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quinta-feira, 6 de agosto de 2020

Let's rock!!!

Saudades.
Eu sei, logo eu, que sempre me orgulhei de não sentir saudade de nada e nem de ninguém.
Mas, eis-me aqui, cansado, velho. E saudoso.
Sentindo saudades de Doctor Who novo.
De quando era bom.
Do 12th, provavelmente minha encarnação favorita do personagem, disputando ferozmente a posição com o 4th e o 7th. 
Saudades de...bom, você sabem. Tenho falado majoritariamente sobre ele nos últimos dias. 
Curiosamente, vendo um fan-clip pra um remix Bowieano que eu amo num nível absurdo, achei essa imagem. Aí, só peguei. 


Minhas 4 coisas favoritas da vida reunidas: Bowie, música, quadrinhos e Doctor Who (só faltou um Kaiju ao longe e alguém segurando um copo de Toddy com Nescafé)

Achei aqui (tentei achar o nome do artista, sem sucesso.)

quinta-feira, 28 de fevereiro de 2019

E já que falei de Doctor Who



Okay....se os senhores olharem na coluna ao lado, vão ver que, entre links legais, selos bonitinhos e coisas do tipo, tem um endereço de e-mail, certo? É o e-mail do blog. 
groselharocks666@gmail.com. 
Tem outro, que criei agora há pouco, pro mesmo fim, o impiosmalditos@gmail.com. 
Deus sabe pq eu teria um fandom em volta desse blog, mas, pra todos os efeitos, é assim que eu vou me referir a ele quando necessário. O Nerdcast tem a legião nerd. O overloadr tem os Overloadrs. E vcs são meus impios malditos, meu adorável bando de escrotos sem Deus no coração. 
Podem usar ambos sem medo pra pedir pauta, cobrar postagem e os caralhos, okay? Okay.
E podem usar tb pra perguntas inconvenientes, como alguém fez ao me perguntar se eu iria resenhar a temporada mais recente de Doctor Who como fazia com as anteriores. 

A resposta?

Não.

Eu vou resenhar a season 10, mas não vou fazer o mesmo com a season 11 não. e isso pq...... hã.... eu não gostei da ultima temporada.


É. Alguns raros bons momentos isolados, mas no geral?



Piora. 

Eu acho, sinceramente, a pior temporada da série moderna e a pior de todas desde "The trial of the timelord", pau a pau com aquele arco de episódios estrelado pelo 6th Doctor. Quase pior, na moral, pq, assim, quando o arco acima citado era ruim, ele era ruim. Quando ele era bom, era bacana. Já com a season 11, ela oscilou entre o okay e o completamente esquecível com uma rapidez meio impressionante.



Não que não tenha seus destaques. "Demons of the punjab" é lindo, aliás, MUITO melhor e mais eficiente na mensagem que passa do que "Rosa", o que é meio criminoso, se quiserem minha opinião, considerando a seriedade e o peso da trama protagonizada por Rosa Parks. E a temporada tem pelo menos UM episódio antológico, de entrar nesses dvds de "melhores de todos os tempos": "It takes you away", pra mim, o momento que introduz em definitivo a 13th Doctor no cânone do personagem e onde ela atinge seu pleno potencial.



Mas de resto, temos episódios BEM meh, com alguns deles não sendo só preguiçosos mas tb moralmente questionáveis. 
Eu já disse que "Punjab" funciona melhor que "Rosa" e isso ocorre pq ambos retratam a 13th como alguém disposta ao sacrifício supremo para a personagem: não fazer nada. Em ambos, a "ação" da Timelady é passiva, ter que se refrear de agir em uma situação ao invés de fazer o que sempre faz, se meter de cabeça, agir aqui e ali e salvar o dia. 
E nada de errado nisso. É até histórico: uma das críticas feitas de vez em sempre ao 5th doctor era o quanto ele era passivo e distante em algumas ocasiões. Mas "Punjab" constrói isso melhor, simples assim (e em defesa do quinto doutor: seu período na série marca o início da fase desconstrutivista e auto crítica de DW, em que a série começa a se perguntar se o multiverso realmente precisa da presença do timelord de Gallifrey). Em "Rosa", o protagonismo da figura histórica que batiza o ep. é meio diminuído quando pensamos no papel da Doctor e sua trupe naquele contexto. E, na moral, ela ter desconsiderando COMPLETAMENTE que a presença dela e de sua entourage naquele ônibus iria afetar o decorrer dos eventos é só um exemplo de roteiro preguiçoso, tentando criar conflito onde não precisava.



