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sexta-feira, 27 de setembro de 2019

Graça Infinita e chá de hortelã - parte 4


Yay, crianças.
De volta com a sessão do blog dedicada a literatura e, mais especificamente, ao tijolão escrito por David Foster Wallace. Sorry pelo hiato. Life is a bitch, sometimes. 
Bom, era pra ser uma coluna mais gordinha mas acabou não sendo, e nem pq não avancei legal na obra, mas pq ela tira um momento pra parar o desenvolvimento da trama envolvendo o filme mortal criado pelo patriarca dos Incandenza pra voltar o foco no centro de recuperação de viciados em drogas de Ennet. Nisso, ao invés de prosa com diálogos ou desenrolar de eventos, passamos algumas páginas lendo relatórios sobre os pacientes do local, separados entre transcrições de falas deles próprios e textos do crew que trabalha lá, falando do dia a dia e da evolução, quando há, dos residentes. Os relatos são aquilo que vc pode esperar: um bando de adictos descrevendo a relação com seu vício. Paranóicos, desesperados, comoventes. Alguns engraçados, mas não muito. As enfermeiras acabam soando meio como a enfermeira-chefe de "Um estranho no ninho", aquela imagem meio tirânica (nem dá pra falar que isso é caso de narrador não-confiável pq os textos são escritos por elas próprias, onde as profissionais não escondem o desdém que tem pela maioria dos internos ali). 
No ponto em que eu estou, fui apresentado a uma nova personagem sobre a qual ainda não sei nada, exceto o nome e profissão: uma vidente chamada Madame Psicose. 
Um momento de digressão da obra, uma situação de calmaria antes da tempestade. Poderia ter cara de filler mas Wallace faz um trabalho tão bom em dar vozes distintas praquelas pessoas cujos nomes nem conhecemos que vc acaba - supondo que vc tenha um coração ativo e alguma capacidade de empatia, artigo tão raro hoje em dia - se apiedando daquelas criaturas em uma situação de merda. E reforça aquilo que vi num texto ou vídeo sobre o livro mas que qualquer um lendo vai sacar: é um mundo que quase te obriga a ser viciado em alguma coisa, QUALQUER COISA, entorpecentes químicos, esportes, sexo, qualquer coisa, pq apenas completamente dopado, com seus sentidos amortecidos, vc vai conseguir avançar pela próxima hora. É um mundo completamente quebrado, distópico e onde só o alívio da dependência a algo vai te impedir de cortar os pulsos. É um mundo onde esperança é objeto em extinção.
Sorte que é bem diferente do mundo real, não?

.....


...oh fuck.

Bom, é isso crianças. Voltamos semana que vem, agora regularmente. Desculpem novamente o sumiço nas duas ultimas semanas. Mas agora, é até o final, seja lá quando isso for. (Ainda nem cheguei na página 200, mas tudo bem. Como já disse aqui algumas semanas atrás, tamo indo juntos, sem pressa de acabar). 

sexta-feira, 13 de setembro de 2019

Graça Infinita e chá de hortelã - um pequeno aviso

Sorry, crianças. Sem post da série essa semana. Mas não é por preguiça não.
Semana passada já não teve pq eu, gênio que sou, fui viajar pra casa de papais, lá em Avaré e esqueci de levar o livro (não sei se "esquecer" é a palavra. Pra mim, é meu inconsciente preguiçoso que não queria botar aquele tijolão de quase 2kgs numa mochila que já tava cheia de coisa). E nessa semana, por sua vez, nem relei no livro pq me peguei gastando quase todos os meus dias estudando edição de vídeo e de som no audacity e sonny vegas pra poder fazer umas firulas nas próximas edições do podcast (e já me aquecendo pra um curso de edição de vídeo e noções básicas de produção que eu devo fazer lá por novembro. Já tá paga a bagaça então acho que não vou gorar o negócio falando sobre).
Eu até poderia ler umas 30 páginas com pressa só pra postar qualquer coisa aqui, mas acho isso meio desonesto comigo, com vcs e, sobretudo, com Infinite Jest, que merece mais carinho que isso.
Voltamos à nossa programação normal, semana que vem, okay? Prometo inclusive uma edição mais gordinha do "Graça Infinita e chá de hortelã" pra compensar. :-)

