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quarta-feira, 8 de janeiro de 2025

"Reach down and touch faith..."


Começando os trabalhos do blog em 2025 da forma certa: um melhores shows que já vi na vida, ali do lado com o clássico "Trilogy" do The Cure ou do "Demon Days live". Nunca fui muito de aglomerações, então meu lugar favorito pra assistir shows é aqui no conforto do meu quartinho.

Anyways, "Touring the Angel", show parte da turnê de 2005/06 do Depeche Mode, uma daquelas bandas que são parte integrante da minha vida desde que me descobri fã de música triste, sexy e cheia de efeitinhos eletrônicos.

De lá pra cá, muita água já passou por debaixo dessa ponte, com inclusive a banda perdendo infelizmente um de seus membros, Andy Fletcher, que morreu em 2022 e um cd que vem depois da partida dele e onde os dois terços restantes da banda (Dave Gahan e Martin Gore) tentam capturar um pouco da energia do luto resultante (e o fazem de forma maravilhosa, vale mencionar).

Enfim, um momento mágico, com a banda afiadíssima e um público em êxtase quase religioso, resultando em uma experiência que só pode ser descrita, com a devida justiça, como "mágicka".




segunda-feira, 20 de fevereiro de 2023

Monster Mash - Good Vibes



Música feliz, música de festa, música pra encher a cara, música de balada.

Yep, eu sei que isso é exatremamente off chatacter pra mim, criatura que se refestela nas trevas e que adora chafurdar nos rincões mais sinistros e pútridos da existência humana.

Exatamente por isso, decidi, só pelo desafio, fazer uma playlist com músicas felizes.

Tentei colocar músicas com letra E melodia good vibes e acho que fui QUASE bem sucedido... Os senhores que me julguem.

Quarta feira de cinzas tá chegando e aí a gente volta a ouvir música sinistra. "Todo carnaval tem seu fim",

Mas por hoje, pelas próximas horas? Vamos tentar esse negócio de "felicidade". Vai que seja bom...


terça-feira, 22 de junho de 2021

and now for something completely different


 Leitores de longa data do blog sabem que eu não tenho nenhum carinho por nostalgia.

Mas existem circunstâncias em que dá para você usar o conceito do jeito certo. Esta, registrada no vídeo abaixo, é uma delas. 

sexta-feira, 11 de setembro de 2020

Monster Mash #54 - Snootchie Boochies!!!!!!!

                                         

Sexta!!!!!
Dia oficial da mixtape aqui do blog, a incansável MONSTER MASH.
E hoje, vamos de Bjork, Ho99o9, Alice in Chains, Blood red shoes, Faith no More e outras surpresas.
Divirtam-se. 






segunda-feira, 7 de setembro de 2020

Ritmo, poesia, flores e bombas...

 


Eu mesmo, não conhecia até uns 40 minutos atrás. 
Foi vendo a idéia que o GOG mandou no documentário abaixo que eu descobri quem ela era.

Se liga (e aliás, recomendo que vejam o "Rap pelo rap", uma polaroid belíssima do que o rap nacional já foi, é e pode vir a ser nos próximos anos).

sexta-feira, 4 de setembro de 2020

American Utopia

 

Spike Lee + HBO + David fucking Byrne. 
Impossível não estar ansioso com o resultado dessa equação, que vai estar disponível pro mundo a partir do dia 17 de Outubro. 
O filme é uma adaptação do musical da Broadway, que além das canções do disco de mesmo nome lançado por Byrne em 2018, conta também com momentos de "spoken word" de Byrne além da apresentação de alguns dos clássicos do artista de seus tempos como líder dos Talking Heads. 
A idéia do álbum - e do projeto de arte multimidiático do qual ele fez parte, o "Reasons to be cheerful" - é basicamente, espalhar positividade. E sim, eu sei, meu estômago também vira ao ler sobre positividade, minha cabeça vai para cantos pouco amigáveis e imagina cenários hippies e delusionais, mas é David Byrne e ele merece algum crédito. A idéia não é abraçar o escapismo, mas  reconhecer que temos muito ainda para consertar coletivamente e, no processo, botar o holofote no que temos de mais sublime e naquilo que, como espécie, estamos fazendo direito. O que já é, em si, algo profundamente subversivo. 
E mais do que nunca, no cenário cínico e profundamente pessimista de 2020, necessário. 

sexta-feira, 28 de agosto de 2020

Monster Mash - edição de improviso



Pro inferno. 
Só porque me deu na telha. 
Edição feita agorinha, menos de 5 minutos, só com as primeiras músicas que me vieram à memória.
Edição de festa, (quase) toda dançante, porque afinal, até eu preciso de uma folga da miséria que são nossos dias atuais. 
Já que não dá pra ir pra balada, só bota o som no máximo, arrasta os móveis e se joga. 