Como alguém disse num podcast em que ouvi, o ep. poderia acabar com eles fora do veículo, olhando a distância e estaria tudo bem. Sabemos o que veio depois de Rosa Parks ter entrado nele. É como o Pablo Villaça disse em seu review do filme do Lincoln dirigido pelo Spíelberg: o filme poderia acabar com o personagem indo para o teatro, na cena dele na contra-luz e estaria perfeito. Sabemos o que ocorre depois. Mas não, seguem-se momentos intermináveis mostrando o tiro recebido por John Wilkes Booth e sua morte, só pra criar tensão e arrancar lágrimas do público. Sacrifica-se sutileza por um melodrama desnecessário. Eu vivo dizendo que não aproveitam tanto isso do "espaço vazio" tanto quanto deveriam. 
E vou dizer, na real: cogitei desistir da temporada depois de "Kerblam!". Sério assim.



Vejam bem: num episódio em que vemos uma versão cósmica da Amazon, onde temos o levante de operários contra um sistema opressor e onde a empresa se "redime" dando 6 semanas de férias pros funcionários, "com quatro delas remuneradas", ouvir a Doctor dizer que "não existe sistema ruim. Ruim é o que fazemos deles" cortou na minha carne.



CARALHO, COMO ASSIM. Menos de UMA temporada anterior, quando perguntado sobre um dos males cósmicos, o 12th mandou sem dó: "CAPITALISMO".



They’re not your rescuers. They’re your replacements. The endpoint of capitalism. Bottom line. Where human life has no value at all. We’re fighting an algorithm. A spreadsheet. Like every worker everywhere, we’re fighting the suits!

Vc está me dizendo que a Doctor, a personagem que derruba governos estabelecidos antes do café, que não tem medo de destruir o status quo de planetas inteiros quando confrontado com a injustiça inerente destes, ESSE PERSONAGEM acha que não tem nada de estruturalmente errado no capitalismo, que o problema é o que indivíduos fazem nele?




Fuck you.
NO, NO, SERIOUSLY, FUCK. YOU. 

E me dói no coração apontar isso pq eu queria pra caralho gostar dessa temporada. Antes que qualquer floquinho de neve SJW lacrante, já fazendo alongamento nos dedos, venha com comentários e e-mails raivosos cheios de termos como "machista", "misógino" e "toxicidade", já me adianto que a ÚNICA coisa que eu gostei da temporada foi.....A Doctor. Adorei a idéia de uma mulher no papel. Tinha minhas preferências,  um monte de outras atrizes britânicas



- e pelo menos uma americana -



que queria ver no papel. Mas não fiquei incomodado de maneira nenhuma com a escolha de Jodie Whitaker. Fiquei sim com a quantidade de tempo que botam ela sorrindo por razão nenhuma na série, coisa que não faziam com as versões anteriores do personagem mas este sou eu e meu coração amargo. E afinal, isso não é culpa dela e sim de quem a dirige e do roteiro e é AÍ que a coisa pega. Podemos ir para meu principal problema com essa temporada.



Chris Chibnall. Eu disse várias vezes: o material prévio dele na série é okay. "The power of three" é um episódio okay. "Dinosaurs in a spaceship" é adorável, apesar de eu saber que existem críticas à representação do vilão do ep., e acusações de certos estereótipos associados ao anti-semitismo em sua construção. Enfim, aventuras nada notáveis, mas que entretêm. 
Conheço quase nada do seu trabalho fora do universo whovian. "Broadchurch" é uma série que eu não passei da metade da season 1.
Num geral? A perspectiva dele como showrunner não me empolgava muito e, já tendo visto a primeira temporada com ele no comando, posso dizer...



Eu avisei.

