiser a versão em pt-br, clica aqui.
Quem "foi alfabetizado em inglês" e prefere o texto na língua original, dá um clicão aqui. 


segunda-feira, 19 de agosto de 2019


"Porra, isso daria uma camiseta legal".  Não precisam nem sair googlando, atrás do negócio: Tio Hak deixa o link aqui procêis. Divirtam-se.

Os loucos tomaram conta do sanatório...

  O lendário show do Cramps em um asilo mental em 78... Venus Lux, Poison Ivy e banda, completamente soltos tocando pros internos e interagi...