terça-feira, 25 de agosto de 2020

Better living through circuitry



Assistir esse documentário foi uma experiência ligeiramente agridoce. Não exatamente nostálgica, porque eu nunca fui exatamente um frequentador de raves, principalmente considerando que eu morava numa cidade do interior de São Paulo quando cheguei na idade em que isso era um trending. Mas lá por 1999, quando finalmente pus minhas ursídeas patas num computador conectado a internet e fui apresentado ao "Napster"? Aí sim, me tornei um grande consumidor de música eletrônica, indo além do que me era ofertado pelas rádios FMs disponíveis. O que era um interesse superficial foi se aprofundando conforme tive acesso a compilações de gêneros. Vir para São Paulo e ter MTV a disposição, com programas especializados no gênero como o saudoso AMP, só me permitiu me aprofundar ainda mais no estilo - inclusive, finalmente, frequentando minha primeira festa onde a música eletrônica era protagonista. 
Então, sim, existe um elemento de nostalgia aqui sim. Mas claro, porque afinal, eu não consigo manter alegria por grandes períodos de tempo, vem a descida e a trip vira uma bad. 
O documentário abaixo, pegava o começo do fim. Tudo parecia que ia crescer e os limites pareciam ir para direções maravilhosamente imprevisíveis e estranhas e aí... Aí veio o que ocorre com todo movimento de contra-cultura: o homem branco hétero rico demonstra interesse, absorve os elementos mais superficiais da cena e a transforma num pastiche dela mesma. 
Para quem for se aventurar pelo documentário, percebam como a maioria esmagadora dos djs entrevistados responde pelo nome artístico. O movimento dance/techno/raver era marcado pela iconoclastia, por ir contra a idéia do culto à imagem.
Corta para o pós 2000 e o que temos: djs milionários. Músicas que, como celebração à uma cultura, são excelentes temas de fundo para comerciais de margarina e para a "festa da firma". E um público que simplesmente não dança e se satisfaz simplesmente pulando, balançando os braços enquanto olham para o palco enquanto o dj faz...... faz.... nada?
Exato. 
Aconteceu com o punk - que foi deformado até virar Emo - e o rap - nos piores momentos do hip hop de ostentação. Vai acontecer de novo e de novo porque, afinal, esta é a natureza da besta. 
Mas não é por isso que não vou lamentar. E sim, eu sei que tem muita gente que sobreviveu a esse processo de assimilação e continuam "lutando o bom combate" com sua integridade artística intacta. 
Como também existe no punk, no rap, no rock e em qualquer gênero de arte que surge como algo subversivo. 
Mas ver o documentário registrando um momento muito específico dentro da cena me fez pensar no que poderia ter sido. E eu sei, "a grama do vizinho é sempre mais verde".
E afinal, uma das melhores características da contra-cultura é seu elemento mercurial. O punk foi anti-sistema até se tornar parte dele. O jazz e o rock antes dele. O techno e o rap, depois. Mas sempre que o $$$istema pensa que finalmente enjaulou a rebeldia, ela acha um ponto de escape e se torna algo novo e bizarro, que vai lhe causar asco até Ele perceber como pode capitalizar em cima disso, o que vai causar a diluição dessa rebeldia e sua inevitável transformação em algo novo. Tentar conte-la é como segurar areia, como tentar conter o ar com as mãos. 
Não dá para parar tais movimentos. Não dá para controlar ou prever de onde eles vem.
You can't stop the beat. 

sexta-feira, 21 de agosto de 2020

Monster Mash #52 - "Onipotência para principiantes"



Como é que é?
Monster Mash por dois dias seguidos? Terá a ordem universal sido subvertida e toda a tessitura cósmica virá abaixo como consequência?

Em resumo: não.
O que eu posso dizer? Apenas tive uma semana mais musical do que de costume, o que rendeu material pra uma mixtape mais gordinha. 
É isso, ímpios. 
Já sabem como funciona: deem o play e abracem o mistério. 


                                        

Essa edição tem Poppy, Djonga, PIL, Propagandhi, Dropkick Murphys, Death Grips e Tears For Fears, entre outros. 
Divirtam-se

quinta-feira, 20 de agosto de 2020

Monster Mash: "Conversando com o Starman - Season 01"



Surpreendendo a absolutamente ninguém: As 22 músicas que compuseram a primeira temporada da seção oracular aqui do Groselha, organizadas para o desfrute dos senhores e senhoras 

So, sem mais delongas, e depois de um looongo hiato: 



segunda-feira, 17 de agosto de 2020

"Seja como uma cascata"



Enquanto eu estudava para a "Conversando com o Starman", descobri que, parte do processo criativo de Bowie em sua parceria com Brian Eno na segunda metade dos anos 70, envolvia uma técnica criada pelo produtor e ex-membro do Roxy Music que envolvia cartões com aforismos. No "Outside", disco conceitual de Bowie, os cartões tinham informações sobre cada personagem, que ofereciam um background para os artistas de como deveriam tocar e qual "clima" deveriam injetar nas composições. Em demais trabalhos, a idéia dos cartões, que Eno batizou de "Oblique Strategies" era, por meio das frases neles, oferecer uma certa limitação conceitual e a partir disso, estimular o pensamento lateral.
A frase que eu usei como título deste post, por exemplo, foi uma das que tirei outro dia. Como você interpreta cada uma, é contigo. O negócio é praticar esse raciocínio de associação como um gatilho para o processo de criação artística. 