sexta-feira, 30 de agosto de 2019

Graça infinita e chá de hortelã - parte 3


Okay........... eu tenho 40 anos de idade e estou tentando de qualquer jeito mudar minha vida. E isso dá um medo absurdo. Não que não teria tal efeito em mim se eu tentasse mudar de vida aos 20 ou aos 30. Aliás, eu tentei - e fui bem sucedido, diga-se de passagem - fazê-lo nessa idade - vim de Avaré pra SP pra tentar passar no vestibular com 22. E eu tive um medo absurdo.
Já disse antes que eu tenho um plano, né? Vir pra SP, fazer vestibular num curso que não demande muito trabalho, me formar, trabalhar num trabalho que não demande muito esforço e usar o $$$ disso e a liberdade de ser um, como já dito, trabalho que não demanda esforço, pra estudar e me aprimorar naquilo que eu, de fato, quero fazer.
Simples, certo?
Mas aí vem as bolas curvas que te pegam de jeito: o salário é bom. E o dinheiro vai fácil nos livros, jogos, bonequinhos e restaurantes. E vc começa a ficar confortável. E tipo, o que vc acha que sabe, na moral, SABE fazer bem envolve se jogar num oceano cheio de predadores, alguns mais novos, tentando se provar, outros mais velhos, versados no jogo, querendo se manter nadando pelo máximo de tempo possível. Aí vc perde o tesão. Normal. O problema é a vozinha na cabeça te dizendo que o tempo tá passando e que o talento.....bom, esse é o ponto em que esse preâmbulo revelador se conecta ao real foco desse texto: as mais de 50 páginas lidas, entre semana passada e essa, de Infinite Jest. Nesse ponto do livro, teve bem pouco world building, mas CACETE, como esse texto é bom. Ao invés de apresentar o mundo, esse excerto que li traz textos que são quase artigos - e alguns são de fato, ensaios e relatórios escritos pelos personagens - onde podemos ver suas opiniões e, no processo, a de Foster Wallace sobre temas como tênis (onipresente), expectativas, talento e como gerações inteiras foram estragadas por Marlon Brando e James Dean. 
Sério, tem passagens aqui - e dessa vez eu realmente pus notinhas e marquei páginas e foram várias e várias - que eu vou lembrar pelo resto da vida. 
Em um artigo, Hal cita as diferenças fundamentais dos heróis clássicos e das versões destas já inseridas no pós-modernismo e na era desconstrutivista dos anos 80, a partir da comparação dos protagonistas de Hawaii 5-0 e Chumbo Grosso.

"Steve McGarret não sofre impedimentos causados pelas tarefas administrativas de um chefe-oficial-de-polícia, nem por mulheres, nem amigos, nem emoções, nem por nenhum tipo de exigência que exija sua atenção. O seu campo de ação fica livre de entulhos que o distraiam. (...) Por outro lado, o Capitão Frank Furillo é o que se costumava chamar de um herói pós-moderno (...), um herói cujas virtudes são as que competem a uma era mais complexa e capitalista. (...) Um herói de reação."

De fato, achei muito pertinente a colocação de que a diferença fundamental dos dois é que o herói clássico, se pensarmos numa manada de animais levados por um pastor, ocupa a função do pastor em si, distante dos demais por sua retidão mortal e fortitude ética. Já o herói pós-moderno, onde se encaixam tb Rambo, John McClane, o Batman do Frank Miller, etc., é, nessa metáfora, um dos animais no meio do rebanho, tentando guiar seus semelhantes a partir da própria força de vontade, tateando no escuro e improvisando sempre que der. 
Mais a frente, num relatório sobre o fracasso dos videofones nesse universo, rola algo mágico: começamos um texto extremamente frio e cheio de termos técnicos e, quando menos esperamos, caímos numa reflexão extremamente humana sobre vaidade e a nossa necessidade de atenção. 

"Uma conversa tradicional somente áudio deixava você entrar no desligamento semiatento e hipnótico de uma autoestrada: enquanto conversava, você podia olhar em volta da sala, rabiscar, criar haicais de bloco de anotações (...). No entanto, na mesma medida em que você dividia a sua atenção entre a chamada telefônica e tudo quanto era atividade ociosa e desligamentística, por algum motivo você nunca se via assolado pela suspeita de que a atenção da pessoa do outro lado da linha pudesse estar dividida de maneira similar. (...) Durante uma chamada tradicional, por exemplo, enquanto digamos, realizava uma detida análise tátil de suas imperfeições no queixo, você de modo algum se via oprimido pela idéia de que a sua contraparte fônica talvez estivesse devotando uma bela percentagem da sua atenção a uma detida análise tátil de imperfeições. Era uma ilusão e a ilusão era auditiva e auditivamente sustentada.(...) A videotelefonia tornou a fantasia insustentável"

A seguir, o autor nos mostra uma conversa entre um jovem James e seu pai, onde o velho Incandenza revela ao garoto sua paixão pelo tênis e parece que a conversa vai ser sobre isso, quando, subitamente, ele decide abrir o coração e descrever o momento em que ele deixou de ser um atleta para virar apenas mais um exemplo de potencial perdido - e sim, isso vai se relacionar diretamente com a relação crescente de maus pais encontrados nas páginas de Graça Infinita meio que num esquema tipo "ciclo da escrotidão"

"O cliente do meu pai que disse 'Mas cacilda, Incandenza, como é bom esse teu garoto'."
"'É, mas ele nunca vai ser grande"
"É culpa minha, Jim. Tanto tempo em casa (...) com medo de dar ao meu último talento a chancezinha que ele exigia. O talento é a expectativa do próprio talento, Jim: Ou você vive o talento ou ele te acena de lencinho, pra sempre se afastando.  É teu ou adeus. Eu....eu só tenho medo de ter uma lápide que diga AQUI JAZ UM VELHO PROMISSOR. Ter potencial pode ser pior que a falta dele, Jim". 