Os dois episódios que eu mais gostei da temporada, incluindo aquele que considero o ep. definitivo da 13th, não tem roteiro dele. Dos 3 que eu menos gostei,  dois deles tem assinatura do showrunner (Rosa e o season finale, "The battle of ranskoor av kolos". O terceiro sendo "Arachnids in the uk", um dos mais poderosos soníferos que já encontrei em tempos recentes). Eu dizia achar que não tinha como ele escrever algo da grandiosidade de "Turn left" ou "Midnight", pra ficarmos na fase de RTD ou algo com o brilhantismo de "Blink", "Listen" e "Heaven Sent", já na fase de Moffat. 
E boy, oh, boy, eu estava certo.
Fora que, e um monte de gente já levantou esse ponto (uma delas é a Elizabeth Sandifer, criadora do blog Tardis eruditorium e uma mulher trans, portanto, com mais "lugar de fala" a esse respeito que eu), mas é incrível como, no momento político em que estamos e com o elenco mais diverso da história do show - e com o programa no seu pico de audiência e com um budget que botaria lágrimas nos olhos dos showrunners anteriores, que tinham que tirar leite de pedra em termos de custos de produção - , narrativamente, Doctor who - a série - tenha tido seu momento mais conservador desde........ na real? EVER. 

Justiça seja feita, ainda não tive coragem, saco e/ou ânimo pra ver o especial de natal ano novo da série, mas....

É isso, crianças. Não vai ter resenha ep. a ep. simplesmente pq eu não quero ter que rever a imensa maioria dos eps. da season 11 outra vez e minha memória deles não é boa o suficiente pra eu fazer textos e mais textos só de cabeça, sem múltiplas revisões pra caçar detalhes perdidos. 
Já me comprometo, no entanto, a resenhar os da season 12, mas estes, só em 2020. O que pode não ser tão ruim assim, considerando tudo.
Respondido?

sexta-feira, 21 de setembro de 2018

Doctor Who 10x00: "The Return of Doctor Mysterio" - With great power comes great responsability...



Se existe um episódio que eu imaginei, num primeiro momento, que me levaria à extremos de opinião, era este, o especial de natal "The Return of Doctor Mysterio". Por um lado, a proposta era brincar com alguns tropes dos quadrinhos e vcs já devem estar cientes que HQs são minha forma de arte preferida, mais que musica, literatura, cinema, games, etc, etc, etc. Por outro, leitores de longa data deste blog sabem o que eu penso de filmes de super heróis, seriados de super heróis e coisas do tipo. 
Se não souberem, uma dica: eu odeio filmes marvel e dc e acho que seriados de superheróis são comédias involuntárias. Simples assim. 
Sob um TERCEIRO lado (pq afinal, quadridimensionalidade é o que liga) Steven Moffat é um escritor particularmente esperto e a possibilidade dele inserir alguns insights particularmente sagazes com o olhar britânico pra esse produto tão norte-americano quanto Elvis e a torta de maçã prometia horrores.
E o que temos como produto final?

Bom....um especial com um bando de personagens meh, mas com uma trama geral particularmente esperta. Da primeira vez que vi o especial, achei BEM fraco. Revendo agora, no entanto, tendo visto a season 10 inteira, dá pra dizer que o longa é um grande preludio de tudo que a temporada traria.


The Doctor: Things end. That's all. Everything ends. And it's always sad. But everything begins again too, and that's always happy. Be happy. I'll look after everything else.




Okay, admito que o fanboy em mim teve ataques de fangirl com o prédio com o globo girando em cima, com a menção à ms. Siegel e ms. Shuster, quando percebeu a referencia do nome Lucy Lombardo e quando ouviu o 12th evocando a frase clássica que Tio Ben ensinou ao Peter. Mas como eu disse acima, não posso dizer que Grant e a jornalista são dois personagens que vão deixar marcas na minha memória, o mesmo podendo ser dito deste especial como um todo. Como eu nunca fui fã do Superman do Richard Donner, não posso dizer que a dinâmica entre o Ghost e a jornalista, culminando na óbvia referencia na cena da entrevista dos dois, mexeu comigo. 
Num geral, fiquei com a impressão de que o mais interessante do episódio, ou o que poderia ter sido o mais interessante nesse especial, se Moffat tivesse interessado em se aprofundar em tais questões, seria mostrar as diferenças entre a visão americana e a britânica dos super heróis. Tem algo de sociológico a ser explorado nesse tema. Sempre fui fascinado em pegar as nuances que separam os super humanos norte-americanos e suas contrapartes japonesas, por exemplo. Num geral, heróis americanos ganham seus super poderes, quase como uma dádiva cósmica, personificações milagrosas do destino manifesto. Acidentes científicos e coincidências cósmicas que deveriam matar indivíduos mas que, ao contrário, concedem poderes. Visitantes alienígena que, como presente de boas vindas, ganham habilidades ultra humanas. E claro, mutantes. Gente que simplesmente nasceu com habilidades semidivinas.
Já do lado japonês, mesmo se vc tiver nascido como o "the chosen one", tenha talento absurdo ou algo assim, nada vem de graça, tudo é obtido via muito, mas MUITO treino, suor derramado e trabalho duro. Se a personificação do herói americano é o Superman, o exemplar perfeito do super justiceiro nipônico não seriam Goku ou Naruto, mas sim Kuririn e Rock Lee, indivíduos que, sem grandes poderes vindos de berço, tiveram que ralar feito dois filhos da puta pra conseguir se manter ombro a ombro com os colegas.