Quando li sobre isso, pensei "que legal, isso poderia ser lançado pro público"
Foi.
Também pensei "isso também funcionaria perfeitamente como um app"
Bom, Eno e seu parceiro no projeto, Peter Schmidt devem ter pensado o mesmo, já que isso existe, estando disponível para download gratuitamente lá no google play.
Pra galera que trabalha com arte, recomendo bastante. Não sei exatamente qual o processo racional envolvido, mas de fato, o app já me ajudou em um ou dois momentos de bloqueio criativo. 



Lágrimas na chuva


Oito horas. Quase 500 minutos de sons de chuva e a maravilhosa OST concebida por Vangelis para o clássico Blade Runner. 

Certas distopias, como a de Exterminador do Futuro ou Mad Max, te pegam pelo choque, pelo som e fúria e pela cacofonia. A do longa de Ridley Scott - baseada no conto de Philip K. Dick - no entanto, é mais próxima da nossa, calma, silenciosa, fruto da apatia e da omissão. Um futuro que, ironicamente, já virou passado (lembremos que os eventos da história se passam em 2019) mas que continua aqui, num estado de perpétuo presente. 

quinta-feira, 13 de agosto de 2020

Conversando com o Starman #22

Música do dia: QUEEN BITCH

Contexto: Disco já comentado aqui antes (na nona entrada desta seção) então, como de praxe: 笑うノームに従ってください

Sobre a música: Eu gosto do quão referencial "Queen Bitch" é, mas da forma correta. Existem formas e formas de você colocar suas influências na arte que produz, algumas mais ou menos óbvias, algumas mais ou menos sutis. Não coincidentemente, essa faixa se encontra no mesmo LP que "Andy Warhol" e aí, quando somamos os temas Nova Iorquinos, a presença de uma travesti como musa, e a acima citada canção batizada com o nome do líder da Factory, chegamos a óbvia conclusão que, para surpresa de ninguém, Bowie era um grande fã de Velvet Underground. De fato, a partir das visões de New York concebidas a partir da audição do trabalho de estréia do revolucionário grupo liderado por Lou Reed, viria o fascínio de David com a cidade americana, que futuramente seria seu lar por quase toda a segunda metade da sua vida. 

Como vai ser o seu dia: bom, um grande potencial desperdiçado já que, considerando o conteúdo da letra, meu conselho óbvio seria para irem passear pela cidade, aproveitar o local onde vivem e se permitirem ser parte dessa grande teia que é a existência num grande centro urbano. Mas aí lembramos que, apesar das pessoas aparentemente terem se esquecido deste detalhe, ainda estamos em meio a uma pandemia e quarentena é indicada. Então, NÃO TIREM O PÉ DE CASA. 
Moro em SP já há mais de 20 anos (ninguém é perfeito) e, nesse momento, amar essa cidade, lembrando que todo grande centro urbano é formado por cada um dos seus indivíduos formadores, como uma grande colméia sustentada por cada um de seus habitantes, é tomar todos os cuidados possíveis para garantir a própria integridade física, assim como a dos demais fios que compõem essa gigantesca colcha. Então se cuidem, se puderem, fiquem em casa, usem máscara, lavem as mãos, já sabem de todo o processo. Sejam responsáveis.
E, uma vez que o apocalipse acabar, aí sim, compensem todo o tempo perdido. A cidade que amamos (qualquer que seja a sua), essa grande entidade transgênero, igualmente classy e trashy, hostil e acolhedora, vai estar lá fora, esperando pela gente quando o pior passar. 

Frase do dia: "If she says she can do it then she can do it/She don't make false claims"

terça-feira, 11 de agosto de 2020

Conversando com o Starman #21

Mais um dia, mais um texto e mais uma música particularmente incomum a ser comentada, o que é sempre divertido. A faixa de hoje é "SHE SHOOK ME COLD"


Contexto: Cd já comentado aqui, então, sigam o protocolo e "vão atrás do gnomo que ri"

Sobre a música: Como eu a) me concentro nas letras das composições Bowieanas já que b) não entendo notação musical o suficiente para descrever como a melodia é utilizada para contar essas histórias, geralmente acabo restringindo essa seção a figura de David Bowie em si, parecendo que este foi um gênio absoluto que construiu a mítica ao seu redor de forma solitária e, obviamente, nada poderia estar mais distante disso. Falar do cantor britânico e suas décadas de carreira é também falar de personagens como Kenneth Pitt, Tony DeFries, Tony Visconti, Carlos Alomar, Angela Bowie. 
E claro, Mick Ronson.