Isso e a frase do pai de James dizendo que nos enxergamos nossos pais como móveis, que sempre estiveram e sempre estarão aqui ao nosso lado cortou fundo em mim, confesso. 
E por fim, voltamos a Hal, agora num discurso escrito por ele e Mario, onde o guri dá a sua perspectiva a respeito da idéia de talento, mas agora descrevendo a visão de dentro da coisa, e como aquilo que chamamos de talento tem muito mais a ver com sacrifício e trabalho duro e uma quantidade obscena de dor física e emocional.

"Dê uns mil saques. Depois de cada saque você tem que quase cair de cara na quadra e num único gesto fluido se dobrar e catar as chaves com a mão esquerda. É assim que você se treina para subir pra rede depois do saque. É assim que você segura a raquete. (...) Aperte a bola de tênis ritmicamente mês após ano até você não senti-la mais do que sente o coração espremendo o seu sangue e o seu antebraço direito estar três vezes maior que o esquerdo (...). É assim que você enverga um agasalho vermelho e cinza da ATE e corre em grupo 40 km por semana (...) mesmo que você preferisse tocar fogo no cabelo que correr num grupinho. Correr é doloroso e inútil, mas não é você quem dá as ordens. Tenha um pai cujo próprio pai perdeu o que estava lá. Tenha um pai que viveu tudo o que prometia e depois ficou encontrando cada vez outra coisa em que atingir e depois ultrapassar as expectativas do que prometia nelas e que depois não parecia nem a pau mais feliz ou menos despirocado que o seu próprio pai fracassado o que te deixa numa espécie de estado selvagem e tomado pela velocidade do fluxo no que se refere ao talento. É assim que você evita pensar em qualquer dessas coisas treinando e jogando até que tudo corra no piloto automático e o exercício inconsciente do talento se transforme numa maneira de escapar de você mesmo, um longo sonho desperto de puro jogo". 

A questão se aprofunda: se potencial desperdiçado e a ausência deste são mortificadores, aparentemente o potencial concretizado também pode provocar mais angústia existencial e dor do que necessariamente felicidade e contentamento. (sobre isso, inclusive)
Sério, esses textos, conjuntamente, formam um mosaico fascinante de visões de mundo sobre talento e as oportunidades da vida, as que aproveitamos e as que não, as chances concretizadas, os momentos de sucesso e aqueles que deixamos escapar, que viraram situações hipotéticas, daquelas que vislumbramos entre sonhos, horas perdidas e devaneios sobre o que poderia ter sido. Além disso, tb é sobre aqueles momentos em que nos perdemos fazendo aquilo que amamos e quero dizer nos perdemos MESMO, em que abandonamos aquilo que somos, deixamos nosso "self" ao léu, como um barco abandonando o porto e abraçamos a totalidade daquilo que temos como paixão. No caso de Hal, o tênis. No meu, consumir e escrever sobre cultura pop. No caso de um pintor, as tintas, as telas, o ato de se se esquartejar em forma de arte. Tocar o sublime. E nem falo de fazer isso de forma excelente, mas apenas de fazer, do ato de se perder em si. As comparações com o resto do mundo virão, como o mais novo dos Incandenza afirma, seja com os que são melhores que vc, seja com os piores. Em ambos os casos, um espelho, e, em ambos os casos, assustador.  


De dentro desse abismo de miséria existencial, a única saída é rir, a principal forma de rebeldia diante de um universo frio e de um contexto de mundo desalentador e, sabendo disso, DFW oscila entre esses momentos de truth bombs e outros de comédia rasgada, que, no ponto em que estou da obra, se concentram no tb aluno de Enfield Michael Pemulis, tenista e traficante de substâncias ilegais. Substâncias estas que acabam sendo uma das únicas fontes de algum alívio pra esses personagens, cuidando de todas as suas dores, não apenas as físicas. No capítulo protagonizado pelo rapaz, conhecemos uma prática bastante comum nesse ambiente: o tráfico de urina para testes anti-dopping que conta com o hilário slogan "se mijando de medo? mije com nossa urina". 
Nesse ambiente desesperador que é um colégio para esportistas de elite, inserido, por sua vez, num mundo em frangalhos como é o cenário distópico em que se passa a história, essas risadas trazidas das pequenezas cotidianas são o que acabam motivando aquelas figuras. 
Enfim, a leitura segue incrível, o texto é maravilhoso (sério, tem páginas que são blocos e blocos de texto, um parágrafo por página e quando vc vê, já foi e vc devorou o negócio em minutos que, na real, pareceram segundos). 
Num primeiro momento ele pode, de fato, parecer um tanto assustador mas creiam-me, Graça Infinita tem, em sua alegria e em sua tristeza, sido uma experiência absolutamente recompensadora. 
Semana que vem eu volto com mais, ímpios. 