"ah, mas o Batman..."

O Batman tem o maior superpoder que qualquer pessoa pode ter na sociedade ocidental: dinheiro. Vai fazer viagem ao redor do mundo treinando e construir batmóveiS - no plural - recebendo 3 salários mínimos e aí a gente volta a conversar.... 

Enfim, o especial decide não tomar o caminho da ironia e prefere se tornar uma declaração de amor aos tropes de quadrinhos e por mais que eu consiga entender o pq disso, ainda acho uma oportunidade perdida. Entendo que, talvez, os especiais de natal não seja o lugar pra esse tipo de crítica, preferindo um tom mais leve e de coração aberto que um ep. normal de meio de temporada, mas ainda assim. 


Não gosto particularmente da raça de alienígenas que serve de vilões pra essa trama, piada de uma nota só, mas por outro lado, interessante ver que todo o plano gira em torno de dominação mundial via "hostile takeover" sob um viés típico de administração de empresas. Indo além, temos um grupo distinto tramando uma alternância de poder através de um falso inimigo, da cultura do medo e da exploração de uma elite financeira e política particularmente estúpida. Como se não bastassem os Daleks e os Cybermen, o Doutor decide tomar como inimigo uma praga bastante familiar, tanto pra ele quanto pra gente: o capitalismo. Ainda que se ressalte que não é a primeira vez que corporações de qualquer natureza e suas metas de lucro entrem em choque com os valores do timelord. Algumas das histórias mais famosas do 6th e do 7th Doctor giram em torno de grupos tentando lucrar financeiramente com a tragédia e o extermínio de raças inteiras e de vez em sempre, todas as versões do personagem já lidaram com CEOs e Warmongers mal intencionados (com o perdão do pleonasmo #eattherich). 
Dos grandes macro temas dos preferidos de Moffat, temos de volta o poder das histórias. Grant consegue seus poderes literalmente ao "desejar pra uma estrela cadente", ainda que de forma pouco ortodoxa. 
"The Return of Doctor Mysterio" é um monte de coisas e poderia ter sido outro monte delas. Injusto julgar uma obra pela que ela escolhe NÃO ser, então, vou dizer apenas que é um especial divertido, irregular, longe de ser o melhor dentre os roteiros de Moffat, mas um bom sinal do que viria - de forma melhor e mais densa, devo dizer - no decorrer do décimo ano de DW. 

Mais alguns perdigotos de idéia
- Nardole começa a se distanciar do papel de alivio cómico e se aproxima daquele que ele vai desempenhar massivamente durante a season 10: basicamente a consciência do Timelord, o grilo falante tentando manter o Doutor nos trilhos. 
- Incrível como natal é um período melancólico sob a perspectiva de Moffat - não que eu discorde, aliás. Quase todo especial de Natal dele lida com o Doctor ou algum outro personagem lidando com perdas ocorridas no ano anterior. Os Ponds, Clara, River. Time of the Doctor sendo o pináculo disso, onde o protagonista se via confrontado com a própria finitude.....
- Mais uma vez: que maneiro ver o Doutor dizendo que grandes poderes trazem grandes responsabilidades. 
- "Isso parece barato". Ninguém jamais dirá que DW não é uma série consciente de suas limitações.... :-) 
- Se formos tomar como base o gibi do Superman que Grant estava lendo e a arte do Hulk no poster na parede em seu quarto, o guri é um grande fã de John Byrne. Entendam isso como quiserem. 