Apesar dessa canção ser creditada apenas a Bowie, é um consenso entre todos os textos que li, que esta é uma composição coletiva, sendo concebida à "8 mãos" (Além de Bowie e Mick, Woody Woodmansey nas baterias e Visconti no baixo). Mas vamos ser honestos: essa música é aquele momento do show em que todos os holofotes vão para o guitarrista e seus 50 dedos perdidos num solo maior que a vida. E, de fato, quando "She shook me..." entra em seu segundo minuto, ela se entrega a um solo maravilhoso de quase 120 segundos, onde podemos ver porque Ronson merece todos os créditos pelo seu papel na mítica Bowieana, principalmente neste momento formativo da história dela (Ronnie estava lá quando "Ziggy" e suas aranhas de marte catapultaram Bowie e sua banda para o status de deidades). Altamente influenciada por bandas como o Led Zepellin e Cream, "She shook me cold" foi provavelmente o mais próximo que o Starman chegou de compor uma faixa de metal.  

Como vai ser o seu dia: A canção descreve o encontro romântico entre duas figuras, perdidas no frenesi romantico que, por sua vez, ganha tons ligeiramente sinistros conforme ela avança e....

Okay, honestamente, eu vou fazer o extremo oposto do que normalmente ocorre aqui e vou ignorar a letra. Só ouçam a melodia e se percam naquele solo belíssimo, naquela colaboração que berra anos 70, naquela jam onde, no final, eram 4 pessoas se divertindo num estúdio. 
E se quiserem tirar algo da experiência - e devo presumir que vocês querem, afinal, os senhores estão aqui - pensem o seguinte: se quiser chegar "lá", onde quer que "lá" for, escolha bem seus companions para a jornada. Hey, eu defendo a lógica do lobo solitário tanto quanto qualquer um, mas vamos aos fatos: arte é um processo coletivo. E as vezes, de fato, compor com alguém permite uma visão mais fresca ou a correção de um detalhe que, sozinho, você seria incapaz de notar.  É aquilo de mangás para garotos tipo One Piece: você precisa de um crew, uma tripulação que complete seu time, com qualidades diferentes da sua. 
A soma dos fatores, de fato, pode ser maior que seus elementos isolados.

Frase do dia: "I'll give my love in vain/ to reach that peak again"

segunda-feira, 10 de agosto de 2020

Conversando com o Starman #20

Bom dia, senhores.
Nova semana, nova entrada em sua seção oracular favorita deste weblog..
Hoje, temos um capítulo particularmente diferente dos demais, o que é maravilhosamente adequado, considerando o caráter disruptivo do disco de onde a faixa que iremos comentar vem. Vamos todos para Berlin, enquanto ouvimos a instrumental (eu disse) e gélida ART DECADE.



Contexto: Então, "Station to Station" era passado. O Duque havia vindo e deixado a vida de Bowie em estado de "terra arrasada" e ele precisava de um recomeço, um sopro de ar fresco. E principalmente, de distância da cena de drogas de Los Angeles. O cantor nunca escondeu seu amor pela Alemanha, desde sua visita inicial a Berlin em 1969. A decisão parecia óbvia e ele (e Iggy junto) foi para a capital germânica. 
Como consequência, não apenas da mudança geográfica mas também do desejo de distanciamento do próprio passado e de uma mente aberta as influências locais, Bowie se viu curioso com as características da música pop de vanguarda produzida na cidade: era a época de bandas como Tangerine Dream, Kraftwerk, Can e Neu!. Em comum entre todas, o minimalismo, as vezes em menores tons, dividindo palco com sons mais grandiloquentes, as vezes tomando o papel de protagonismo. 





Com a parceria com Brian Eno veio também o interesse por sons mais ambientes. A idéia era rejeitar a história de "storytelling", de narração, que é característica da música americana em gêneros como o folk e o blues e se aproximar da criação de "cenários" sonoros. De fato, o primeiro LP resultante desta nova página na vida do artista, "Low", seu 11º trabalho de estúdio (1977), era dividido em duas metades distintas: o lado A tinha composições em que o rock e o eletrônico coexistiam em músicas com letras, mais próximos do passado de Bowie. Já o lado B era de faixas instrumentais, o mais distantes o possível do que se esperaria de um trabalho de "música pop". 
Não surpreendendo ninguém, "Low" dividiu opiniões do público e crítica da época. David, por outro lado, encontrava uma nova "caixa de ferramentas" pra brincar e estava particularmente "confortável" nela. Tanto que seus próximos dois lançamentos teriam fortes semelhanças estilísticas com este disco, daí o hábito de se reunir os três trabalhos sob o epíteto de "a trilogia de Berlin". 

Sobre a música: Okay, faixa instrumental, não temos o norte das letras para comentar. Mas o título da canção, "Art Decaded" é, na verdade, um trocadilho com "art decayed" (arte decaída), um comentário de Bowie sobre o estado estéril da cena artística do lado ocidental de Berlin na época, isolada criativamente do resto do mundo. A faixa, de menos de 4 minutos, evoca sensações de estranheza, certa tensão e ao mesmo tempo, conforto. Bebendo das influências locais, a faixa é econômica em seus sons, com os sintetizadores criando um canvas de texturas sonoras ao mesmo tempo agradáveis e estranhas. O final, catártico, parece nos pegar pela mão, e nos levar para um lugar seguro. 