sexta-feira, 23 de agosto de 2019

Graça Infinita e chá de hortelã - parte 2 (plus: paradas)


Yo, ímpios, de volta aqui para nosso encontro semanal pra falarmos de livrinhos maneiros. 
Já começo dizendo que não atingi as 110 páginas dessa semana, como previamente combinado, mas por uma - na verdade duas - boas razões. 
Primeiramente, eu tô adorando Infinite Jest. Sim, é um lívro que, como disse alguém num vídeo review da obra que eu vi, não é muito gentil com o leitor. As vezes mesmo eu, que estou interessado, me perco um pouco nas cenas descritivas aqui e ali. Mas Jesus do céu, "Graça Infinita" tem umas passagens absolutamente lindas. Vou falar mais disso adiante, mas, em virtude disso, acabo reduzindo a velocidade, a tal da "pressa em terminar". Vi outro vídeo da Tatiana Feltrin falando do tijolão e, de fato, é uma história que demanda um tempo impreciso, só dela. Eu tô lendo a bagaça e me pego voltando pra reler passagens que ficaram confusas ou outras que só soam mais claras conforme vc avança na trama. Tem o lance de querer situar a história cronologicamente, fora as notas de rodapé gigantes e tudo isso é tão legal. Então, não só li menos essa semana - umas 60 páginas - mas acho que essa é a média que voi manter daqui pra diante. Entre 50 e 70 páginas semanais, sem correria. Vai levar mais tempo pra obra terminar mas isso aqui não é uma prova de resistência. Se o fruir do negócio não for apreciado da forma que merece, pra que fazê-lo, né?
E segundamente, pq eu peguei outros livros pra ler além dele. As tais "paradas" no título desse post. Comento sobre mais pra frente.
Bom, de volta à "Graça Infinita": desde o ultimo texto, vi uma longa conversa entre Hal e seus buddies sobre o futuro, outro momento tenso de interação entre o agente Steeply e Rémy Marathe, um membro do exército separatista de Québec, relatos sobre a primeira incursão romântica de Mario Incandenza, a introdução de um novo personagem (um guru fitness extremamente creepy) e o longo e fascinante e sinistro relato de "este que vos fala" (é o nome dele) sobre uma noite envolvendo drogas, Chinatown e Roy Tony, de que os senhores devem se lembrar da passagem de Clenette, algumas páginas antes. 
Okay, pelo começo: estamos num ponto em que está claro que o tal "entretenimento" do qual o oficial da CIA se refere é o último filme de James Incandenza, obra que nomeia o livro do qual falamos aqui. Mas, surpresa, surpresa, agora descobrimos que pode existir um "antídoto" pra ele. 
Além disso, a trama segue em seu tom de melancolia: o tema dos vícios permanece constante e vemos que, como eu disse no post anterior desta série, ele é de fato uma resposta ao clima de desesperança reinante naquele mundo. A conversa de Hal com os amigos é algo desesperadora, ao questionarem a solidão inerente daquele local, em que, esportistas em um jogo individual, todos ali competem contra todos, incluindo seus melhores amigos. Qual a lealdade que pode existir num ambiente darwiniano em que seu objetivo é ser o melhor mesmo que isso signifique ter que concorrer com seus amigos próximos? E além disso: é doloroso o momento em que um dos garotos afirma que o futuro não vai ser muito melhor. Esses meninos estão se colocando em situações de extrema pressão para saírem do colégio como profissionais apenas para terem como "recompensa", uma vida inteira de pressões ainda maiores para se manterem no topo dos rankings do tênis. 
Isso é sobre tênis esportivo mas, na real, vale pra qualquer profissão: anos e anos correndo contra o tempo numa faculdade pra obter o direito de fazer o mesmo num ambiente ainda mais competitivo. E, no caso deles, com o agravante de que sua carreira é gigantescamente mais curta que as demais, já que em algum momento, o corpo pede arrego. 
O momento mais marcante desse diálogo, pra mim, ocorre quando Hal explica a idéia das 3 possibilidades de quando um atleta atinge seu ponto de rendimento máximo, seu platô:
- Ele pode, percebendo que atingiu seu limite, apenas desistir.
- Ele pode tentar superar essa condição via treino e esforço, onde normalmente, o resultado é puxar os limites um tiquinho too much e terminar com uma lesão permanente e, na pior das hipóteses, uma aposentadoria precoce.
- Ele pode se manter confortável, resignado de que atingiu seu rendimento máximo, o que vai resultar nele sendo superado por qualquer atleta com um desempenho melhor.
Não exatamente um cenário dos mais otimistas, em que as opções que se apresentam são um caso de "escolher a menos pior". 
O futuro não é promissor, com a promessa de mais esforço e mais pressão em que mesmo a recompensa máxima, o topo da montanha - e dos rankings - é algo fugaz, que virá e irá embora na mesma velocidade. 
Os guris - e é importante lembrar que estamos falando de crianças entre 11 e 14 anos aqui - acabam encontrando algumas respostas confortadoras, a respeito dos aspectos de sacrifício e disciplina do esporte e de como não podendo mexer no "hardware", o lance é adaptar o "software" do atleta, sua consciência, a relação dele com a competição em si e o lance da auto-superação, como uma das vias de escape dessa visão mais cínica dos seus próprios futuros.
E aqui cabe um comentário: eu não gosto de tênis, mas Jesus do céu, como é bonito ver David Foster Wallace falando do esporte. Okay, a discussão acima levanta alguns pontos complicados da vida de um tenista profissional mas logo depois disso os meninos vão ver vídeos de partidas para estudarem movimentos e jogadas e, preciso dizer, a descrição dos movimentos tem algo de poético, de balé, de operístico nela. Já disse que DFW tem um talento absurdo para descrições, para falar da beleza e da miríade de detalhes que repousam em um mísero segundo e ele usa isso de forma sublime pra descrever toda a beleza da infinitude de coisas ocorrendo entre um saque e uma recepção. De novo, eu acho tênis um saco mas, como vcs sabem, eu sou completamente fanático por pro-wrestling. 
Foda-se que é pré-determinado e tals, o lance é que a gente, DESSE LADO, absorve a coisa como um esporte e, como tal, é lindo olhar com os olhos de Wallace pra luta-livre, apreciar aqueles segundos que separam um movimento do outro. Apreciar não só um finisher bonito mas aqueles segundinhos que antecedem o primeiro movimento que vai levar até aquele catártico golpe. 
Apreciaar as infinitudes de segundos em que, por exemplo, Ospreay vai pra um "Oscutter" ou em que PAC vai se lançar aos céus em seu belíssimo "Red arrow". Reconhecer a poesia nessa dança entre os lutadores. Vcs sabem exatamente do que eu tô falando. Pra este escriba, aquele RKO do Randy no Seth Rollins no Wrestlemania 31 é tão lindo quanto a vitória do SPFC sobre o Liverpool em 2005 no Japão pra um apreciador de futebol.
Resumindo, pra um fã do "desporto chutebola" como diria João Carvalho, isso aqui