The Doctor: Superman and Clark Kent are one and the same person. 

Young Grant: Are you serious? 
The Doctor: Yeah. Look, I drew specs on Superman. 
Young Grant: Everyone knows they're the same person. 
The Doctor: Well, Lois Lane doesn't. And she's a reporter.


quinta-feira, 20 de setembro de 2018

Doctor Who 9x13: "The Husbands of River Song" - And they both lived happily ever after....



À luz da chegada da 11ª temporada, com novo showrunner, nova doctor, novos companions e novo ...well...TUDO... acho que é uma boa hora retomar meus textinhos sobre Doctor Who e passar por toda a 10ª temporada, última de Steven Moffat como escritor-chefe e de Peter Capaldi no papel título. 
Deixo pra comentar da temporada como um todo no ultimo texto, mas acho seguro dizer que, se não teve um arrasa quarteirão desses de entrar em qualquer antologia de melhores momentos da série como foi nas 2 temporadas anteriores (respectivamente "Listen" e "Heaven Sent"), por outro lado foi uma temporada mais consistente, sem nenhum episódio particularmente fraco. Claro que uns foram melhores que os outros, mas não teve nada como o do monstro de remela da temporada anterior. 
Então, comecemos com a ultima ponta solta da temporada 9, antes de entrarmos com os dois pés na season 10:

Não creio que, sob nenhuma perspectiva, esse seja o melhor episódio de Doctor Who. Não é o melhor da season 9, não é o melhor especial de Natal, não é nem o melhor especial de Natal dentre os roteirizados por Moffat. O que ele é, no entanto, é uma boa aventura, sem grandes pretensões, exceto, claro, concluir de maneira definitiva a história de River Song, fechando o seu ciclo de aventuras e deixando-a pronta pros eventos de "Silence in the library". Se vcs se lembram, terminei meus textos da temporada passada dizendo que eu estava apreensivo com o futuro da série, e mais precisamente com esta temporada, já que um dos motes recorrentes da season nine foi o quanto o Moffat estava sem mais histórias pra contar. "Heaven Sent", melhor ep. desse ano do show mas, assim, DE LONGE, é exatamente sobre isso, sobre esse esgotamento natural de histórias que o criador tinha pra narrar sobre o timelord de Gallifrey. Foi curioso, então, perceber que este meta tema se faz presente nesse especial e o roteirista se coloca na trama na forma de River, ela própria, tal qual ele, alguém que sabe que amar o Doutor é saber, tb, a hora de se afastar e que o madman with a box jamais vãai ser propriedade dele ou de qualquer outro autor que esteja no comando do seriado. No máximo, ele é um brinquedo que estas pessoas pegam emprestado por um período mas com a certeza de uma devolução, o que deve ser particularmente traumático para ele, que não só é o "dono da porra toda" desde 2010 e não apenas esteve trabalhando diretamente com o personagem desde a década de 90, mas que é um whovian desde a infância. 



"When you love the Doctor, it's like loving the stars themselves. You don't expect a sunset to admire you back!"

Somemos a isso o fato deste ser, durante um tempo, aquele que provavelmente seria o ultimo texto do escritor para o programa (bom....pelo menos por agora. Sabemos que ninguém nunca "corta relações de vez" com o timelord) e dá pra sentir a responsabilidade. Mas, ao invés de pesar a mão com uma história mega densa, Steven decidiu seguir o caminho oposto e fazer deste um especial de Natal com cara de especial de natal. Leve, divertido e despretensioso........pelo menos pela maior parte dele. 
Começamos com um Doutor ainda digerindo os eventos de Hell Bent, sem memórias de Clara Oswald mas com a ciência de que.....algo está errado. A trama, onde o 12th tem que auxiliar uma Prof. Song ainda não familiar com a sua atual face, enquanto ela tenta resgatar um diamante localizado dentro do crânio de um despota é só uma desculpa pra uma história que se sustenta pesadamente na interação entre Capaldi e Alex Kingston. Conforme avançamos na história, no entanto, "the husbands...." passa a ser sobre o fim do ciclo de vida da arqueóloga e a ciência de que a hora de se despedir de vez do Doutor se aproxima. 
Recentemente, num documentário, enquanto falava sobre o apelo de DW pras gerações mais novas, Capaldi lembrou que, no geral, o grande tema da série é pura e simplesmente a morte. 