Como vai ser o seu dia: Toda mudança é difícil. Eu sei, vocês sabem. Aliás, todo mundo, em escala global, se não sabia disso, aprendeu do pior jeito possível, com esse ano provocando quebras de paradigma de escala global. Adaptação é sempre importante. Absorva o que você puder do melhor do seu novo contexto e se permita se transformar. Toda mudança traz elementos positivos e negativos e cabe a cada um de nós, filtrar o que funciona e o que não. Se tornar algo diferente mas sem abrir mão daquilo que, por sua vez, temos de mais fundamental em nós. Porque, se afinal, mudar é inevitável, equilíbrio também o é. 

Frase do dia: Qual parte de "faixa instrumental" você não entendeu? Mas okay, okay,  se você precisa de uma frase pra servir de norte, que tal: "Todo mundo quer mudar o mundo mas ninguém pensa em mudar a si mesmo". 

sexta-feira, 7 de agosto de 2020

Conversando com o Starman #19

Bom dia, ímpios.
Mais um dia, mais um episódio desta seção. E mais uma vez, retornamos para um álbum que já teve uma de suas faixas comentadas aqui. O disco em questão é "The man who sold the world" e a música é "SAVIOUR MACHINE"


Contexto: Cd já comentado aqui então, já sabem: "sigam o gnomo que ri"

Sobre a música: Essa talvez seja uma das representações mais cínicas e niilistas encontradas na obra artística de David Bowie, e considerando que, anos depois, iríamos entrar na cabeça do artista, mas sob o filtro do olhar do monstruoso Thin white duke, isso quer dizer alguma coisa. 
A letra é uma história com começo, meio e fim e é facilmente compreensível: No alvorecer do apocalipse, a humanidade, através de seu líder (o "President Joe" da primeira linha) resolve criar um computador cujo objetivo é, em resumo, resolver todos os problemas do mundo. 
E ele sucede. O problema é: e depois?

"They called it the Prayer, its answer was law 
Its logic stopped war, gave them food"

O que acontece quando a máquina que foi criada para nos salvar de nós mesmos é bem sucedida?

"How they adored till it cried in its boredom 
'Please don't believe in me Please disagree with me 
Life is too easy 
A plague seems quite feasible now 
Or maybe a war 
Or I may kill you all'"

O Agente Smith já havia cantado essa pedra, só pra ficarmos numa referência que todo mundo vai pegar, no primeiro "Matrix": 


A humanidade se define pela sua capacidade de sentir dor. Eu li em algum lugar alguém dizendo que o motivo pelo qual todo sonho longo acaba virando um pesadelo é porque temos a tendência de enxergar as falhas naquele cenário. O efeito de "uncanny valley" leva à suspeita. A suspeita, ao medo. O medo, ao horror. E temos aí, um cenário propício para a manifestação dos nossos temores. 

"Don't let me stay, don't let me stay 
My logic says burn so send me away 
Your minds are too green, 
I despise all I've seen 
You can't stake your lives on a Saviour Machine"

Só piora quando o deus ao qual entregamos nossos destinos nota esse mesmo detalhe. O quão preguiçosos ficamos sem dificuldades, sem adversidades e com tudo entregue em nossas mãos.
E esse deus se ressente. E ele planeja. E, mais uma vez, os elementos para a tragédia estão todos lá.

"I need you flying, and I'll show that dying 
Is living beyond reason, sacred dimension of time 
I perceive every sign, 
I can steal every mind"

O final da canção é um prenúncio do que vai vir: O que acontece quando o deus ao qual nos voltamos decide que não somos dignos dele?
Se essa premissa lhes soar familiar, principalmente para a parcela dentre vocês que é fã de literatura sci-fi, é porque, de fato, a referência é óbvia: esta música foi composta 3 anos depois de Harlan Ellison publicar, na edição de Março de 67 da revista IF: Worlds of Science Fiction seu clássico conto "I have no mouth, and I must scream" ("Não tenho boca e preciso gritar). 


No conto, tal qual como em "Saviour Machine", a raça humana, num mundo pós Terceira Guerra, entregou seu destino para um computador que, depois de assimilar outros sistemas de IA parecidos da China e Rússia, desenvolveu consciência e, como seria de se esperar, erradicou completamente a população da Terra, com exceção de 5 pessoas, que ele mantém vivas. O computador, que se autodenomina AM, usa os sobreviventes em sádicos jogos de tortura como bodes expiatórios, pagando pelos crimes de toda a sua espécie. Não vou entrar nos méritos da história aqui para efeitos de concisão (se quiserem bem mais detalhes, cliquem no vídeo acima que fala de forma mais aprofundada sobre o conto de Ellison e o contexto em que ele surgiu), mas depois de serem torturados física e psicologicamente diversas vezes, o grupo de personagens consegue escapar por tempo o suficiente para que 4 deles consigam morrer, única forma de "fuga" possível. 
O último dos humanos é interceptado por AM e tem seu corpo alterado para uma "coisa" disforme, sem braços, pernas, boca, nariz, ouvidos e genitais, incapaz de se suicidar e com sua percepção de tempo alterada para que cada segundo de tortura pareça uma eternidade. Nessa condição, num último momento de sanidade, ele profere a frase que intitula a história. 