é tão emocionante e tão desencadeador de lágrimas quanto, pra mim, foi isso aqui


Sério, eu chorava de soluçar. Tentei ser o mais discreto mas falhei miseravelmente, acordando a namorada que dormia ao lado, por causa do meu arfar e respiração pesada. 

...

O que? Hey, eu não gosto de futebol mas eu sou um cidadão do mundo, ímpios. Não vivo numa bolha, eu sou manjão das paradas. :-)

Enfim, já disse que seja o Milton Neves quase saindo no tapa com algum outro comentarista no seu "terceiro tempo" (eu adoro, ADORO programas de mesa redonda sobre futebol), sejam os caras do Top Gear falando de motores e máquinas e veículos tunados, seja a Paola falando no Masterchef sobre infância e de como "A festa de Babette" a inspirou como cozinheira, eu ADORO gente apaixonada pelo que faz falando de seu objeto de paixão. E, voltando ao livro, David Foster Wallace faz isso como poucos e de uma forma tão hipnótica que te pega, mesmo se vc, como eu, nunca tiver dado meia foda para Tênis esportivo. 
Tem tb uma passagem em que Steeply e Marathe discutem sobre as diferenças do amor romântico e do amor revolucionário, da capacidade de doação para uma causa maior que vc mesmo, que pqp.....espero um dia escrever algo tão denso e ao mesmo tempo caloroso. 
O livro segue incrível..... APESAR de alguns probleminhas. E me refiro à tradução.
Mano: eu sempre ouvi falar que o tradutor desse livro era fodão e tals, o cara traduziu Joyce, cacete. Então, doeu na vista quando eu vejo um "Você pode fazer diversão disso quanto quiser" e imediatamente, de bate pronto, sacar que foi uma escolha infeliz de tradução para a expressão "You can make fun of.....". Fora outras escolhas como o negócio do "ano do chocolate dove tamanho boquinha" como tradução pra "year of dove bar - trial size" e uma ou outra escolha que saltou aos olhos. Não é ser chato, sabe, mas te catapulta pra fora do livro, né?
Mas enfim, salvo essas reclamações, a obra continua bem legal. 
É isso sobre ele.
Vou reduzir o ritmo de leitura mas continuo vindo, semana a semana falar dele aqui.

Sobre as tais "paradas" no título desse post: tô intercalando leituras pq "that's how I roll" e peguei duas outras obras pra ler.