"People always ask me what it is about the show that appeals so broadly. The answer I would like to give — and which I’m discouraged from giving because it is not useful in the promotion of a brand — is that it’s about death. And it has a very, very powerful death motif in it, which is that the central character dies. I think that is one of its most potent mysteries, because somewhere in that people see that that’s what happens in life. You have loved ones and then they go, but you must carry on.”

A morte é um dos temas principais da série desde que o 1st caiu na Tardis e diante dos incrédulos olhares de Polly e Ben, regenerou pela primeira vez na vida. Sabemos que o tempo do programa não é definido apenas pelos episódios de tv e isso não é de hoje: todas as versões do Doctor tem um volume de material de universo expandido desde sempre, desde os livros passando por audiobooks, animações, quadrinhos e etc. Mas, independentemente do volume de material protagonizado pelo aventureiro e sua Tardis, a verdade é que desde que Patrick Troughton assumiu o papel, sabemos que toda encarnação do personagem tem um tempo de vida bastante limitado. Em alguns casos, um ano (o 9th). Em outros, quase uma década (Tom Baker, o quarto doutor, ficou na série por 7 anos, de 71 a 84). Mas a morte sempre espreita. 



A novidade aqui é vermos essa morte sob o olhar do Doutor e com alguém tão semelhante e único quanto ele próprio, com a cabeça numa guilhotina que lentamente se aproxima. Por isso, a ultima metade do especial tem uma mudança de tom tão grande e ganha uma "gravitas" absurda, com o conflito passando a ser se o Timelord conseguiria impedir o inevitável e salvar River.
E a resposta é...não. Mas isso não quer dizer que não dê pra dobrar as regras dentro do possível e conseguir mais uma looooooooooooooooooonga noite com a personagem. 



Dessa dicotomia do Doutor tentando parar o tempo, esse punhado de areia que escorre pelas mãos independente do quão forte tentemos segurá-lo, e da River, sabendo que, em algum momento, a festa tem que acabar e que a hora de pegar o casaco do armário, pagar a comanda e voltar pra casa está perigosamente próxima, que vem a força de "The Husbands of River Song". 

The Doctor: What's the book?
River Song: Oh, it's my diary. One should always have something sensational to read on a spaceship.
The Doctor: Is it sad?
River Song: Why would a diary be sad?
The Doctor: I don't know. It's just that you look sad.
River Song: It's nearly full.
The Doctor: So?
River Song: The man who gave me this was the sort of man who'd know exactly how long a diary you were going to need

Se fosse de fato, a palavra final de Moffat nos textos do show, teria sido um final adorável, com tudo que fez seu período na chefia de DW algo tão único: alegre em alguns momentos. Melancólico em outros. Com certo ar de tragédia à espreita mas a mesma quantidade de esperança flutuando ao redor de seus personagens. "Everybody lives"? Nem sempre. Mas as vezes, pra quem está diante do abismo, conseguir mais uma ultima noite com seus entes queridos já é um final feliz bom o suficiente, independente dela durar apenas algumas horas ou 24 anos. :-)

Mais alguns centavos: 
- Nardole faz sua estréia no universo whovian. Sei que ele é um personagem bastante divisivo. Se eu for me basear só no que vi aqui, sem pensar que já vi a décima temporada inteira, diria que ele é bem irritante e nem sempre as piadas que envolvem ele funcionam, mas isso seria mais por problemas do roteiro do que do ator ou do personagem (e, independente da faixa etária de boa parte do fandom, ainda é um produto pra crianças e esse é o tipo de humor que tentam fazer com ele, pelo menos aqui). 
- A cena do Doctor entrando na Tardis "pela primeira vez" me fez rir alto.
- O fato de ser um episódio mais leve não quer dizer que não tenha um dos tão famosos twists de roteiro do Moffat que vão deixar saudade com a mudança de showrunner. Esse especial muda toda a dinâmica da relação entre River Song e o 11th Doctor. Muitos fãs diziam que a encarnação do personagem vivida por Matt Smith parecia um pouco frio sua suposta esposa, e que nem parecia que ele era "o doctor dela". E a revelação era: Ele não era. 
- De acordo com o especial, River esteve cuidando do Doutor em todas as suas encarnações prévias e sobre isso, só tenho a dizer: procurem os audiobooks de DW protagonizados pela arqueóloga. Em vários deles, temos tramas em que a cientista se vê interagindo com versões prévias do protagonista e, das poucas que já ouvi, todas são histórias incríveis. Sim, fanservice pra caralho, mas incríveis. No youtube vcs acham trechinhos. Procurem - inclusive já postei aqui - o episódio em que a timelady e o 7th conversam durante um copo de chá. E já está anunciado audiobook novo com filha de Rory e Amy se encontrando com ninguém menos que o 4th doctor, o que deve render um novo clássico whovian. 
- Menos de um mês pra estréia da season 11, vou tentar correr com os textos pra que tenham acabado antes da season premiere da nova temporada. Gerônimo!!!!
- "Felizes para sempre não quer dizer para sempre. Só quer dizer...por um tempo. Ainda que pouco". 