...e todos foram felizes para sempre. 

Como vai ser o seu dia: Essa idéia de "cuidado com seus heróis" não é nova de forma nenhuma. Para ficarmos em obras recentes, na ficção temos esse tema abordado em trabalhos como "O fim da infância", "Batman: the dark knight rises", "Fight Club", "Watchmen", "Superman: the red son" , entre outros. 
Principalmente nesse mundo pós-me too, em que várias figuras públicas tem sido expostas como abusivas, é válido termos cuidado com quem vemos como ídolos. Não é o caso apenas de escolher de forma sábia, mas sim de se perguntar: "eu devo adorar essa pessoa incondicionalmente, apenas porque eu gosto da arte que ela produz?"
Todos temos heróis, exemplos, que usamos como bússolas morais naqueles momentos complicados da vida. Diabos, essa coluna aqui só existe porque David Bowie é minha deidade pessoal. 
Mas eu não fecho os olhos para os momentos mais sinistros da história dele. O uso de drogas, as relações abusivas com suas ex-esposas, a acusação de ter relações com uma menor de idade nos anos 70, no auge da época do consumo de cocaína (o negócio foi resolvido extra-judicialmente e ficou nisso). 
E você também não deveria, independente de quem são seus heróis pessoais. 
Dizer "não tenha ídolos" é ridículo, porque sempre nos miramos em exemplos. É apenas humano isso de endeusarmos sujeitos que possuem qualidades que achamos admiráveis. De fato, é assim que alguns dos deuses antigos surgiram. Mas lembre-se que toda moeda tem dois lados e todo mundo tem sombras que mantém longe do olhar público. 
Então, tome cuidado antes de se jogar nas mãos daquela "fada sensata". Toda sereia soa linda. Toda planta carnívora parece encantadora para sua presa, antes de revelar sua face letal.

Frase do dia: "You can't stake your lives on a saviour machine". 

quinta-feira, 6 de agosto de 2020

Let's rock!!!

Saudades.
Eu sei, logo eu, que sempre me orgulhei de não sentir saudade de nada e nem de ninguém.
Mas, eis-me aqui, cansado, velho. E saudoso.
Sentindo saudades de Doctor Who novo.
De quando era bom.
Do 12th, provavelmente minha encarnação favorita do personagem, disputando ferozmente a posição com o 4th e o 7th. 
Saudades de...bom, você sabem. Tenho falado majoritariamente sobre ele nos últimos dias. 
Curiosamente, vendo um fan-clip pra um remix Bowieano que eu amo num nível absurdo, achei essa imagem. Aí, só peguei. 


Minhas 4 coisas favoritas da vida reunidas: Bowie, música, quadrinhos e Doctor Who (só faltou um Kaiju ao longe e alguém segurando um copo de Toddy com Nescafé)

Achei aqui (tentei achar o nome do artista, sem sucesso.)

Conversando com o Starman #18

Senhoras, senhores, mais um dia, mais uma sexta chegando, mais uma semana na qual sobrevivemos (continuamos em quarentena aqui, mas como todo mundo sabe, tem muita gente tendo que se jogar nas ruas graças a irresponsabilidade dos "nossos" governantes.  Tem também a galera negacionista sem noção, mas pro inferno com eles). Seu oráculo über-pop já está aqui para oferecer alguma luz pelas próximas 24 horas e vamos direto ao ponto: a faixa do dia é FALL DOGS BOMBS THE MOON


Contexto: Primeira faixa do "Reality", vigésimo terceiro lançamento da discografia Bowieana, e aquele que, por muito tempo, foi visto como o álbum final do artista, até que, 10 anos depois, "The next day" viria pegar o mundo de surpresa. Os elementos eletrônicos, protagonistas nos seus trabalhos da década anterior, ainda estão presentes, mas cedem espaço ao rock . Segundo trabalho seu feito pós 9/11, o disco não esconde que é um fruto de seu tempo (a faixa comentada aqui hoje sendo um exemplo perfeito disso). O título, "Reality" vem quase como uma elegia, uma memória perdida num mundo pós-realidade, pós-filosofias, em que a maioria das crenças e certezas que tínhamos como sociedade ruíram junto com as torres do WTC. 

Sobre a música: Para uma canção que possui uma letra tão críptica, é curioso notar como seu sentido é tudo, menos sutil. Mais uma vez, o eu-lírico adotado por Bowie é o do déspota que, deitado em berço esplendido, reflete sobre o próprio poder. 