Uma que tava na minha prateleira há milênios e que eu estou adorando é o "A contra-cultura através dos tempos" de Ken Goffman e Dan Joy, lançado aqui pela Ediouro. Caralho, que leitura deliciosa, que flui, sabe?
Tô no início dele mas já achei foda que os autores começam situando o conceito de contra-cultura e apresentando suas raízes mitológicas, separadas em duas correntes: a Prometéica, vinda do deus Prometeu e a de Abraão, aquele da bíblia, antes de entrar nas descrições dos grupos contra-culturais per se. 
Mitos sempre serviram para explicar, coletivamente e por meio de analogias, metáforas e tals, aqueles grandes conceitos da existência humana, então há de se entender o valor do mito para as tradições de cultura anti-mainstream existentes funcionado como a base conceitual ideológica que oferece sustentação para elas dentro do imaginário coletivo. A história de Prometeus é um conto de rebelião, de certa soberba mas também de empatia e doação, de auto sacrifício. Ao oferecer o fogo - e em maior escala a tecnologia aos humanos - ele cometeu um pecado contra a providência divina, essa força estática e imóvel e opressora. Da mesma forma, segundo os autores, toda contra-cultura tem esse elemento marginal e anti-establishment. Toda contra cultura é maldita diante dos olhos da cultura mainstream, sejam elas prometéicas (que abraçam a tecnologia, como a cultura hacker) sejam as anti-prometéicas (que rejeitam a tecnologia humana e anseiam por um retorno à natureza, como são os hippies). Abraão, por sua vez se insere aqui por seu paradoxo: é o pai de uma cultura monoteísta e portanto, q tem como parâmetros uma ideologia estabelecida numa figura autoritária e com leis pétreas que vão determinar o status quo daquela comunidade. Mas ao mesmo tempo, ele traz o lance de rebeldia contra a autoridade estabelecida da época ao negar seus costumes e se permitir viver à margem daquela sociedade ("Eu caminho entre vcs mas eu sou um estrangeiro"). Essas duas linhas vão determinar quase todas as correntes contra-culturais do futuro e foi bem interessante entender essa gênese histórica do negócio, anarquista que sou. E tudo muito bem escrito, com um texto agradável. 
Tem toda cara de virar uma bíblia pessoal, daqueles livros que eu carrego pra todo lado e que cito passagens inteiras de olhos fechados. 


Por fim, falando de leituras agradáveis, chegou ontem minha cópia do "Viva la vida tosca", biografia da lenda João Gordo, de autoria do próprio juntamente com outros dos meus heróis pessoais, André Barcinski. 
Ainda tô no começo, que, como toda biografia, aproveita pra situar a história de família do biografado. Normalmente essa é uma parte desse tipo de livro que nunca me interessa muito, mas aqui é tão bem escrito que vc acaba se pegando fascinado pela jornada de vida dos pais e avós do vocalista do Ratos de Porão. O livro é da Darkside e pqp, que livro maneiro. Eu nunca tive essas frescuras de bibliófilo mas cacete, eu adoro essa cara de "fanzinão" que esse livro tem, assim como outros da editora trazem também (os títulos sobre Evil Dead, Twin Peaks e Back to the Future, só pra ficar naqueles que eu possuo aqui nas estantes de casa). Fotos pra caralho, flyers de show, papel simples, sem firula que só serve pra encarecer a obra. O tipo de edição punk que a obra pede. 
E o texto flui, bem coloquial, quase uma conversa com o protagonista da obra. Tem cara de ser daqueles livros que tu devora em 2, 3 dias

Encerro aqui esse post com esse combo de coisinhas legais. Volto semana que vem pra falar mais do que ando lendo, enquanto sorvo goladas generosas de chá (e informo q o estoque caseiro de chá de hortelã tá bem abastecido, apenas para quaisquer ímpio lendo isso que tenha se sentido traído por eu beber chá mate com limão no post da semana passada. Sem mais licenças poéticas, prometo. :-) )

sexta-feira, 16 de agosto de 2019

Graça Infinita e chá de hortelã - Parte 1



So.... Infinite Jest. Um livrão impressionante, algo que vc nota antes mesmo de abrir o bichão.
Mais de 1000 páginas organizadas num tijolão de um quilo e meio. Já vi gente se referindo a ele como o "Ulisses" da nossa geração. Uma obra que desafia qualquer resumo e categorização arbitrária a respeito dos seus temas. Comédia, drama, vários estilos de escrita. Caos, feito a vida. Mas um caos ordenado: não vou falar do grande tema que nos é apresentado no resuminho no verso do livro pq eu geralmente evito ler sinopses. Gosto da idéia de ser pego completamente de surpresa.
Do que eu li, no entanto: É um mundo como o nosso, mas diferente. Em algum momento do começo dos 2000, o governo americano subsidiou a contagem de tempo dos anos para empresas privadas. Então, não temos mais anos numéricos, 2011, 2019 e tals, mas anos definidos pelo branding escolhido: ano da fralda geriátrica depend, ano do sabonete dove - amostra grátis, e tals. O mundo, ou pelo menos a parcela dele que vemos nesse primeiro momento da obra, também mudou. Estados Unidos e Canadá meio que formaram um grande bloco econômico (até aqui eu não sei se eles viraram um país só, mas parece) batizado ONAN. Nesse mundo (e os motivos dessas mudanças ainda não me foram apresentados), acompanhamos a história da família Incandenza. O pai, James, fundador da academia/internato Enfield, uma escola para formação e treino de jogadores de tênis, ex jogador e ex-cineasta, morto, aparentemente via suicídio. Seus filhos, Orin (um viciado em drogas), Mario (não entendi ainda qual, mas ele claramente sofre de algum tipo de deficiência) e o mais novo, Hal (tb um tenista, extremamente inteligente e articulado, mas que sofre de algum tipo de problema convulsivo).  Na trama, até o ponto em que estou, as únicas conexões entre esses personagens, além obviamente dos laços de parentesco, é a ligação, em algum nível, com o tênis.