terça-feira, 11 de setembro de 2018

E já que CONTINUO falando de Doctor Who....




Eu quero tanto... mas assim....TANTO gostar da nova temporada.
Mas tem uma vozinha na minha cabeça me lembrando que Chris Chibnall é o novo showrunner e que tudo que eu vi dele é meio medíocre, dentro ou fora do universo whovian...
mas aí eu lembro que eu não gosto das coisas que o Moffat fez fora de DW....

........
Bom, em breve vamos saber qual das duas vozes na minha cabeça estão certas.. Por enquanto, sigo com os dois pés atrás.

E já que falei de Doctor Who



HOLY FUCK!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!




Shada



Existem alguns cálices sagrados da mitologia whovian, que todo novo fã aprende, com o tempo, a respeitar. Por exemplo: de vez em sempre há a possibilidade de encontrarem episódios perdidos da série clássica. Arcos inteiros (e pedaços de outros) se perderam completamente pq, na época da criação destes, a BBC nem pensava nisso de "arquivo de imagens". Estamos falando de começo dos 60, ninguém pensava muito em home vídeo/entertainment e os cacetes. Outro desses "unicórnios Gallifreynianos" é Shada, o lendário arco escrito por Douglas Adams que deveria ter sido o season finale da 17th season. Negócio começou a ser desenvolvido em 1979, mas problemas da época (a saber: uma greve do staff da BBC) fez com que os responsáveis desistissem. Existem pequenos pedaços do que foi gravado que ganharam o mundo. Cenas do episódio foram usadas para suprir a falta de Tom Baker no especial "The 5 doctors". Posteriormente, uma animação em flash (com o 8th doctor - que deveria estar aqui mas não está funcionando aqui no chrome do trabalho, mas de boa, vcs acham fácil isso no youtube ou em torrent) e um livro adaptando o arco (já lançado no Brasil, devo dizer, bem bom) saíram oficialmente mas, nada além disso....até agora (bom....tecnicamente, tem aquela versão lançada em dvd com narração de Tom Baker completando as lacunas, mas.....). 
Sem nenhum aviso ou pompa, a TV britânica lançou o arco em Julho passado em forma de um longa de mais de 3 horas de duração. Parte live action, usando o que havia de cenas do negócio, e parte em animação, naquele mesmo estilo usado em recons dos arcos perdidos (caso mais recente foi "The power of the daleks", torando possível pela primeira vez em décadas que whovians possam assistir ao momento mais importante da história da série: a primeira regeneração, quando William Hartnell cedeu a posição de protagonista para Patrick Througton). A melhor parte? O elenco original volta para dublar a animação, então temos uma espécie de "reunion" do 4th doctor (Tom Baker) e da Romana II (Lalla Ward) em seus papéis clássicos. 


Como já disse aqui em várias oportunidades, esse casal é, junto com o 7th e Ace e o 12th com a Clara, minha encarnação favorita do duo "Doctor/Companion" em todos os 50 anos de série, então, vcs podem deduzir o quão feliz eu fiquei com o anúncio.
Além de tudo isso, a arte do box de dvd de Shada tem uma vibe meio Jack Kirby que é de deixar qualquer fã de olhos brilhando:

Vi primeiro aqui

Os loucos tomaram conta do sanatório...

  O lendário show do Cramps em um asilo mental em 78... Venus Lux, Poison Ivy e banda, completamente soltos tocando pros internos e interagi...