"Hope little girl 
Come blow me away 
I don't care much 
I win anyway 
Just a dog 
I'm God damn rich 
An exploding man 
When I talk in the night 
There's oil on my hands 
What a dog"

Não um déspota qualquer, mas um barão do petróleo, explorando garotinhas e vendo pessoas explodindo como rojões sem se importar muito. 

"Devil in a market place
Devil in your bleeding face"

É o período de George W Bush e Tony Blair no poder, o ano em que Saddam Hussein seria capturado e onde seria "encerrada" a guerra contra o Iraque. As aspas presentes já que, de fato, as consequências dela e seus efeitos podem ser vistos até hoje, no mundo pós-Trump. 

"These blackest of years
That have no sound
No shape, no depth
No underground
What a dog"

Nestes anos, tão pretos quanto o óleo que esses homens vendem e pelo qual países democráticos foram, são e serão transformados em cinzas, não existe forma. Mercurial e líquida, nossa realidade está em constante revisão, num perpétuo estado de "não-ser", de "pós-verdade", de "alt-truth". Mas os cães da guerra, continuam gordos e felizes. 

Como vai ser o seu dia: provavelmente, muito ruim. Ou você é alguém em isolamento, e vai continuar assim se puder e apenas se você tiver condições disso, ou vai ter que sair de casa para garantir comida na mesa. Em ambos os casos, pode agradecer ao fascista miliciano na cadeira presidencial. Lembre-se disso nas próximas eleições, e não apenas para o cargo maior da nação, mas em todos os demais, do senado, passando pelos deputados, dos prefeitos aos vereadores. Mas mais além, repense sua relação com a política como um todo. Votar certo é obviamente importante, mas não é tudo. Votar certo é política, nossa relação com o mundo é política, como e contra o que protestamos é política. 
Tudo na verdade é. Repensar a própria vida e se enxergar como um sujeito político é um processo que leva anos, mas se queremos derrubar a besta maior que sustenta todo esse Sistema, é o que precisa ser feito. Cada ato seu, da cultura que você consome, passando pela comida que você decide comer, de onde você vai comprar as coisas que precisa, que projetos você apoia ou deixa de apoiar, financeiramente ou não, tudo isso é política. Parece óbvio, mas é importante ter isso em mente e, uma vez, cientes disso, correr atrás de informação. De novo, citando novamente uma frase que já usei aqui: toda jornada de 1000 quilômetros começa com um passo. 
Tá, tudo lindo, mas deixemos abstrações de lado: dois bons lugares pra começar? Aqui e aqui. Não precisa agradecer. 

Frase do dia: "There's always a moron/Someone to hate/A corporate tie/A wig and a date". Porque o Sistema precisa de um inimigo constante, um bicho papão novo todo dia pra manter as pessoas assustadas. Antes, eram os terroristas. Agora, são os imigrantes e os "comunistas". Amanhã, vai ter outro e outro e outro. Enquanto isso, os cães da guerra dormem tranquilos. E tudo "segue bem". 

quarta-feira, 5 de agosto de 2020

Conversando com o Starman #17

Mais um dia, ímpios, mais um episódio do único oráculo com 100% de garantia de NÃO funcionar e que, ainda assim, pisa em todos os demais, mesmo com uns 1000 anos de existência a menos e....
o que?

Surpresos? Sim, amigos, a seção tem tido uma recepção tão legal que decidi (não sei se em caráter definitivo ou não), ajudar a guiar as quartas feiras dos senhores. 
E, por uma gigantesca coincidência (ou não?), a música de hoje vem do mesmo cd da faixa comentada ontem. E que já tinha rendido outro texto semana passada. Universo mandando mensagem? (spoiler alert: não. Apenas uma mistura de "coincidência" com a lógica interna dos algoritmos do spotify)
Então, sem mais delongas: THE STARS (ARE OUT TONIGHT)




Sobre a música: Faixa 3 do "The Next Day", a canção, tal qual a faixa da qual falamos ontem, não esconde suas metáforas de forma sutil, já entregando seus temas nas duas primeiras linhas: 

"Stars are never sleeping
Dead ones and the living"

Mantendo os temas dos quais já falamos antes nos textos sobre "Love is Lost" e "If you can see me", mais uma vez o artista olha para o passado e reflete sobre a fama, os custos, luxos e efeitos dela. 
Estrelas, artistas, pessoas famosas, nunca dormem, porque, afinal, suas vozes estão sempre ressoando de novo e de novo, pela eternidade. Artistas são imortais por todo o período em que sua arte se mantiver no inconsciente coletivo. Por consequência, as mais brilhantes dentre estas irão ressoar pra sempre, enquanto houver alguém redescobrindo sua obra. 