Além deles, temos também os pontos de vista de Don Gately, outro viciado em drogas e que financia sua adicção com dinheiro obtido com roubos domésticos, Kate Gompert, outra usuária recorrente de maconha (começo a enxergar um padrão) internada num hospital psiquiátrico e que sofre de depressão severa, Mini Ewell, um anão também passando por um processo de reabilitação, Bruce Green, um rapaz cuja principal característica, até aqui, é estar apaixonado por uma garota com o peculiar nome de Mildred Bonk, Gerhard Schtitt, um dos professores de Enfield, com um passado de maus tratos com seus alunos, Marathe, um soldado da frente revolucionária canandense que parece estar atrás de um item conhecido apenas como "O entretenimento" e Clenette, de quem não sei muita coisa exceto de que sua meia irmã está sendo abusada pelo padrasto. Padrasto este que está na mira do irmão da moça, Reginaldo. Ah, e tem o adido médico, que num momento de relaxamento, achou.... algo... que eu ainda não sei o que é, mas que até aqui, já resultou em mais de duas dezenas de personagens mortos, incluindo ele próprio. Todos parados diante de uma TV. 
Vejam bem: cento e dez páginas. Isso não é nada. E no entanto, uma pá de coisa já rolou. 
Então...sobre a leitura: não sou marinheiro de primeira viagem, já tendo lido 2 livros do DFW, os já publicados aqui "Breves entrevistas com homens hediondos" e o "Ficando longe do fato de já estar meio que longe de tudo". E mesmo que estas duas obras não sejam de ficção ou, pelo menos, não inteiramente, reunindo contos curtos e artigos, elas já trazem elementos da escrita do autor americano que vão se repetir também no Graça Infinita: seu extremo cuidado com descrições, seu humor, as digressões filosóficas, a preferência por polissílabos e um monte de outras palavras difíceis e bonitas...... Estilisticamente, o texto se adapta ao personagem que estiver falando: Norma culta quando é o jovem Hal falando. Texto mais coloquial, por exemplo, na parte protagonizada por Clenette. Numa passagem em que ele precisa retratar a ansiedade de um dos personagens esperando uma ligação particularmente importante, ele usa o recurso de parágrafos de página inteira como forma de expressar o fluxo ininterrupto de pensamentos do tal sujeito. 
Eu particularmente estou gostando bastante do estilo do autor, alguém capaz de tornar uma cena puramente descritiva absolutamente fascinante. Num dos livros dele que eu citei acima, tem um conto de 3 páginas que é basicamente ele descrevendo um segundo da vida de um homem deitado à beira de uma piscina e vc, ao ler, consegue quase enxergar de forma clara a cena com seus personagens estáticos, congelados nesse segundo perpétuo.
Um dos elementos já citados acima e que ele usa aqui como forma de tornar o texto mais agradável é o humor. Passagens descritivas ou extremamente filosóficas são intercaladas com outras engraçadíssimas (uma delas, envolvendo dois ladrões rancorosos, me pegou completamente de surpresa).
Sobre o tema do livro, acho que ainda é cedo pra afirmar qualquer coisa. Mas é visivelmente uma história sobre uma América quebrada e sobre seus filhos, igualmente quebrados. Todo mundo é depressivo, quase todo mundo é viciado em drogas, todo mundo com uma cota de traumas progressivamente crescente. Do pouco que eu sabia do livro antes de começar, vi gente descrevendo o mundo criado por Wallace aqui como distópico e, de fato, existe aquele elemento de desespero coletivo típico de histórias distópicas. As pessoas são como tubarões aqui. Num mundo em frangalhos, eles tem que continuar suas vidas, continuar com seus vícios, continuar a nadar, pq se pararem, o peso existencial vai vir, como ocorre com a personagem da Kate. Tem algo, não sei se no tom do narrador ou dos diálogos, que me lembra muito o estilo do Wes Anderson, quase como uma versão mais dark de seus filmes.