"We live closer to the earth/Never to the heavens"

Estes contadores de histórias podem ser maiores que a vida, ídolos, gigantes. Mas sua pena é jamais voar alto demais, sob o risco de se distanciarem excessivamente do seu público. Citando Chili Peppers, "se você me ver subindo alto demais, me derrube. Eu não sou maior que a vida". 
O problema de tratar alguém como se fosse um deus é que há sempre o risco de que a pessoa em questão acredite nisso.
Citando o "Dig", documentário recentemente visto cobrindo a ascensão (e queda) dos Dandy Warhols e do Brian Jonestown Massacre, "o elemento comum entre todas as religiões é que não existe pecado maior do que se auto-declarar um Deus sem condições de agir como tal". Aquilo que os americanos dizem: you can talk the talk. Can you walk the walk? Da boca pra fora, todo mundo é "o melhor". Mas você consegue bancar com a sua arte?

"They watch us from behind their shades/Brigitte Jack and Kate and Brad
From behind their tinted window stretch/Gleaming like blackened sunshine"

Estrelas eternamente em movimento e protegidas por seus óculos escuros e vidros de carro cobertos por filme. E ainda assim, brilhando de dentro de suas limousines como um sol negro (não, a mórbida presciência das palavras escolhidas aqui não me escapou). 

"Waiting for the first move 
Satyrs and their child wives 
Waiting for the last move 
Soaking up our primitive world"

O trocadilho esperto entre "move" (movimento) "movement" (é como, na música, se referem a uma parte independente dela, aquela parte da composição que, sozinha, poderia funcionar como uma obra completa) e "movie" (filmes) deixa aquela alfinetada nas celebridades da música e cinema, saltitando por aí como entidades míticas ao lado das suas namoradas-troféu com décadas de idade a menos, afogando o mundo com seus novos trabalhos. 

"Their jealousy's spilling down 
The stars must stick together 
We will never be rid of these stars 
But I hope they live forever"

O paradoxo supremo: adoramos celebridades. Mas adoramos também vê-las desabando, lembradas da própria pequenez. Tem algo de doentio na nossa relação, como sociedade, com as pessoas que se destacam no campo artístico: nós as elevamos à condição de super-humanos, apenas para nos ressentirmos delas. "Por que elas e não nós?" 
Lembram-se do mórbido fascínio que as pessoas tinham na época das notícias sobre o lento processo de destruição de Amy Winehouse? Tudo visto em tempo real, transformado em piada. 
Sejamos honestos: existe um motivo pelo qual o Buzzfeed vive recomendando notícias do tipo "lembram de (insira o nome de uma celebridade aqui)? Você não vai acreditar em como ela está hoje em dia". Amor e ódio. 
Existe muita arte sendo produzida, todo dia, o tempo todo. Todo dia, uma nova voz se lançando, querendo jogar o jogo lado ao lado com os grandes. Elas são odiadas e invejadas por terem esse "algo" que a maioria das pessoas não possui. Mas o que seria da vida sem elas?
Quer seja pela arte que produzem, quer seja pela promessa de que "se deu certo para elas, pode dar certo para mim também". 

"And they know just we do/That we toss and turn at night"

"Here they are upon the stairs/Sexless and unaroused"

"They're broke and shamed or drunk or scared/But I hope they live forever"

Em entrevistas na época de "Ziggy..", Bowie afirmava que seu objetivo, com a escolha de adotar personas artísticas, era compor o astro pop de plástico perfeito. Um teste de Rorschach que pudesse alquimicamente se transformar naquilo que o público quisesse, o tempo todo. Como uma Barbie, "sem gênero e impassível", entidades que falam direto com nossas almas porque, e esse é o detalhe que procuramos ignorar no máximo de tempo possível, eles são EXATAMENTE como o resto de nós, com as mesmas aspirações e ansiedades. "Quebrados, envergonhados, bêbados e assustados", num eterno estado de limiar entre o divino e o mundano, nos conectando com algo maior, universal. Mágico, de fato. E as vezes, aparentemente ou de forma factual, inatingível. 
Dessa dicotomia vem, ao mesmo tempo nosso ódio por eles. E também, nosso amor irrestrito.

Como vai ser o seu dia: Eu sempre recomendo que vocês façam arte porque, sejamos francos, é o que nos mantém vivos. É o que nos separa de uma vida ordinária e medíocre. Mas, vamos retroceder alguns passos: nunca se esqueça que a vida normal, seu dia-a-dia em toda sua aparente insignificância tediosa, é o que vai dar combustível para sua mente criar. É dessas conexões entre o mundano que surge toda a arte. Pense em "Ulisses" de Joyce. "A day in the life" dos Beatles. Então, faça arte, se quiser. 
Mas tire seus momentos pra ser o mais comum e "pé no chão" possível, sem culpas ou ressentimento por não estar alimentando aquele gigantesco demônio chamado "produtividade" ao qual todo mundo parece se ajoelhar hoje em dia. 
Existe beleza em escrever, em cantar, em compor. Mas ninguém deveria menosprezar a beleza também presente naquele momento pra você ficar simplesmente olhando pro teto, pensando se o Goku é mais forte que o Superman. 

Frase do dia: "Nós nunca vamos nos livrar dessas estrelas. Mas espero que vivam para sempre".

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