Minha passagem favorita até aqui se encontra na página 89 (da edição nacional da Companhia das Letras), em que Schtitt numa conversa com Mario, explica a ele o que faz o Tênis um esporte tão mágico. Não gosto de esportes no geral, mas como os senhores sabem, eu sou maluco por pro-wrestling e consigo ver no que ele fala algo perfeitamente relacionável pra mim como fã de luta livre e pra qualquer um de vcs, fãs de qualquer tipo de esportes individuais: "O verdadeiro adversário, a fronteira delimitadora é o próprio jogador. Sempre e só o eu que está lá, em quadra, a ser enfrentado, combatido, levado à mesa em que será forçado a aceitar os termos. O garoto que compete do outro lado da rede: ele não é o inimigo; ele é um parceiro de dança. Ele é a (...) desculpa ou oportunidade para você encontrar o eu. Como você é a oportunidade dele. As infinitas raízes da beleza do tênis são autocompetitivas. Você compete com os seus próprios limites para transcender o eu em imaginação e execução. Sumir no jogo, romper limites, transcender, melhorar, vencer. Que é a razão de o tênis ser uma cruzada essencialmente trágica, para se aperfeiçoar e crescer como juvenil sério, com ambições. Você busca vencer e transcender o eu limitado cujos limites são a mesma razão do próprio jogo. É trágico, é triste, é caótico, é agradável. Toda vida é igual, como cidadãos do Estado humano: os limites vivificantes ficam dentro, á espera de serem mortos e pranteados, repetidamente".
Também vale nota pra passagem com Hal, tb conversando com Mario, explicando pq ele é ateu. "(...) eu tenho uns probleminhas para resolver com Deus. digamos que Deus tem um estilo de gerenciamento tipo relaxadão que eu acho meio contestável. eu sou basicamente anti-morte. Deus, por tudo que a gente pode perceber, é pró-morte. Eu não vejo como é que eu e ele podemos resolver essa questãozinha".
AH, antes que eu esqueça: aqueles dentre vcs que forem se aventurar pelo livro, NÃO PULEM AS NOTAS DE RODAPÉ. Não são notas de tradução mas elementos que fazem parte da trama, incluindo, num caso muito específico, uma nota de 12 PÁGINAS, descrevendo detalhadamente toda a obra cinematográfica de autoria do patriarca do clã Incandenza (que conclui com um filme incompleto chamado... "Graça Infinita". The plot thickens....)
Por tudo isso, estou gostando bastante do livro, ao mesmo tempo uma leitura mais complexa, mas mais fácil do que inicialmente eu pensava que seria.
E hey, aprendi duas palavras novas: denodadamente (de forma corajosa) e Vestiegenheit (baixo bávaro para "o estado de quem caminha sozinho por um território desorientador e arrasado além de todos os limites mapeados e de todos os marcadores de orientação").
Jesus Amado, falemos de línguas e suas especificidades, não? Enfim, por hoje é isso, ímpios.
Volto semana que vem com mais 110 páginas (mais notas) devoradas.

Ps: Apenas para efeitos de transparência, preciso confessar que meu chá de hortelã acabou, então esse livro foi lido, ao contrário do que indicado pelo título desta seção, com o auxílio de goladas e goladas de chá mate com limão :-). 

sexta-feira, 9 de agosto de 2019

Graça Infinita e chá de hortelã: Prólogo



So, os senhores devem ter achado que eu esqueci da promessa que fiz uns meses atrás nesse post aqui. Mas nope, amiguinhos. A idéia do clube de leitura Groselha on the Rocks (not the official name) segue viva. Agora que a tempestade da mudança passou, esse é um dos projetos pessoais que eu mais queria retomar. Cheguei a começar alguma leitura mas sempre de forma meio superficial. Agora, quero engatar de vez e ir até o final. So.... se ainda tiverem a fim de seguir comigo, o primeiro post (e esse já tá pronto, então, sem alarmes falsos dessa vez), vai ao ar semana que vem, na sexta. 
O resto, segue semanalmente. As regras seguem as mesmas: 110 páginas por semana e um textinho comentando as impressões aqui conforme a história for avançando. 

segunda-feira, 22 de abril de 2019

Graça Infinita e chá de hortelã



Eu não sou exatamente um leitor dos mais disciplinados, então toda ajuda é bem vinda.
Isso posto: não é bem um clube de leitura o que eu estou propondo aqui. Mas eu vou ler uma média de 110 páginas dentre as mais de 1100 de "Infinite Jest" ou "Graça Infinita" como ficou a versão pt-br, toda semana (A saber: a versão do livro que lerei é a publicada aqui no Brasil ano passado, pela Companhia das Letras). E vou comentar aqui, conforme for avançando, num projeto que deve levar pouco mais de dois meses até terminar. 
Se quiserem vir comigo nessa, fiquem à vontade. 
Começo em duas semanas, quando posto as impressões sobre a primeira centena de páginas lidas. 
A partir daí, é um textinho por semana, até terminar. 
Who's with me?? :-)

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